Províncias

Cidade jardim com os olhos postos no futuro

Kátia Ramos | Ndalatando

A cidade de Ndalatando assinalou ontem, 28 de Maio, 54 anos de existência com os olhos postos no futuro. Autoridades tradicionais, membros da Administração Municipal do Cazengo e convidados reuniram terça-feira para reflectir sobre os caminhos a seguir de forma a tornar a cidade um lugar bom para viver.

Ndalatando é uma bonita cidade que está a crescer rodeada de jardins verdes e cheios de uma sombra acolhedora
Fotografia: Francisco Bernardo

A cidade de Ndalatando assinalou ontem, 28 de Maio, 54 anos de existência com os olhos postos no futuro. Autoridades tradicionais, membros da Administração Municipal do Cazengo e convidados reuniram terça-feira para reflectir sobre os caminhos a seguir de forma a tornar a cidade um lugar bom para viver.
Durante o encontro, o soba grande da região, José Lino, começou por fazer uma resenha histórica sobre o passado longínquo e recente de Ndalatando. De acordo com José Lino, a origem de Ndalatando veio dos nomes Ndala e Tando, os primeiros sobas a instalarem-se no lugar onde hoje se encontra localizada a cidade.
Em 1936, a cidade foi baptizada com o nome de Salazar, em homenagem ao ditador português. José Lino conta que, passados 20 anos, o o diploma legislativo nº 2.757, de 28 de Maio de 1956, elevou a vila Salazar à categoria de cidade.
Alcançada a independência, a 11 de Novembro de 1975, o Governo da República Popular de Angola, devolveu à cidade o nome de Ndalatando, a 18 de Julho de 1976.
Ndalatando, a cidade capital do Kwanza-Norte, é hoje a sede do município do Cazengo e, segundo dados históricos, existe desde a década do 40 do século XIX, 1845. É limitado a Norte pelo rio Luinha e a Leste, Sul e Oeste pelo rio Lucala.
O ponto mais alto da cidade é o morro de Santa Isabel, com 1.014,5 metros. Anteriormente, a região do Cazengo integrava as povoações de Kamujekete, Kissecula, Protótipo, Pedra d´Água, Guardachiga, Tumbinga, Catoco, Mutemua, Mulemba de Baixo e de Cima, Caxilo, Capexe, Cassassa, Cacululo, Cazenga, Zavula, Kifue, Ngola Kafuxe, Honga e Ndalatando, sendo esta última a sede do município.

Testemunho às novas gerações

Apesar da existência de pequenos comerciantes e agricultores locais, a cobiça dos colonos pelas ricas terras e riquezas existentes fez com que os nacionais fossem expropriados das sua terras férteis e remetidos a trabalhos forçados em terras que eram antes sua propriedade. O primeiro grupo de colonos portugueses que chegou a Ndalatando veio do Dondo, passando a uns dois quilómetros de Caxissa e fez a travessia do rio Lucala com canoas feitas de mafumeira. Instalaram-se na região de Caculo-Camuinza.
Outros colonos utilizaram a rota da Trombeta, passando por Canhoca, atingindo a mesma região, destacando-se entre eles comerciantes e agricultores.
Para as novas gerações, João Lino fez questão de realçar que o mais-velho Carreira, bisavô do já falecido general Henrique Teles Carreira “Iko”, foi um dos primeiros comerciantes a instalar-se na região do Quilombo Kiamahonjo, tendo dado um grande contributo na época para o desenvolvimento do Cazengo.
Além de ter sido o primeiro comerciante na região, o mais-velho Carreira ocupou o cargo de administrador do posto administrativo de Caculo-Camuinza. Em 1879, determinava-se que Cazengo se vinculasse a Pungo Andongo. Com o Caminho-de-Ferro de Ambaca a sede do concelho de Cazengo foi transferida de Caculo-Camuinza para Ndalatando, em 1900.
Cinco anos depois, em 1905, eram fixados os limites da localidade, fundindo-se os postos de Zavula e Caculo-Camuinza, em 17 de Setembro de 1915. Em 1917, a administração portuguesa criou o distrito do Kwanza, que mais tarde passou a designar-se Kwanza-Norte, com sede em Ndalatando.

Crescimento da cidade

Ndalatando vê a sua importância sócio-económica crescer, com a instalação dos Serviços de Luta contra a Doença do Sono (tripanossomíase) e a introdução na região das culturas do algodão, café, óleo de palma, banana, cana-de-açúcar, cacau, mandioca, sisal, girassol, milho, fruticultura e hortícolas.
O clima de Ndalatando é tropical ameno e a temperatura média anual é 20ºC e raramente a máxima excede os 25ºC. A média de precipitação anual ronda os 800 mm.
Ndalatando possui uma floresta tropical densa com uma grande savana e gramíneas altas e médias, proporcionando a existência de excelentes espécies de madeira, como moreira, tacula, muanza, quibaba, quitete, gravilha, eucalipto, pau-ferro, mafumeira e imbondeiros.
Na sua fauna encontramos o macaco, coelho, javali, mabeco, veado, kaseixa, jibóia, lebre, enquanto a hiena e o lobo se encontram em vias de extinção, podendo ainda encontrar-se diversos antílopes, aves de bela plumagem, pombos verdes e morcegos gigantes.
A população de Ndalatando é na sua maioria descendente dos Ngolas, Ambaquistas, Ndanje-ya-Menhas, Calulus e do Golungo Alto. O município sede tem 1.793 quilómetros quadrados de superfície, compreendendo a comuna da Canhoca, sectores de Zavula e Zanga, e 117 bairros, sendo 46 da periferia e 71 suburbanos, 115 autoridades tradicionais e uma população estimada em 143.596 habitantes. A cidade possui vários locais de interesse turístico e histórico. Encontram-se instalados na cidade hotéis, pensões, restaurantes, discotecas e centros recreativos, embora em quantidades reduzidas, enquanto as quedas dos rios Muembeje e Lucala, o rio Lussue, o Centro Botânico do Kilombo, as cataratas do Monte Redondo, a fonte de água Santa Isabel, as furnas do Zanga e Monte Belo, são lugares de uma beleza extraordinária.
Na localidade do Zanga é explorado  mármore desde a década de 50 do século passado. O manganés e o ferro são outros minerais em abundância na região.

Tempo

Multimédia