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Desemprego e défice de fiscais estão a motivar a caça furtiva

André Brandão | Ndalatando

A caça furtiva está a ganhar proporções na Província do Cuanza-Norte devido, essencialmente,  a pobreza extrema que assola muitas famílias, desemprego, falta de informação sobre a importância da fauna e a flora, e o reduzido número de fiscais do Instituto de Desenvolvimento Florestal.

Ao longo de várias estradas nacionais caçadores clandestinos comercializam várias espécies de animais
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Esta informação foi apresentada pelo director provincial do Gabinete da Agricultura e Florestas, Walter Demba durante o primeiro encontro sobre  o Combate à Caça Furtiva, realizado fim-de-semana na cidade de Ndalatando
Segundo o documento a caça furtiva é desenvolvida  maioritariamente por jovens sem ocupação. “Estamos preocupados com o desaparecimento de algumas espécies de animais decorrente da caça furtiva. Os infractores, quiçá, por desinformação, caçam inclusive no período de reprodução animal, que vai de 01 de Janeiro a 31 de Julho”, deplorou.
Walter Demba disse que ao longo das estradas nacionais, que ligam as províncias de Luanda, Malange, Uíge e o Sul do país, encontram-se amontoados de animais abatidos a serem comercializados. “Os caçadores furtivos preferencialmente abatem veados, seixas, pacas, javalis, macacos, jiboias, galinholas e perdizes, incluindo elefantes”, revelou.
“Para inverter o actual quadro”, disse Walter Demba, “foi criada o ante-projecto de Lei nº 6/17 de Janeiro, que estabelece as normas que garantem a conservação, uso racional e sustentável das florestas e fauna selvagem em todo território nacional, o qual continua aguardar pela a sua aprovação”.
Enquanto isso se espera pela aprovação da referida Lei, estão a ser adoptadas medidas conjuntas entre o Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) e o Comando Provincial da Polícia Nacional, versadas na recolha de armas em posse ilegalmente de caçadores.
O responsável do Gabinete da Agricultura e Florestas no Cuanza-Norte fez saber que a caça furtiva em África movimenta entre 15 a 20  mil milhões  de dólares, afectando cerca de 25 mil postos de trabalho, tendo maior incidência o comércio de marfim, retirados em elefantes, e cornos de rinocerontes.
Ao intervir no evento, o comandante provincial da Ordem Pública , subcomissário Gaspar da Silva,  apelou aos caçadores para registarem as armas de caça num posto policial, “afim de evitarem eventuais complicações ou mesmo prisão por posse ilegal de arma”.
Os participantes ao Encontro sobre Combate à Caça Furtiva  recomendaram maior divulgação da Lei sobre a protecção da floresta e da fauna selvagem, para que os caçadores cumpram com as suas obrigações.

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