Províncias

Cooperativa pecuária de Ambaca leva ao mercado carne mais barata

Marcelo Manuel | Camabatela

Criadores de gado, entidades administrativas e jovens do município de Ambaca afirmam que a criação da Cooperativa Pecuária do Planalto de Camabatela, Cooplaca, tem contribuído para a melhoria da situação social e económica da região,

A maior necessidade dos criadores de gado da associação é reforçar o número de efectivos
Fotografia: Marcelo Manuel | Camabatela

fundamentalmente no que diz respeito ao fomento do emprego e redução da fome, através do consumo de carne fresca com qualidade.
João Vicente Cuandeca, criador associado da Cooplaca há 10 anos e proprietário de uma fazenda com 1.300 hectares, onde cria 100 cabeças de gado bovino, afirma que a criação da associação permitiu a organização e o desenvolvimento das fazendas, dando emprego a vários jovens, fazendo com que a população adquira carne fresca a bom preço, entre outras vantagens.
Ressaltou que, nesta altura, a maior necessidade dos criadores de gado da associação é reforçar o número de efectivos, por forma a gerar mais emprego e aumentar o rendimento produtivo, mas acrescenta ser necessário que a banca nacional e outros operadores económicos financiem os projectos criados pelos associados.
O administrador de Ambaca, José Rank Frank, considerou positivo o trabalho da referida cooperativa, por permitir a filiação de novos criadores, e defende a abertura de farmácias em Malanje e Ambaca, para apoiar os criadores e minimizar os custos de assistência médica dos animais. Afirmou que, a nível do município de Ambaca, existem 73 fazendas operacionais e 25 inoperantes, 11.400 cabeças de gado, tidas como insuficientes para o que se pretende, em termos de comercialização de carne bovina e derivados.
“Temos extrema necessidade de alimentarmos a população, a par do desafio da diversificação da economia, bem como a necessidade de criar condições para a exportação de carne bovina e seus derivados”, disse. José Rank Frank adiantou que o arranque do matadouro de Camabatela está a depender da decisão do Ministério da Agricultura.
Acrescentou que, pelas informações que tem, o pessoal técnico já está formado, na sua maioria recrutados a nível local, e que, nesta fase, decorrem acertos para o concurso de uma empresa especializada para a sua gestão. 
O administrador realçou que o governo do Cuanza Norte aprovou recentemente o plano de desenvolvimento reajustado, que inclui o sector agro-pecuário como um dos eixos fundamentais, onde foram gizadas políticas inerentes à busca de parcerias no estrangeiro, para permitir a transferência de conhecimentos e financiamentos, para o desenvolvimento de vários projectos ligados ao sector.
Gaspar Segunda, 30 anos, natural da aldeia do Donga, Ambaca, capataz numa das fazendas situadas nas redondezas de Camabatela, disse que a abertura da Cooplaca permitiu que ele e mais dois amigos de infância conseguissem o primeiro emprego.
Acrescentou que, através do trabalho, agora, tem uma casa de adobe rebocada e cimentada, a par da aquisição de outros meios fundamentais para a vida no lar. Conta que o trabalho começa nas primeiras horas do dia. Leva o gado ao pasto até ao meio dia, hora de regresso à fazenda para o almoço, tendo avançado que o retorno à actividade começa às 14 horas e vai até às 16.
A Cooplaca, que agrupa criadores do Cuanza Norte, Uíge e Malanje, tem mobilizado os criadores, por forma a estarem habilitados a aderir aos projectos de financiamento que possam surgir, a par da sua organização interna, que é uma das preocupações fundamentais para que as fazendas sejam elegíveis, para a busca de parcerias e cedência de créditos.

Tempo

Multimédia