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Ensino médio chega a mais quatro municípios

André Brandão | Ndalatando

Os municípios de Ambaca, Bolongongo, Banga e Lucala, província do Kwanza-Norte, vão ter este ano lectivo, pela primeira vez, o segundo ciclo do ensino secundário no quadro dos avanços que o sector da Educação regista na região, afirmou em Ndalatando, o vice-governador para o sector politico e social, José Alberto Kipungo.

Vice-governador do Kwanza-Norte quando discursava na abertura do ano lectivo
Fotografia: André Brandão

Os municípios de Ambaca, Bolongongo, Banga e Lucala, província do Kwanza-Norte, vão ter este ano lectivo, pela primeira vez, o segundo ciclo do ensino secundário no quadro dos avanços que o sector da Educação regista na região, afirmou em Ndalatando, o vice-governador para o sector politico e social, José Alberto Kipungo.
O vice-governador discursava no acto de abertura do presente ano lectivo e considerou que os jovens vão deixar de fazer rotas longas e abandonar os seus municípios para frequentarem este nível de ensino na cidade de Ndalatando ou províncias vizinhas.
José Alberto Kipungo disse que o governo da província construiu no ano lectivo de 2010 mais de 50 salas que vão absorver 4.500 alunos que estudavam em más condições.
No ano passado foram matriculados 106 mil alunos em diversas classes e destes, 81.644 tiveram aproveitamento positivo. Este ano lectivo, o governo local vai redobrar esforços para inserir mais crianças no sistema de ensino.
O governo do Kwanza-Norte pretende dar continuidade ao programa da merenda escolar e a sua expansão progressiva a outros municípios, para minimizar a carência alimentar de muitas crianças, de formas a diminuir o abandono escolar e garantir melhores resultados e aproveitamento.   
“A escola é uma instituição na qual coincidem os interesses do Estado e da sociedade, e é nas aulas que tem a sua primeira experiência social depois do convívio familiar”, disse José Alberto Kipungo.
O vice-governador acrescentou que a escola tem a responsabilidade de organizar o trabalho, contribuindo para o cumprimento das exigências e das orientações superiormente traçadas, entre as quais a realização de um diagnóstico que espelhe a real situação da escola, o plano de estudo, horário escolar e cargas horárias.
O cumprimento das normas de trabalho pedagógico, frequência, pontualidade dos alunos, professores e gestores, conservação da propriedade social, infra-estruturas, observância das normas de convivências e as correctas relações entre estudantes, docentes e a sociedade, contribuem para a garantia e sustentabilidade dos princípios da moral e do civismo.
José Alberto Kipungo sublinhou que o professor tem um papel preponderante na comunidade e é um agente activo do desenvolvimento socioeconómico, por essa razão, “é necessário valorizar a profissão do docente para que não seja conotado com actos que desprestigiem a classe”.

Valorização dos professores

O país precisa de professores competentes que aspirem cada vez mais à elevação do nível profissional com honestidade e responsabilidade, única forma de granjearem o respeito, carinho e consideração da sociedade, disse o vice-governador. O vice-governador apelou aos pais e encarregados de educação, à participação activa no processo de ensino e aprendizagem dos seus educandos, com vista à obtenção da formação académico profissional e o resgate dos valores morais e cívicos dos angolanos.
Sustentou que o surgimento do Ensino Superior na província está a produzir resultados palpáveis, pois “a educação é um sector de extrema importância, na formação do homem novo, mais conhecedor, estudioso, competente e merece uma atenção especial para que os actores do sector sejam elementos fundamentais de vanguarda”.
O professor é o elemento fundamental do processo “e deve saber cumprir os três princípios básicos: saber fazer, saber ser e saber estar. Deve ainda pautar o seu comportamento pelo respeito para que seja respeitado e valorizado”, disse José Alberto Kipungo.

Reforma curricular

O vice-governador recordou que o Executivo, através do Ministério da Educação, reformulou o sistema de ensino cuja aplicação começou no ano lectivo 2004, com a sua avaliação geral prevista para 2012.
Portanto, disse, foram tomadas medidas e acções, resumidas na reforma curricular e institucional, preparação dos recursos humanos, equipamentos e materiais escolares, a recuperação, reabilitação, construção de infra-estruturas, e apetrecho das escolas, pressupostos que a cada momento se vão conseguindo na província do Kwanza-Norte.
O director provincial da Educação, Velinho João de Barros, acrescentou que neste ano lectivo o sector de Educação vai absorver 111 mil alunos e tem nas escolas quatro mil professores. No ano lectivo passado foram matriculados 102.180 estudantes, em toda a província.
Este ano, abriram 50 novas salas e 1.083 estão igualmente disponíveis, apetrechadas com 23.130 carteiras.
Velinho de Barros disse que o número de salas é ainda insuficiente, e para inverter a situação, defende que a província necessita de pelo menos 35 mil carteiras.
Sublinhou que a província durante o ano lectivo passado, tinha disponíveis para o ensino primário e secundário, 503 escolas que funcionaram com 3.730 professores. O programa da merenda escolar já beneficiou 13 mil alunos, tendo como intenção aumentar o número para 15 mil de forma faseada.
O Presidente da Associação Provincial dos Professores Angolanos, no Kwanza-Norte, Simões José dos Santos, referiu que “um bom professor deve ter capacidade de ensinar bem e dar segurança cognitiva aos estudantes e ter pontualidade”. Simões José dos Santos referiu que existem problemas no seio da classe, relacionados com professores que não auferirem os seus reais salários.
Referiu ainda que os esforços da Direcção Provincial da Educação ainda não são suficientes para ajudar os professores a saírem desta situação.

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