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Crescimento urbano invade habitat de animais selvagens

Manuel Fontoura| Ndalatando

O crescimento das áreas urbanas na periferia de Ndalatando, capital da província do Cuanza Norte, provocado pelo afluxo das populações, está a permitir a invasão de animais selvagens.

O chefe do departamento provincial do Instituto de Desenvolvimento Florestal, Guilherme da Costa, disse que o alargamento dos bairros resulta da elevada densidade populacional, assinalando que a deslocação de habitantes do interior para Ndalatando começou durante o conflito armado em que o país esteve mergulhado. Por isso, vastas áreas florestais foram ocupadas por habitações.
Guilherme da Costa deu como exemplo os bairros da Kitata e Kibuangoma, que recentemente foram invadidos por dois elefantes, deixando à população em pânico.
Para o responsável, nesta estação seca em que há muita concorrência sobre os resíduos hídricos e nutrientes, os animais invadem as lavras e acabam por destruir todas as culturas. “As populações depararam com elefantes a devorar as suas culturas e para afugentá-los decidiram arremessar pedras e paus. Na tentativa de se livrarem da agressão, os animais em desespero, ao invés de tomarem a rota em direcção à floresta, passaram pelo interior do bairro, o que originou o pânico”, explicou.
Para se defender dos ataques, um dos elefantes correu entre as habitações, de construção precária, acabando por destruir parcialmente uma delas, antes de se pôr em fuga, sem causar vítimas humanas.
“Não se pode dizer de concreto que seja o animal que tenha invadido o bairro períferico, mas tudo aconteceu pelo facto de as pessoas perseguirem o animal que se sentiu ameaçado e pôs-se em fuga, tendo encontrado depois passagem de volta para o mato”, explicou Guilherme da Costa.
O chefe do departamento provincial do Instituto de Desenvolvimento Florestal  condenou a atitude das pessoas que tentaram matar o animal, mas disse que “felizmente os elefantes conseguiram escapar. Acho ser uma atitude reprovável da população que, ao invés de  apenas afugentar o animal, prendiam a todo custo matá-lo, o que não é o mais correcto”, disse.

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