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Cultivo de hortícolas em grande escala

Marcelo Manuel | Ndalatando

O Instituto de Desenvolvimento Agrário do Cuanza Norte desenvolve, em diversas comunidades da província, técnicas para a selecção de solos, irrigação, pulverização, adubagem e selecção de sementes, visando a produção de hortaliças, durante os 12 meses do ano.

Camponeses têm recebido diversos apoios para aumentarem a produção no âmbito do programa de combate à pobreza
Fotografia: Nilo Mateus

Segundo o chefe de departamento do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Cuanza Norte, engenheiro Paulo Bungo, a medida visa evitar a procura de produtos de outras províncias e incentivar à diversificação da produção agrícola local, melhorar a dieta alimentar das famílias, reduzindo a fome e a pobreza.
A província do Cuanza Norte tem condições propícias para o cultivo de hortícolas em qualquer período do ano, mas ressaltou a necessidade da sensibilização e treino dos camponeses no sentido de criarem o hábito de tais práticas.
 “A nível da região Norte de Angola a população não está acostumada a produzir hortícolas durante o tempo  da chuva”, disse.
O Instituto de Desenvolvimento Agrário do Cuanza Norte trabalha de forma directa com os pequenos agricultores na introdução das novas técnicas de cultivo, principalmente no que toca à selecção dos terrenos, sementes, aplicação de adubos e rega, para garantir o sucesso do projecto.
 
Horta familiar

Como forma de ensaio e experimentação dos novos métodos a serem usados, 100 famílias da Associação de Camponeses Sagrada Família da comunidade de Quirima do Hola, no município do Cazengo, receberam parcelas de terra já lavradas, para a criação de hortas familiares, onde são produzidas hortícolas.
O projecto tem apoio do Ministério da Família e Promoção da Mulher, em parceria com  o Fundo das Nações Unidas para Alimentação (FAO) e visagarantir alimentos com qualidade, a par da redução da pobreza.
Cada família recebeu 250 metros quadrados, onde já estão lançados e plantados produtos como milho, feijão, mandioca, couve, melancia, repolho, beringela, pimento, cebola e tomate.
Maria Francisco Pedro, produtora, salientou que o projecto é uma mais-valia, porque vai permitir a produção de hortícolas durante o ano todo, garantindo mais comida para a população.
“Quando chega a chuva temos de recorrer ao mercado do Catome, em Ndalatando, para comprar tomate, couve e outras hortaliças provenientes do Sul do país, mas com a aprendizagem de novos métodos de cultivo e sementes melhoradas queremos reverter a situação”, disse.

Escoamento de produtos
/>A falta de dinheiro para a prática de uma agricultura mecanizada e meios de transporte para o escoamento dos produtos do campo são encardas pelo soba da comunidade de Quirima do Hola, Conceição Bartolomeu, como factores que contribuem para o fracasso da prática de uma agricultura rentável. A autoridade tradicional referiu que actualmente as empresas de mecanização agrícola cobram entre 35 a 40 mil kwanzas por hectare, somas que devem ser revistas ou subvencionadas, pe­lo facto de estarem longe do alcance de muitos camponeses. Lamentou o facto da sua comunidade não beneficiar ou possuir qualquer informação inerente ao crédito agrícola de campanha, facto que em sua opinião podia ajudar a comunidade a sair do actual marasmo.
Outra dificuldade referida por Conceição Bartolomeu é a falta de meios para o escoamento dos produtos do campo para os principais pontos de venda.  “ O taxista cobra 300 kwanzas por um saco de 20 quilos, o que desmotiva os camponês”, disse.
O soba disse que é necessário um triciclo a motor para o transporte da moto-bomba que sustenta o sistema de irrigação do projecto da horta familiar. Uma bomba  semelhante e que bombeia água para os três chafarizes da comunidade tinha sido roubada e foi encontrada graças à pronta intervenção dos efectivos do comando municipal da Polícia Nacional de Cazengo. A captação é feita no rio Camuaxi, que dista dois quilómetros da aldeia, sustentado por um reservatório com capacidade de 135 mil litros. “Para evitar desgastes à moto-bomba, procuramos reabastecer o tanque de armazenamento em três dias seguidos”, afirmou.

Energia da rede


O soba Conceição Bartolomeu revelou que Quirima do Hola pode, no decurso deste ano ou princípio do próximo, beneficiar, pela primeira vez, da rede provincial de energia eléctrica, através da barragem de Cambambe.
A garantia, acrescentou, foi dada pela administradora municipal de Cazengo, Edviges de Jesus, durante a solicitação do arranjo do grupo gerador que fornecia energia à comunidades, avariado há três meses.
De acordo com o soba, as entidades administrativas  da região projectam a compra de um posto de transformação, a ser suportado pelos cabos de média tensão que passam junto à localidade. A comunidade ganhou recentemente uma moagem para transformar a mandioca em fuba.

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