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Corte de árvores destrói florestas

André Brandão | Ndalatando

O Instituto de Desenvolvimento Florestal está preocupado com a devastação da fauna e da flora no Kwanza-Norte. O seu responsável, Guilherme da Costa, refere que esta situação é mais incisiva no mês de Maio, altura em que a população faz o corte e a queimada das árvores para o cultivo e a produção de carvão.     

Várias pessoas têm abatido indiscriminadamente árvores sem preverem as consequências
Fotografia: Nilo Mateus|Ndalatando

O director provincial do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) do Kwanza-Norte, Guilherme da Costa, afirmou ontem que a instituição está preocupada com a devastação da fauna e da flora.
Guilherme da Costa referiu que esta situação é mais incisiva no mês de Maio, altura em que a população faz o corte e a queimada das árvores para o cultivo e para a produção de carvão.
“O aumento da temperatura e a falta de chuvas em algumas regiões da província deve-se à má utilização das florestas, onde o abate e a queima constante de árvores é predominante, causando o efeito de estufa e a diminuição do oxigénio”, disse o director.
Segundo ele, a área mais afectada é o município de Cambambe, onde os carvoeiros cortam as espécies desejáveis para fabrico diário do carvão vegetal, sem posteriormente promoverem o repovoamento florestal do local.
Relativamente à fauna, o responsável afirmou que o IDF, em colaboração com as autoridades administrativas e Polícia Nacional, tem estado a tomar medidas repressivas para banir e desencorajar todos os agentes que se dedicam à caça das espécies animais da região, de forma desordenada.
A direcção tem 14 agentes de fiscalização, mas só quatro estão em acção e mesmo com o apoio policial tem sido insuficiente o controlo dos caçadores furtivos na província, lamentou o responsável.
Guilherme da Costa diz que a orientação do Ministério da Agricultura Desenvolvimento Rural e Pescas é no sentido de ser proibido caçar, mas ressalva que os camponeses e os agricultores podem desenvolver esta actividade para o seu sustento familiar, embora não seja permitida a venda de qualquer animal.
O responsável anunciou que o Instituto de Desenvolvimento Florestal local está a proceder a estudos técnicos para determinar quais os animais em vias de extinção na província.
A direcção do IDF produziu no semestre passado cerca de 12 mil plantas, das quais fruteiras, florestais, eucaliptos, acácias rubras e jacarandás, palmeiras reais e ornamentais. Esta acção, segundo explicou, pretende assegurar a arborização das vilas, cidades e fazendas agro-pecuárias.
Clarificou que o projecto de arborização vai incluir, numa primeira fase, os municípios do Cazengo, Ambaca e Cambambe, com o objectivo de se criar uma cintura verde, cuja finalidade consiste em melhorar as condições de vida da população em ternos de saúde, clima e purificação do oxigénio.


IDF arrecada receitas através de multas


No primeiro semestre deste ano, a IDF do Kwanza-Norte arrecadou um total de 336.036 kwanzas, resultante da aplicação de cinco multas e a apreensão de 326 tábuas e 196 barrotes, afirmou Guilherme da Costa.
As multas foram aplicadas às pessoas que exploram e comercializam madeira e seus derivados sem a prévia autorização da direcção provincial do IDF. O responsável lembrou que, actualmente, a província conta com 13 concessionários autorizados para actividades de corte de madeiras em toro, que estão distribuídos pelas localidades do Bolongongo, Golungo-Alto, Cambambe, Banga, Ambaca e Kikulungo. Existem ainda 15 fábricas de carvão vegetal localizadas em Cambambe e Bolongongo.
Guilherme da Costa considerou que alguns destes concessionários possuem meios técnicos para o abate e transformação local da madeira.   
A província do Kwanza-Norte tem duas serrações, nos municípios do Kikulungo e Bolongongo, com capacidade para produzir 10 metros cúbicos por dia e perspectivam aumentar para 15.
Aquele responsável explicou ainda que, devido à falta de um mercado local especializado para venda de madeira e derivados, esta actividade é realizada em Luanda.

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