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Comunidades do Zanga em festa pelo progresso

Marcelo Manuel | Zanga

O surgimento de vários empreendimentos sociais nos 17 bairros do sector do Zanga, no município de Cazengo, está a satisfazer as populações locais. O soba grande e regedor do Zanga, Cristóvão João Vunge, disse ontem que as comunidades estão em festa porque o progresso levou unidades sociais que respondem aos anseios da população.

A comunidade da regedoria do Zanga está satisfeita com a asfaltagem de estradas que vão propiciar o desenvolvimento da região
Fotografia: Nilo Mateus

O surgimento de vários empreendimentos sociais nos 17 bairros do sector do Zanga, no município de Cazengo, está a satisfazer as populações locais. O soba grande e regedor do Zanga, Cristóvão João Vunge, disse ontem que as comunidades estão em festa porque o progresso levou unidades sociais que respondem aos anseios da população.
Esta satisfação, disse o soba, é resultado da construção de escolas, postos de saúde, asfaltagem de estradas, implantação de fontanários e sistemas de iluminação pública, criados pelo governo do Kwanza-Norte. Nos 17 bairros do Zanga existem 19 escolas, onde estudam mais de 600 crianças da iniciação à sexta classe. As aulas são garantidas por 20 professores. Uma escola construída de raiz foi inaugurada na Quirima do Hola, pelo governador Henrique Júnior. Tem quatro salas para 180 alunos.
O soba grande frisou que as populações estão felizes porque todos os bairros têm postos de saúde. Três enfermeiros trabalham na unidade sanitária do bairro Tombe em permanência.
O sector do Zanga tem energia eléctrica pública, fornecida por grupos geradores. As comunidades do Tombe, de Quirima do Hola e Quirima do Meio têm agora luz eléctrica nas suas casas. O combustível para os geradores é fornecido pela Administração Municipal do Cazengo. Mas os consumidores locais contribuem com 1000 kwanzas por mês, para evitar roturas.
O soba disse que o grupo gerador do Tombe tem capacidade de 80 KVA e o sistema de iluminação pública é constituído por 32 postes e uma rede com 2.000 metros.
Apesar dos avanços, Cristóvão João Vunge disse que ainda existem problemas de fornecimento de água potável nas comunidades do Tombe e Quihonjo, pelo facto das nascentes onde foram projectados os centros de captação possuírem caudais baixos, principalmente no cacimbo.

Resgate dos rituais no rio


O soba Cristóvão Vunge defendeu a necessidade da população resgatar os rituais dedicados à nascente do rio Caholo. A ausência de cultos está a fazer com que o rio tenha cada vez menos água.
Cristóvão Vunge disse que o sistema de captação e tratamento, na sede do sector, engloba um reservatório com capacidade para 150 metros cúbicos. Este sistema, além dos fontanários, sustenta ligações domiciliares e torneiras colectivas, situadas em alguns quintais da comunidade. Em relação à tradição agrícola, o soba disse que as culturas mais importantes são as do milho, feijão, ginguba, batata, mandioca, banana, quiabo, cebola, couve e abóboras. As lavras produzem bem mesmo no tempo do cacimbo, sobretudo os terrenos agrícolas mais próximos das margens férteis do rio Mucari.

Agricultura e comércio


O comércio no sector do Zanga está muito parado. Existem algumas cantinas mas nenhuma média ou grande casa comercial. Os produtos de primeira necessidade são, na sua maioria, vendidos por negociantes ambulantes, que colocam à disposição das comunidades arroz, óleo, peixe e sabão, além de roupas e calçado, bens adquiridos em Ndalatando. O soba Cristóvão João Vunge disse que, em termos de transportes, está tudo bem, uma vez que as comunidades são servidas por uma estrada asfaltada, que faz a ligação às sedes dos municípios do Cazengo e Golungo Alto.  A boa oferta de transportes também deixa as populações em festa.

Mitos e tradições

O soba explicou que o nome “Zanga” surgiu quando um viajante pediu à população para lhe indicar um lugar onde matar a sede ao gado que trazia. Quando lhe foi mostrada a nascente, o viajante quis saber como se chamava. E alguém do povo respondeu: Zanga Mucari! E até hoje ficou com o nome de Zanga.Nos anos 50, as festas eram animadas ao som dos batuques feito de pele seca de veado. Foi esta a origem da dança kambanza, cujos passos exigiam a companhia de uma dama.
Mais tarde os músicos populares associaram o batuque à gaita-de-beiços, o que proporcionava um som mais agradável, levando os presentes ao delírio.Quanto ao namoro, o soba grande recorda que antigamente tudo começava à base de uma conversa entre os membros das duas famílias.
Em alguns casos existiam acordos mútuos entre os dois enamorados, sem o palpite dos mais velhos. O alambamento só era realizado caso as famílias concordassem e o envolvimento sexual só acontecia após o pedido.

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