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Combate à malária é reforçado no Golungo Alto

Manuel Fontoura | Ndalatando

A World Vision está a executar em Angola vários projectos na área da saúde, relacionados com a redução dos níveis de mortalidade por malária, nas províncias do Kwanza-Norte e Uíge, e desenvolve projectos de prevenção da poliomielite no Kuando-Kubango, Huambo e Lunda-Sul.

O hospital tem técnicos de saúde que fizeram a actualização de conhecimentos no manuseio de casos com a utilização de "Coartem"
Fotografia: Santos Pedro

A World Vision está a executar em Angola vários projectos na área da saúde, relacionados com a redução dos níveis de mortalidade por malária, nas províncias do Kwanza-Norte e Uíge, e desenvolve projectos de prevenção da poliomielite no Kuando-Kubango, Huambo e Lunda-Sul.

De acordo com a directora nacional do programa de saúde da World Vision, Ana Juvêncio, esta organização não governamental lançou também recentemente um projecto de controlo e combate ao vírus da sida e um outro de nutrição no Moxico.
Sem avançar os custos dos projectos, Ana Juvêncio afirmou que os projectos são financiados pela USAID e o PNUD, acrescentando que o papel da World Vision é apenas de dar suporte às direcções de saúde e parceiros, particularmente nas áreas onde tenham dificuldade em intervir.
Ana Juvêncio informou que em 2007 o programa de combate à malária foi apoiado pelo governo americano nas províncias do Kwanza-Norte e Uíge. “As outras províncias foram também contempladas com dois projectos cada uma.”

Proposta de continuidade

O projecto de combate à malária foi desenvolvido até finais de 2009, mas há uma proposta de continuidade até 30 de Setembro deste ano. “Estamos preocupados com a apresentação da nova proposta para 2011. É o derradeiro ano. O programa de malária teve uma boa aplicação em 2009 e os resultados são uma redução do número de casos”, sublinhou.
Ana Juvêncio realçou a importância do reforço do trabalho junto das comunidades, porque, referiu, o tratamento “já está meio caminho andado”, sendo agora necessário o trabalho individual com as pessoas, formação e qualificação dos técnicos, supervisão do trabalho realizado pelos técnicos, reforço dos testes rápidos e distribuição de mosquiteiros.
Durante o ano passado, o “Sítio Sentinela” do município do Golungo Alto – estrutura montada nos hospitais com condições para diagnóstico e tratamento da malária – recebeu da Usaid material informático, gerador eléctrico e microscópios e foi apoiado na formação dos técnicos. Este é “um pressuposto que pode ser repetido este ano, para além da capacidade das instituições e dos técnicos de laboratórios que será reforçada”.
“Angola não tem técnicos médios de laboratórios, mas sim básicos e práticos. Mas estes têm muita experiência. Precisam apenas de refrescamento e acompanhamento. As pessoas devem abandonar a ideia de que só quando se pica é que se vê se temos ou não paludismo. Têm de começar a ter confiança nos testes rápidos”, disse a directora nacional da World Vision.
“Por esta razão” – acrescentou – “vamos formar todas as componentes que têm a ver com a assistência integrada nas comunidades, uma vez ser preocupação de todos a redução da mortalidade materno infantil.”
O Sítio Sentinela do Golungo Alto diagnosticou, no ano passado, 7.037 casos, com 21 óbitos, contra os 15.647 casos em 2008 e 25 mortos. Ana Juvêncio anunciou que a Word Vision pretende que o Sítio atinja todos os municípios da província, descentralizando a informação e a supervisão, actualmente localizadas apenas na sede da província. “A nossa intenção é criar dois pólos, um mais para o Norte, em Samba Cajú e Ambaca, para assistir os municípios à volta, como Quiculungo, Bolongongo e Banga, e outro nas áreas da sede provincial, para intervir nos municípios mais próximos, como Lucala, Cambambe, Golungo Alto e Ngonguembo”.
 
Sítio Sentinela no Golungo-Alto

De acordo com o director do Hospital Municipal do Golungo Alto, José Franco Martins, o Sítio Sentinela nesta unidade insere-se num esforço multinacional, de mais de 15 países, incluindo o Governo americano, através da Iniciativa Presidencial para a Malária, que é desenvolvido no Kwanza-Norte pela World Vision e pelos Serviços Essenciais de Saúde (SES).
Este Sítio Sentinela foi instalado primeiramente no Golungo Alto “por ser um município situado no estrato hiper-endémico da malária”. “A situação ecológica do município permite o aumento da densidade vectorial”, referiu Franco Martins. Apesar de ocupar a terceira posição em termos de população na província, o Golungo Alto – precisou – “é dos municípios que apresentam o maior número de casos de malária na região”. O município tem um hospital municipal, com serviços de consulta externa e internamento de pediatria e medicina, laboratório, farmácia e saúde materno-infantil.

Situação antes da instalação
 
Segundo José Martins, “não existia padronização da recolha de dados, nem todos os serviços dispunham de livros de registos. O ponto focal municipal da malária estava encarregue da recolha de dados nos municípios e também no hospital”.  Agora é diferente.
O hospital tem técnicos de saúde que fizeram a actualização de conhecimentos no manuseio de casos com a utilização de “Coartem” e “Arsucam” e gestão de medicamentos na farmácia, aplicação do Tratamento Intermitente e Presuntivo (TIP) nas consultas pré-natais e integração dos serviços clínicos, laboratoriais, farmacêuticos e estatísticos.
Em 2009, o hospital recebeu um equipamento completo de laboratório para 1.000 testes, um aparelho de medição da hemoglobina, computador, gerador, instrumentos de gestão com fichas de recolha de dados, livros de registo e blocos de receitas médicas.
A direcção do hospital pretende garantir a formação contínua do pessoal e aperfeiçoar a gestão para a redução do tempo de espera dos doentes ambulatórios.

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