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Especialista pede rentabilização

Manuel Fontoura | Ndalatando

O médico Higino Cabica Dala defendeu ontem, em Ndatalando, a necessidade de as unidades hospitalares da província do Cuanza-Norte rentabilizarem alguns serviços que prestam aos utentes.

Especialista defende a continuação da gratuidade nas urgência mas é da opinião que outros serviços devem ser cobrados
Fotografia: Edições Novembro

O médico de clínica geral, que falava numa palestra sobre “A absorção e o papel dos estudantes de saúde nos diferentes hospitais e centros da província do Cuanza-Norte”, disse que as receitas ajudariam a melhorar os estabelecimentos hospitalares quanto à  sua manutenção e apetrechamento.
Embora defenda a continuação da gratuidade nas urgências, é de opinião que serviços como os de ecografia, imagiologia, raio X, fisioterapia, entre outros, podem ser cobrados a um preço módico, de acordo com a condição financeira dos utentes.
Na palestra, que serviu para a divulgação e sensibilização dos alunos de saúde sobre as novas políticas do sector, afirmou ainda que o Estado deve traçar novas políticas de aproveitamento e valorização de enfermeiros estagiários.
Entre as políticas, Higino Dala espera que os técnicos médios de enfermagem em estágio sejam subsidiados com um valor mensal, de modo a motivá-los ao trabalho, uma vez que a maioria dos centros de reabilitação física, postos e centros de saúde e hospitais da província é assegurada por estudantes estagiários.
Salientou que este estímulo contribuiria na melhoria da auto-estima dos técnicos estagiários, tendo em conta que os estudantes precisam deste subsídio para satisfazerem algumas das suas necessidades básicas. “Estariam permanentemente nos postos de trabalho e prestariam, deste modo, um atendimento mais eficaz aos pacientes”, acrescentou.
Defendeu que os subsídios podem ser definidos pelas administrações municipais, beneficiando, deste modo, os estudantes voluntários das 10ª, 11ª e 12ª classes, assim como os estágios obrigatórios destinados aos finalistas da 12ª e 13ª classes.
O médico apelou aos responsáveis do sector para que absorvam melhor os recém-formados, quer os do ensino superior, quer os técnicos médios de saúde, facilitando o seu enquadramento, para se fazer face a carência de quadros nos hospitais da província, que se debatem com a falta de técnicos de enfermagem, de farmácia e de laboratório.

Stock hospitalar


Na mesma actividade, o médico Miguel António Zangui dissertou o tema “Gestão de stock hospitalar”, tendo defendido que este sistema é fundamental para a manutenção correcta de dados.
O médico transmitiu aos estudantes conceitos de gestão de medicamentos, logística e controlo, assim como  os movimentos e os fluxos de medicamentos, formas de conservação dos fármacos e como a evitar as rupturas de stock. Referiu que cada nível do sistema de saúde deve ser capaz de informar o stock disponível, utilizar dados sobre o nível de consumo, saber quando se deve fazer um pedido de fornecimento, para se evitar a ruptura de stock. Miguel Zangui avançou que o sistema de saúde está constituído por três subsistemas, sendo o público ou Serviço Nacional de Saúde, gerido pelo Ministério da Saúde e por outros organismos governamentais, e o privado não lucrativo, que é administrado por organizações não-governamentais, incluindo instituições religiosas.
O palestrante explicou que há um terceiro subsistema, que é o privado lucrativo, que tem registado um crescimento considerável, desde a aprovação da Lei de Bases da Saúde, em 1992. Disse ainda que o Serviço Nacional de Saúde é constituído por unidades sanitárias organizadas em três níveis, como o de cuidados primários à saúde (primário), da rede hospitalar polivalente (secundário), e o da rede hospitalar diferenciada (terciário). O médico avançou que o abastecimento de medicamentos para à rede sanitária está estruturado em diferentes níveis, dentre os quais o que abastece os depósitos provinciais e estes, por sua vez, servem as unidades sanitárias da periferia.
Além deste nível, há os depósitos municipais, que abastecem os centros.

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