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Cupapatas enchem as ruas de Ndalatando

Alfredo Ferreira| Ndalatando, Mazarino da Cunha | Venâncio Victor

O serviço de mototáxis na cidade de Ndalatando é uma actividade vital no transporte de pessoas e mercadorias. Para muitos jovens é a única fonte de rendimento.

Muitos acidentes que envolvem cupapatas são causados na sua maioria pelo desrespeito ao código de estrada com a conivência de passageiros
Fotografia: Adolfo Dumbo | Ndalatando

A actividade é lucrativa, porque a procura na região cresce todos os dias, por falta de carros a fazer serviço  de táxi.
Funcionários públicos, estudantes e vendedoras ambulantes utilizam os serviços dos cupapatas e todos consideram que os mototaxistas dão um grande contributo à sociedade, porque respondem com eficácia à falta de transportes públicos no centro da cidade e nos bairros periféricos.
Para além dos cupapatas das motorizadas, ultimamente apareceram em força os triciclos, que fazem sobretudo transporte de mercadorias. Os mototaxistas começam o seu trabalho por volta das cinco horas da manhã porque a esta hora já há muitos passageiros aguardando transporte. Depois das nove da manhã o trabalho diminui, mas os cupapatas não param. O fim da jornada de trabalho é cerca das 21h00, quando o movimento na cidade abranda. Desde que o sol nasce até à noite os cupapatas estão sempre prontos a levar os passageiros a sítios onde os carros não entram.
Mas o perigo espreita, muitos cupapatas transportam crianças além dos adultos e há passageiros que não usam capacete de protecção. Por cada percurso os passageiros pagam 100,00 kwanzas e, se houver carga, os cupapatas cobram 100,00 kwanzas para transportar um saco de arroz, 50 kwanzas para uma caixa de massa ou frescos.
André Salvador, de 17 anos, explicou que começou a sua actividade em 2013, alugando uma motorizada, com o objectivo de ganhar algum dinheiro para viver. No final de cada semana tem de pagar ao proprietário 20.000,00 kwanzas. O resto, que nunca passa dos 8.000,00 kwanzas, fica para ele.  André Salvador, natural de Ambaca, enfrenta grandes dificuldades para exercer a sua actividade.
 E está sempre em risco de ter um acidente: "Há bandidos que se fazem passar por clientes e quando chegamos a um ponto isolado roubam-nos as motorizadas".
João Mateus, de 22 anos, faz trabalho de cupapata para satisfazer as suas necessidades básicas. Reconheceu que apesar de algumas dificuldades o trabalho tem estado a facilitar a sua vida tendo em conta o difícil acesso ao primeiro emprego.O jovem mototaxista aconselhou os companheiros a cumprirem o Código de Estrada para evitarem acidentes. João Mateus reprovou a atitude dos automobilistas que desrespeitam os motociclistas, principalmente nos cruzamentos.
Os habitantes de Ndalatando aderiram em grande número ao serviço dos cupapatas. Mateus Marques disse que "eles são úteis, porque há falta de carros a fazer transportes e os mototaxistas levam as epssoas a qualquer ponto da cidade e a baixo preço".
Rosa Manuela, estudante do ensino médio, disse que sem os cupapatas  “tinha muita dificuldade de deslocação”, pois percorre grandes distâncias. Mas deixou um recado aos taxistas: "Continuem a prestar serviço de táxi mas cumpram todos os procedimentos que o Código de Estrada exige".
Muitos acidentes que envolvem cupapatas são da responsabilidade de automobilistas e peões, que não respeitam quem se desloca nas motorizadas. Entre as causas dos acidentes constam o excesso de velocidade, a condução sob efeito de álcool e a não-observância das regras de trânsito.
O Jornal de Angola apurou que, em média, o Hospital Provincial de Ndalatando regista em média seis vítimas de acidentes de viação por dia e muitos acabam por morrer.

Mortes e feridos

Victor Maxinde, de 38 anos, perdeu um filho num acidente de viação que envolveu duas motorizadas que faziam serviço de táxi.
José Ngola ficou para sempre deficiente de uma perna devido à má condução de um cupapata que o transportava.
O acidente afastou-o da escola. Dados da Polícia Nacional em Ndalatando referem que por semana há uma média de 15 acidentes de viação, quase sempre com mortes e feridos graves.

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