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Entrega de novas casas deixa moradores satisfeitos

Manuel Fontoura | Ndalatando

As promessas das autoridades de darem habitação digna aos moradores do bairro Katome, em Ndalatando, cidade capital da província do Kwanza-Norte, estão a ser integralmente cumpridas.

As novas casas no bairro Katome são resultado do programa de realojamento dos ex-moradores dos bairros Azul e Boavista
Fotografia: Nilo Mateus

 
As promessas das autoridades de darem habitação digna aos moradores do bairro Katome, em Ndalatando, cidade capital da província do Kwanza-Norte, estão a ser integralmente cumpridas. As inquietações e o cepticismo deram agora lugar a um clima de grande satisfação entre os habitantes. Agora só falta a energia eléctrica para o sentimento de euforia ser total, disse o comerciante Francisco Filipe Sebastião à  reportagem do Jornal de Angola.  
“A única coisa que agora nos preocupa é o facto do bairro não ter energia eléctrica nem um mercado, porque a questão habitação foi já ultrapassada”, disse Francisco Sebastião pouco depois de ter recebido as chaves da sua nova casa, no bairro Katome, construída no âmbito do programa de realojamento dos ex-moradores dos bairros Azul e Boavista que viviam em zonas de risco por baixo da nova linha de alta tensão entre Malange, Ndalatando e Luanda.
Francisco Filipe Sebastião conta que a família viveu antes numa casa arrendada no bairro Sonef, depois de ter sido transferida da Boavista. Os quatro anos de espera até à conclusão das casas desencadearam inquietações e cepticismo entre as pessoas, que eram acalmadas pela Administração Municipal de Cazengo. As autoridades locais sempre informaram que o Executivo estava atento à situação e ia cumprir as suas promessas.
As famílias que receberam casas já estão alojadas e podem agora dar um novo rumo às suas vidas. O Jornal de Angola visitou o novo bairro de Katome que tem 90 casas. Todas as famílias manifestaram a sua satisfação por terem uma habitação digna.

Obras por concluir

Domingas João Ambrósio e Gildo Manuel Ambrósio estão satisfeitos com a entrega das novas casas, mas estão preocupados porque as ruas do bairro ainda não foram asfaltadas, as casas não estão pintadas e não há luz eléctrica e água canalizada. Nas ruas já há pelo chão papéis, sacos, papelões, latas e garrafas porque os novos moradores têm pouco cuidado. O lixo doméstico é recolhido por uma viatura da empresa de saneamento e por isso as pessoas não podem espalhar o lixo pelo chão.
A casa de Gildo Ambrósio, agente da Polícia Nacional, está situada mesmo no centro do bairro. Para ele, a falta de energia eléctrica cria sérios embaraços e não compreende como é que alguns projectos são dados por concluídos sem estes bens essenciais à vida das pessoas. Os geradores privados são as alternativas encontradas pelas famílias que têm um nível financeiro razoável.
Gildo Ambrósio diz que as ruas do novo bairro não têm ainda postos de transporte e distribuição de luz. “De noite isto fica muito escuro, até dá medo”, disse o agente da Polícia Nacional, para quem “a falta de iluminação pública obriga as pessoas a recolherem a casa muito cedo”. Gildo também não compreende que, com cursos de água tão próximos, o abastecimento de água seja feito com camiões cisternas da Administração Municipal do Cazengo, que em cada dois dias despeja a água em dois tanques de cinco mil litros construídos no bairro. “Em pleno século XXI ter água a jorrar nas torneiras de casa devia ser a regra e não a excepção”, disse desapontado.

Equipamentos sociais

Maninho, Núria e Carlinhos são três jovens que vendem pastilhas, bolachas, leite, fósforos, massa de tomate e outros produtos necessários para o dia-a-dia das famílias. As vendas são feitas à porta de casa porque no bairro não há lojas nem cantinas. As compras mais substanciais são feitas em mercados distantes.
Os moradores que têm necessidade de se deslocar todos os dias para o centro da cidade podem fazê-lo sem qualquer preocupação porque o bairro está perto. Uns preferem caminhar a pé, enquanto outros se ­deslocam em moto táxis, conhecidos como “kupapatas”.
Os estudantes que frequentam o ensino médio ou superior têm as aulas asseguradas, existindo escolas junto ao bairro. Os alunos do I, II e III níveis não precisam de percorrer longas distâncias porque também têm escolas nas redondezas do bairro.
O Hospital Municipal do Cazengo, adjacente ao bairro e recentemente inaugurado, dá resposta aos cuidados de saúde. A Polícia Nacional dispõe nos arredores de uma unidade para assegurar a ordem e tranquilidade na área.
Os novos moradores de Katome, num total de 90 famílias, começaram a receber as suas novas casas no passado dia 16 de Junho. ­A ­entrega simbólica da primeira casa foi feita pelo governador provincial do Kwanza-Norte, Henrique André Júnior.
O projecto de construção das casas aconteceu numa altura em que o Governo Provincial decidiu melhorar o abastecimento de energia eléctrica à cidade de Ndalatando. Na altura foram desenvolvidos estudos para a construção de uma nova linha de alta tensão.
Com base nas normas técnicas previstas para a construção da linha, foram desalojadas as famílias que se encontravam ao longo do percurso. O registo dos moradores feito pela Administração Municipal de Cazengo e pela Direcção das Obras Públicas permitiu alojar em casas arrendadas as 90 famílias, enquanto se construíam as casas definitivas agora entregues.
As novas casas são do tipo T2, com dois quartos, sala, cozinha e quarto de banho. O projecto não contempla asfaltagem, arruamentos e colocação de lancis.
No bairro foram feitos dois furos artesianos para abastecer as populações com água potável, enquanto a rede de fornecimento de energia eléctrica pode ser inaugurada nos próximos tempos. 

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