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Doença do sono tem menos casos

Manuel Fontoura | Ndalatando

A província do Kwanza-Norte registou, nos últimos cinco meses, um baixo índice de casos da doença do sono (tripanossomíase), assim como a mortalidade por via da enfermidade.

População continua a ser sensibilizada para procurar as unidades sanitárias quando sentir os sintomas da doença do sono
Fotografia: Manuel Fontoura|Ndalatando

A província do Kwanza-Norte registou, nos últimos cinco meses, um baixo índice de casos da doença do sono (tripanossomíase” e também desceu a mortalidade, graças às campanhas realizadas pelos técnicos do Instituto de Combate e Controlo à Tripanossomíase.
O empenho do Ministério da Saúde e do Governo Provincial é fundamental para reduzir o índice da doença.
O chefe de Departamento do Instituto de Combate e Controlo à Tripanossomíase, Francisco Manuel Zoof, informou que, de Janeiro a Maio deste ano, foram registados 30 novos casos da doença, de um universo de 33.842 indivíduos analisados, facto que, segundo o técnico, continua a preocupar as autoridades sanitárias da província, mesmo sem registar mortes.
Deste número, segundo Francisco Manuel, 23 doentes foram submetidos a tratamento e os outros sete encontram-se internados a receberem tratamento nos centros do Cazengo, Cambambe e Cassualala. “Nos anos passados tivemos um número elevado de doentes, o que é incomparável com os números actuais. Em 2009, houve 102 doentes e em 2008 registamos 229 pessoas foram infectadas”, sublinhou.
O médico Francisco Manuel Zoof frisou que, apesar do número de casos registados neste período ser baixo, ainda assim é preocupante, pelo facto de estarmos ainda a meio do ano. No Kwanza-Norte a doença do sono ainda continua a preocupar as autoridades sanitárias, uma vez que a província é na sua totalidade endémica. Explica que o município de Cazengo continua a ser o mais infectado.Os trabalhos de prospecção estão a ser feitos apenas no Cazengo, Cambambe, Ambaca e na comuna de Samba Lucala no município de Samba Cajú. Francisco Manuel precisou que estão a ser realizadas actividades de luta anti-vectorial. A mosca Tsé-Tsé (Glocina Palpales é o principal elemento para a transmissão da doença do sono.
Os doentes podem viver com a doença do sono mais de cinco anos sem se aperceberem, porque os sintomas são ligeiros e as pessoas infectadas pensam que têm malária, acabando muito delas por falecer, devido ao avançado estado da doença e a chegada tardia ao hospital.
“O indivíduo infectado é uma fonte para a propagação da doença do sono. Um doente numa determinada comunidade pode constituir perigo para os outros membros, uma vez que é a fonte principal da doença”, disse.
O médico Francisco Manuel Zoof revelou que o departamento de controlo e combate à doença do sono no Kwanza-Norte colocou desde Janeiro a Maio 250 armadilhas e capturou mais de cinco mil moscas, um número que pode atingir cifras mais elevadas até ao final do ano.
O médico considera mais crítica a situação nos municípios que não possuem centros de diagnóstico e tratamento da doença.
Actualmente, a província dispõe de dois centros em Cambambe, um na sede e outro na aldeia de Cassualala, um em Cazengo, Lucala, Golungo Alto, Kikulungo e Ambaca.O chefe de departamento do Instituto de Combate e Controlo à Tripanossomíase do Kwanza-Norte reiterou o sonho de voltar a ver as instalações do centro do município de Samba Cajú recuperadas, considerado como estratégico e dos maiores do país no tempo colonial e que foi destruído durante a guerra.O médico Francisco António Manuel Zoof disse que o Ministério da Saúde disponibilizou para as campanhas de prospecção activa 4,500 milhões de Kwanzas, para as quatro equipas móveis existentes. Para além deste material o Ministério da Saúde apoiou igualmente com material descartável, meios de transporte, microscópios, camas, mesas e cadeiras articuladas e outros materiais de custos elevados.
 “Os valores são disponibilizados de forma faseada e como as primeiras campanhas já foram realizadas, aguardamos a qualquer momento outros valores para continuarmos Instituto de Combate e Controlo à Tripanossomíase precisa de um valor mínimo de um milhão de Kwanzas, para o suporte das despesas de todos os centros de diagnóstico e tratamento da doença do sono na província, para além de 1,1 milhões de kwanzas para cada equipa móvel destacada nas várias comunidades da região.
“O nosso objectivo é vermos de uma vez para sempre erradicada esta doença na província e no país. Para que isso seja possível é necessário o empenho do governo, dos técnicos de saúde e de toda a população”.Durante o ano passado, dos 49.351 indivíduos prospectados, foram detectados 102 doentes e foram captiradas 1.590 moscas em 305 armadilhas montadas em toda a província.
 
Estratégias de combate
 
As estratégias montadas pelo Instituto de Controlo e Combate à Tripanossomíase têm a ver com a prospecção e exame rápido de rotina, por parte daqueles que recorrem às consultas externas nos municípios onde existem centros de diagnóstico e tratamento, para sabereme são ou não doentes.
Só depois podem marcar as suas consultas.“Penso que isso está a fazer com que maior número de doentes sejam prospectados nas campanhas passivas, que são realizadas nos centros”, disse. Uma outra medida tem a ver com a retomada, a partir dos próximos dias, da campanha de prospecção activa, e a luta anti-vectorial e da criação de novas estratégias montadas nos municípios, através dos responsáveis de sectores e centros de saúde.Disse ainda que é importante que a luta anti-vectorial seja feita em simultâneo com as prospecções activas, para que os trabalhos de combate à doença do sono tenham um impacto positivo.
Francisco Manuel Zoff afirmou que as armadilhas para capturar a mosca do sono estão a ser sabotadas em várias zonas, o que cria imensas dificuldades às equipas.
“Para nós é melhor que as armadilhas se mantenham onde foram colocadas, porque foram postas ali com uma estratégia e conhecimentos científicos, é naqueles locais onde devem permanecer”.
O baixo nível da captura da mosca Tsé-Tsé, nos últimos tempos, resulta da falta de colaboração dos cidadãos. Salientou que em termos de fármacos o Instituto de Combate e Controlo à Tripanossomíase não tem queixas pelo que o Difluor MetilOrnidyl “DFMO”, introduzido, no âmbito de uma estratégia internacional para o tratamento da tripanossomíase africana, doença do sono, tem chegado à província de forma regular.O “DFMO” é reconhecido internacionalmente como medicamento de primeira linha para o tratamento da doença do sono. Substitui o Arsobal, que continha maior percentagem de toxidade e influenciava na taxa de mortalidade.
O tratamento é feito em menos tempo, apenas 14 dias, em quatro doses diárias, de seis em seis horas.Neste período, o doente é submetido a um controlo pós tratamento, para ver se deu os efeitos desejados.Para além desse fármaco, a província dispõe também de outros medicamentos que são específicos para o tratamento da doença de sono e outros de suporte, que servem para combater as patologias associadas à doença.

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