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Empreendimento cria milhares de empregos

Manuel Fontoura | Ndalatando

A construção da barragem de Laúca, no município de Cambambe, vai criar cerca de três mil postos de trabalho, de forma directa e indirecta, refere um estudo de impacto ambiental do projecto.

A construção da barragem vai permitir o aumento da capacidade de energia eléctrica e também estimular o desenvolvimento na região
Fotografia: Jornal de Angola

O estudo de impacto ambiental avança que a implantação das vias de acesso, limpeza dos terrenos e demais estruturas de apoio à obra gera impermeabilização do solo, devido à compactação e ao recobrimento do mesmo com outro tipo de material, com o intuito de elaborar um piso regular e de boa resistência, tornando-o inviável para o desenvolvimento da vegetação e absorção de água.
Neste momento, a procura de uma vaga de emprego movimenta a localidade de Laúca, com aumento da circulação de veículos e pessoas que procuram também equipamentos sociais.O documento espelha que a qualidade de vida das populações nas aldeias deve sofrer alterações em consequência desta pressão.
 O aumento da circulação de veículos e pessoas também pode promover um impacto social relativamente delicado, pois, as aldeias são formadas por organizações familiares sob regência de uma autoridade tradicional, com regras e costumes peculiares, vinculados à estruturas comunitárias formadas por grupos reduzidos.

Problema da vegetação

No tocante à vegetação, as construções na área de implantação do estaleiro do projecto representam a perda de alguma flora nativa e a eliminação de habitats utilizados pela fauna, que se vai deslocar para áreas adjacentes. O estudo refere que a retirada da vegetação nativa também representa redução da área e perda dos habitats específicos para as espécies de fauna terrestre da região. A presença de um maior número de habitantes na área do empreendimento, a destruição das matas, a poluição sonora e a movimentação de máquinas são factores que afectam a fauna local, provocando a deslocação para áreas próximas.
A deslocação da fauna terrestre e a invasão do habitat por trabalhadores pode ocasionar acidentes com animais venenosos no local das obras.A formação da albufeira, em geral, causa impactos sobre a qualidade da água e os mais importantes estão relacionados com a inundação da vegetação na área da albufeira e posterior degradação desta. Esse fenómeno relaciona-se com os vários processos de natureza física, química e biótica.
 A presença excessiva de biomassa vegetal no meio aquático ocasiona a libertação de compostos orgânicos e nutrientes que se decompõem, o que pode acarretar alterações na água do reservatório, como cor, turvação e falta de oxigénio.
Com o enchimento da albufeira ocorre uma mudança do nível de base, provocando alterações e a   redistribuição dos gradientes hidráulicos e elevação do nível de água.Com a formação do reservatório ocorre a alteração da paisagem local, com a transformação do rio, ambiente, a perda de corredeiras e possíveis alterações na cobertura vegetal, sendo formada uma situação no ecossistema, pelo que a paisagem também se transforma.

Aldeia e cemitério inundados

A área de pescadores da aldeia de Quissequina vai ficar totalmente inundada pelo enchimento da albufeira da hidroeléctrica de Laúca, antevê o estudo de impacto ambiental.
O documento salienta que junto à margem do rio Cuanza existem algumas casas de capim, pertencentes a 25 pescadores, que vivem naquela localidade com as suas famílias. Essa população deve ser reassentada.
Os peritos sobre questões ambientais avançam que na localidade existem duas fazendas a escassos metros do rio Cuanza.
As fazendas, que são igualmente apanhadas pelo enchimento da albufeira, são produtivas e empregam jovens da região.
O cemitério de Quissequina, onde estão sepultados 11 sobas da localidade, também vai ser afectado pela inundação da albufeira da barragem de Laúca, revela o estudo de impacto ambiental.
Os ambientalistas que realizaram o estudo aconselham que se providencie o reassentamento, com medidas pré-estabelecidas, para se evitar a quebra de certas tradições e costumes, uma vez que se trata de um sítio respeitado pela população, com rituais e simbologias ainda fortes entre as comunidades.
“É importante ressaltar que o soba da aldeia de Quissequina não se mostrou favorável à inundação”, dizem os estudiosos.
 Estes adiantam que a comunidade sugere que sejam contactados os mais-velhos das duas aldeias e de outras vizinhas no sentido de se encontrar uma solução.
O documento avança ainda que, como não há um estudo etnológico nem a identificação de possíveis áreas de interesse arqueológico, o processo das obras é susceptível de revelar nas zonas envolventes sítios e artefactos importantes para a construção da História de Angola.

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