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Doenças tropicais registam aumento de casos

Mais de 2.620 casos de doenças tropicais, sem registo de óbitos, foram notificados no primeiro semestre deste ano, no Cuanza Norte, pelas autoridades sanitárias da província.

Unidades hospitalares do Cuanza Norte continuam a ser preparadas para respostas mais eficazes aos vários casos de doenças tropicais
Fotografia: M.Machangongo

A informação foi prestada à Angop pelo coordenador provincial do programa das doenças tropicais no Cuanza Norte, Miguel dos Santos, referindo que o número de casos tem vindo a aumentar nos últimos tempos.
Entre os casos notificados, 297 são de schistossomíase (infecção caracterizada pela ocorrência de sangue na urina), 62 de filaríase linfática (infecção provocada pelo parasita da filária e que se caracteriza pelo aparecimento de nódulos e inflamação dos membros inferiores) e 20 de oncocercose (doença parasitária crónica, exclusiva de humanos e caracterizada pelo aparecimento de nódulos na pele sobre as superfícies ósseas e em várias regiões do corpo).
Os municípios de Cazengo, Cambambe e Lucala são os mais afectados por estas doenças a nível da região. As autoridades sanitárias desenvolvem, no âmbito do programa de combate às doenças tropicais, acções de prevenção.
A schistossomíase é uma doença provocada pelo uso de água contaminada de rios e lagoas. Os principais sintomas são comichão e urina com sangue, insuficiência renal, inflamação abdominal, dificuldades de gestação para as mulheres e que resultam em morte nos casos mais graves.
Esta doença é uma das causas de infertilidade de origem infecciosa no Mundo, razão pela qual consta da lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) entre as endemias a serem erradicadas.
No caso específico da schistossomíase, a direcção local do Ministério da Saúde possui fármacos suficientes e técnicos para combater a doença, dependendo apenas das administrações municipais, no âmbito do programa descentralizado dos serviços, a prática de acções de profilaxia e tratamento.

Vacina animal

Mais de 2.000 animais de estimação, entre cães, gatos e macacos, estão a ser vacinados contra a raiva no município de Ambaca, na província do Cuanza Norte, no âmbito de uma campanha que decorre desde a passada quarta-feira, informou o responsável local do Instituto dos Serviços de Veterinária, Pedro Goma.
Em declarações à Angop, Pedro Goma esclareceu que estão disponíveis mil doses de vacina. Nesta campanha serão entregues certificados de vacinação aos donos dos animais, para facilitar o controlo e permitir que sejam responsabilizadas as pessoas que não aderem à iniciativa, em caso de mordedura.
Pedro Goma lamentou, sem especificar o número de animais vacinados desde o início da campanha, a fraca afluência dos donos aos postos de vacinação, mas mostrou-se confiante que os próximos dias sejam marcados por uma maior presença.  A presente campanha termina a 30 de Agosto, prosseguindo a vacinação de rotina nos postos habituais.

Sem casos de raiva

Os serviços de veterinária têm recebido informações de ataques de animais, mas não há registo de casos de raiva há mais de três anos. Em 2013, cinco pessoas morreram por causas relacionadas com mordeduras de animais, confirmou o responsável do Instituto dos Serviços de Veterinária.
“As mortes que registámos em 2013 ainda servem como factor mobilizador das populações. Hoje há uma grande mudança de mentalidade, pois quando se fala em vacinação a população acorre em massa. Isto tem facilitado o nosso trabalho”, disse o responsável.
Pedro Goma disse que, por causa do número reduzido de técnicos, a campanha conta apenas com um único posto fixo de vacinação, nas instalações dos serviços de veterinária, aberto todos os dias, das 8 às 16 horas. “Esperamos que as pessoas continuem a levar os animais para serem imunizados”, apelou.

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