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Comunidades de Cazengo sem água potável

Marcelo Manuel | Ndalatando

A falta de chafarizes e dinheiro para a compra de combustível para os geradores constam entre as principais dificuldades para o fornecimento de água potável às comunidades do Quilómetro Treze, Cazela e Carianga, situadas nos arredores de Ndalatando, município de Cazengo.

Muitas famílias das comunidades de Ndalatando ainda continuam a enfrentar grandes dificuldades para ter o acesso à água potável
Fotografia: Nilo Mateus

De acordo com os habitantes do Treze, o problema da falta de água dura desde o tempo colonial, pois a comunidade nunca teve chafarizes e sempre sobreviveu do consumo de águas da chuva e do rio Camuaxi, a 500 metros da localidade.
Engrácia Domingos, de 67 anos, conta que a falta de água canalizada dificulta a vida dos cerca de 300 habitantes da localidade, que de certa forma dependem dos “milagres da natureza” para obterem água. Pedro da Costa aponta o facto de outros bairros vizinhos, como Quilómetro Onze, Zanga e Canzondo, beneficiarem de água, embora tenham as ribeiras distantes. Problema semelhante vivem os moradores de Cazela, que dista cinco quilómetros da capital do Cuanza Norte, que de manhã cedo são obrigados a percorrer dois quilómetros até à comunidade de Cawabe, onde estão situados os tanques de armazenamento do projecto Mucari, que abastece de água a cidade de Ndalatando.
Esperança Nicolau, na casa dos 70 anos, reclama que já está sem vigor para transportar água de longas distâncias, tendo apelado a quem de direito no sentido de projectar a construção de fontenários no seu bairro. Na comunidade de Carianga, com mais de 500 moradores, localizada a sete quilómetros da sede de Ndalatando, a resolução da situação depende das contribuições monetárias, que rondam entre 200 a 500 kwanzas, para a compra de combustível para a moto-bomba que puxa água do único furo hertziano existente.
“O nosso bairro tem apenas um chafariz que abastece o lado norte e sul da nossa aldeia, mas infelizmente para que funcione tem de haver dinheiro para a compra de combustível que nem sempre todos têm, o que dificulta a vida da comunidade”, disse a mais velha Rita da Conceição.
A nível dos bairros de Ndalatando, parte leste da cidade com o mesmo nome, as torneiras estão encerradas há cerca de dois anos. Dados apurados dão conta que a situação é pior em São Felipe, vulgarmente conhecido por Kibwangoma, com uma população estimada em mais de dez mil habitantes, que recorre a cacimbas para a obtenção do “precioso líquido”. 

Manivela avariada


Uma avaria verificada na manivela do furo hertziano da sede comunal de Dange ia Menha, situada a cerca de 25 quilómetros da cidade do Dondo, está a criar transtornos à vida da população, que é obrigada a percorrer longos quilómetros até ao rio Mucoso. O regedor de Dange ia Menha sublinhou que a situação já dura há mais de dez meses e está a causar diversos transtornos à população. A Administração Municipal de Cambambe apoia a população com um camião cisterna, mas de forma irregular e em quantidades insuficientes para todos.
Durante a época chuvosa, disse o soba, a solução passa pelo aproveitamento das águas do intermitente rio Mucoso, situado a cerca de um quilómetro, mas em seu entender a água é imprópria para consumo, por não ter qualquer tratamento. A moradora Joana António instou as entidades administrativas do município de Cazengo a trabalharem para a melhoria da situação, evitando que a população contraia doenças causadas pelo consumo de água sem qualidade.

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