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Estudantes produzem produtos do campo

Marcelo Manuel | Ndalatando

No culminar do segundo ano, após a abertura, os estudantes do Instituto Médio Agrário do Kwanza-Norte encontram-se engajados na fase de aplicação de conhecimentos técnicos e de produção de mantimentos, num perímetro de 80 hectares, dos quais 10 já trabalhados, com maior realce para o milho, feijão, mandioca, batata-doce e hortícolas diversas.

Frontaria do Instituto Médio Agrário do Kwanza-Norte onde estudam mais de 500 alunos
Fotografia: Pedro Manuel

No culminar do segundo ano, após a abertura, os estudantes do Instituto Médio Agrário do Kwanza-Norte encontram-se engajados na fase de aplicação de conhecimentos técnicos e de produção de mantimentos, num perímetro de 80 hectares, dos quais 10 já trabalhados, com maior realce para o milho, feijão, mandioca, batata-doce e hortícolas diversas.
A produção está a ser feita pelos próprios estudantes, com acompanhamento dos professores, com o objectivo único de interligar os conhecimentos teóricos e práticos, absorvidos com muita dedicação pelos alunos, de acordo com constatações feitas no terreno.
Neste período, os alunos estão fundamentalmente a aprender a preparar os solos, incluindo a lavoura, armação da terra em camaleão, técnica vulgarmente conhecida como (matacas ou mubangas), onde posteriormente são semeadas ou plantadas as culturas.
Para o crescimento desejado das plantações, são aprimorados conhecimentos das disciplinas de sacha, fertilização e pulverização (combate às pragas), durante quatro meses, até a altura da colheita.
A nova fase de instrução está a ser encarada com bastante entusiasmo por parte dos estudantes, que até o culminar da formação média têm a terra como uma das componentes fundamentais da formação.
Isabel José Francisco, estudante do segundo ano, mostra-se satisfeita com os métodos de transmissão de conhecimentos por parte dos professores do instituto, o que lhe permitiu adquirir bases agrónomas em relação à selecção de sementes, preparação de solos, sua avaliação, bem como auto-superação em matemática, antes tida como disciplina das “sete cabeças”.
É natural de Luanda e largou a família e amigos devido à formação. Conta que nunca sonhou ser agrónoma, mas as poucas oportunidades de formação obrigaram-na a fazer o referido curso.
“Em Lunada os estudos são caros, aqui há mais possibilidades de frequentar uma escola a baixo custo”, disse.
Isabel Francisco, que pretende continuar o curso e tornar-se engenheira agrónoma, apelou os jovens a aproveitarem as oportunidades de formação que a vida oferece para a garantia de um futuro melhor.
Raimundo Kalunga é da província do Bengo, está igualmente há dois anos no instituto. Antes estudava num colégio privado em Luanda, mas depois do falecimento da mãe ficou sem condições para continuar a pagar as propinas por mais tempo. Foi então que tomou conhecimento, através da rádio, da abertura de um Instituto Médio Agrário no Kwanza-Norte e não pensou duas vezes.
Sempre sonhou jogar futebol no clube desportivo 1º de Agosto e na selecção nacional de honras, situação que se inverteu após a morte da mãe. Foi, então, quando lhe apareceu a oportunidade de formação no “IMA” Kwanza-Norte, para frequentar o curso médio de agronomia.
Para ele, a escola é o seu novo lar, isto devido à boa convivência e colaboração existente entre colegas e professores. Também já tem prática em preparação de terra e outras. O professor das disciplinas de rega e drenagem, Guilherme Dias Manuel, presente na escola há cinco meses, frisou que as condições de trabalho encontradas são boas, facto que tem permitido o empenho dos alunos e professores, dinamizando o sistema prático e académico da instituição.
Embora os trabalhos estejam a correr sem sobressaltos, o professor sublinhou que alguns alunos mostram debilidades, principalmente no que toca aos estudos práticos.
“O fraco interesse pelos estudos foi notório mais no princípio do ano, mas pouco a pouco a formação os torna homens trabalhadores da terra sem que eles mesmo se apercebam”, disse o professor.

Novos projectos

O director Luís Manuel Barradas diz que, em 2010, a escola vai leccionar o curso de produção animal, nas cadeiras de veterinária e zootecnia, o que vai permitir o aumento, para 250, do número de estudantes. As condições técnicas e de habitabilidade já estão criadas. Em Janeiro prevê-se a inauguração do programa da segunda fase, que abarca a construção de 10 residências para professores, um anfiteatro com 250 lugares, subestação eléctrica que vai fornecer energia à escola a partir da linha de alta tensão que liga o município de Cazengo ao de Lucala. Actualmente, a energia eléctrica está assegurada por um grupo gerador de 350 KVA.
Está também em curso o projecto de canalização de água, projectada a partir do rio Kamuaxi, onde estão instaladas moto-bombas. Estas vão captar a água e transportá-la para um tanque com capacidade de 350 mil litros.
O Instituto Médio Agrário do Kwanza-Norte foi inaugurado a 22 de Abril de 2008, pelo ministro da Educação, António Burity da Silva, e possui condições dignas para o seu funcionamento.

Localização e atributos

O Instituto Médio Agrário do Kwanza-Norte está situado a 11 quilómetros a Norte de Ndalatando e tem capacidade para albergar 535 alunos. As aulas são ministradas por 75 professores, dos quais 14 de nacionalidades cubana e três brasileiros. Tem 17 salas de aulas e cinco laboratórios, dos quais quatro para física e química básica, um de informática, três blocos residenciais com capacidade para 54 quartos e acomodação dos mais de 200 alunos internos. Os mesmos têm direito a três refeições diárias, que são confeccionadas num refeitório com 230 lugares.
Na parte traseira estão as dezasseis casas para os professores e responsáveis da direcção da escola, para além das dez em construção que ficam concluídas este mês, o que vai permitir a inclusão de mais 20 professores. Em tempos de seca as culturas são irrigadas a partir de uma represa localizada a metros do local e de dez poços de água.
Como unidade orçamentada, o instituo recebe mensalmente do Estado seis milhões de kwanzas, para a compra de materiais didácticos, técnicos e alimentos. Tem cerca de dez tractores e uma oficina para aprendizagem do referido curso. Os alunos externos são transportados em autocarros públicos, que cobram 100 kwanzas por viagem.

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