Províncias

Comuna da Cêrca corre por melhorias

Adalberto Ceita

Aos 30 anos, Santos António Júnior mantém firme o desejo que a paz alcançada há sete anos renovou. Acompanhar o crescimento dos filhos numa região com um ritmo de desenvolvimento ajustado ao conjunto de recursos naturais que possui.

A crise económica e financeira que se vive um pouco por todo mundo também teve os seus reflexos negativos no desenvolvimento da Cêrca
Fotografia: Dombele Bernardo

Aos 30 anos, Santos António Júnior mantém firme o desejo que a paz alcançada há sete anos renovou. Acompanhar o crescimento dos filhos numa região com um ritmo de desenvolvimento ajustado ao conjunto de recursos naturais que possui. Santos António Júnior, que é camponês, nasceu e vive na comuna da Cêrca, que fica 45 quilómetros a Sul do município do Golungo Alto. Desde pequeno que ouve histórias contadas pelos mais velhos sobre o tempo em que a comuna produzia café. Apesar das actuais dificuldades, tem esperança na recuperação económica e social da terra. Não esmorece diante das dificuldades e manifesta-se convicto que tempos melhores hão-de vir. Espera apenas que nunca lhe venham a faltar instrumentos para poder trabalhar a terra.
A responsabilidade de administrar a comuna da Cêrca pertence a António Neto.Ao fim de cinco anos de funções, está consciente das dificuldades encontradas para a melhoria das condições de vida de aproximadamente oito mil habitantes distribuídos por 28 bairros.
“A partir deste ano, fomos contemplados com o orçamento do Programa de Intervenção Municipal. O dinheiro não chega para solucionar todos os problemas, mas temos vindo a encontrar soluções para dividir o mal, no bom sentido, pelas aldeias”, ressaltou.
Dentro das obras programadas para este ano está a terraplanagem das vias. António Neto salienta os benefícios que isso trouxe à comuna.
As vias, além de aproximarem a comuna às restantes localidades do país, possibilitam o rápido escoamento dos produtos agrícolas. Por isso, deixa um alerta às pessoas que adquiriram fazendas e casas comerciais na comuna e não as estão a rentabilizar. As autoridades, adverte, vão entregar esses bens a quem esteja de facto interessado em investir na região.
“Muitas fazendas e casas comerciais estão abandonadas e os proprietários limitam-se a pagar a renda, pensando que isso é o suficiente para se ser considerado proprietário. É necessário mudar essa mentalidade porque estamos a lutar para melhorar o nível de vida da nossa população, o que só é possível com geração de riqueza”, avisou.

Saúde e educação

Na comuna da Cêrca, o trabalho desenvolvido no campo da saúde tem como ponto principal a redução da taxa de mortalidade provocada por doenças, como a malária e diarreias agudas. António Neto diz que a educação da população para o tratamento de água tem surtido, em alguns casos, efeitos positivos. A comuna dispõe apenas de um posto médico, com dois enfermeiros e da assistência esporádica de um médico. O administrador diz que a crise económica financeira internacional, que também afectou Angola, adiou para 2010 o plano de alargamento da assistência médica e medicamentosa às populações.
“A nossa previsão é aumentar a rede hospitalar e os quadros técnicos. Temos esperança que a materialização desses projectos venha a acontecer a partir do próximo ano”, afirmou.
No domínio da educação, a deficiente condição das escolas provocou o êxodo de alunos para a sede do município e, em alguns casos, para Luanda. Este quadro pode ser invertido porque foram construídas escolas. A Cêrca tem três estabelecimentos do 1º ciclo do ensino primário, cada um com oito salas de aulas.
O administrador comunal referiu que no período de férias escolares vão ser feitas obras nas estruturas de ensino.
“Aqui, só leccionamos da 1ª à 6ª classes, por isso temos como desafio introduzir a 7ª e 9ª classes para evitar a saída de alunos da comuna e incentivar o regresso dos que a abandonaram para poderem continuar os estudos”, disse.

Energia  e água potável

Um dos pontos críticos da Cêrca é o fornecimento regular de energia eléctrica, cujos habitantes dependem de um único grupo gerador.
“Vivemos com dificuldades quanto ao fornecimento de energia eléctrica. São questões indispensáveis que temos, a todo o custo, de resolver”, admite o administrador.
A abundância dos rios nos vários bairros pode ser rentabilizada com a reabilitação e construção de fontenários para suprir a carência de água potável.
Na semana passada, técnicos do governo provincial do Kwanza-Norte avaliaram a possibilidade de construção de uma central de captação e tratamento de água e, também, a substituição de toda tubagem envelhecida da sede comunal. O caminho a percorrer, afirmou António Neto, “ainda é longo e cheio de escolhos”.
O ano agrícola 2009 é de má memória para os camponeses da Cêrca. O primeiro constrangimento foi a ausência de chuva durante toda a campanha, o que acabou por comprometer a produção de mandioca, milho, feijão e jinguba.
“Desde que lançamos a semente à terra, é a primeira vez que chove. Foram vocês que nos trouxeram sorte”, ironizou Santos António Júnior, quando falava aos jornalistas.
A situação agravou-se, ainda mais, com o “fenómeno insólito”, que tem tirado o sono aos habitantes: as constantes invasões das lavras protagonizadas por elefantes.
Os camponeses garantem que o número de elefantes ascende a dez e que os ataques acontecem, geralmente, à tarde. Os animais já provocaram a destruição de mais de 60 lavras. Os maiores estragos verificam-se nas palmeiras e nas mandioqueiras e os bairros mais atingidos são os da Quibila, Pentamidina e Katetesalacabanga.
Madalena Félix, que mora na sede comunal, disse que, se as coisas se mantiverem, ela, à semelhança de alguns vizinhos, planeia ir para outra região qualquer do Kwanza-Norte, de maneira a fugir da invasão incontrolada dos elefantes. Mãe de três filhos, Madalena Félix segue com apreensão o evoluir da devastação de lavras vizinhas.
“A situação é do conhecimento das autoridades provinciais. Ainda a semana passada perdi toda a plantação de mandioca e nada posso fazer porque existe a proibição de abater esta espécie animal”, lamentou.

Tempo

Multimédia