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Cuanza-Norte regista mais de 500 casos de VIH/Sida

Marcelo Manuel / Ndalatando

Factores ligados à pobreza, poligamia e poliandria e contaminação dolosa, constituem as principais causas do surgimento de 569 novos casos de VIH/sida no Cuanza-Norte registados no ano em curso, uma cifra inferior comparada com o ano passado em que houve  750 pessoas contaminadas.

Habitantes de Ndalatando marcharam na cidade para incentivar adesão à campanha de prevenção contra o VIH/sida
Fotografia: Edições Novembro

Estes dados constam no relatório da Direcção Provincial da Saúde apresentado durante a IV sessão ordinária do Governo Provincial realizada no fim-de-semana na cidade do Dondo.
Segundo o documento, estes números expressivos de pessoas contaminadas colocam o Cuanza-Norte entre as regiões com o maior índice de prevalência da doença.
O relatório dá conta que os municípios mais afectados são os de Ambaca, Ca-zengo, Lucala, Samba Cajú e Cambambe.
Segundo a directora provincial da Saúde, Filomena Wilson, os números podem ultrapassar a cifra de 2017, atendendo que ainda faltam pouco mais de dois meses para o término do ano. “Nos anos anteriores, a província tinha o menor índice de prevalência do VIH/sida no país, mas agora os números dispararam, factor que nos preocupa bastante, sobretudo por existirem nove casos de cri-anças menores de 15 anos e vários adultos maiores de 50 anos”, disse.
Filomena  Wilson revelou que há indivíduos que negoceiam com prostitutas para não usarem preservativos. “O mais agravante é que alguns dos casos de contaminação dolosa são cometidos por pessoas esclarecidas, muitas das quais com certa posição social, alguns até ligados ao Governo da província”, lamentou.
A responsável disse que o Cuanza-Norte figura entre as províncias onde muitos homens e mulheres têm mais de um parceiro sexual. “Este é também um dos factores da disseminação da doença,  associado à pobreza que leva menores e adultas a terem relações sexuais a troco de dinheiro ou outras recompensas”, explicou.
A responsável da Saúde na província deplorou o comportamento de algumas pessoas, que sem motivos aparentes, abandonam o tratamento com retrovirais, voltando apenas quando o es-
tado se agudiza, que muitas vezes terminam em morte. “Temos medicamentos para tratar cerca de 1.500 pessoas com VIH/Sida, incluindo crianças, até Junho do próximo ano”, garantiu.
Ao intervir no evento, o governador provincial do Cuanza-Norte, José Maria, ordenou a criação de uma comissão para, no prazo de 15 dias, apresentar um plano estratégico para alterar o actual quadro.

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