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Falta de meios condiciona o ensino

Marcelo Manuel | Ndalatando

A falta de programas e material didáctico, com destaque para dicionários e gramáticas, é apontada pelos responsáveis do sector da Educação do Cuanza Norte como um dos principais entraves ao sucesso do ensino e a­prendizagem do quimbundo nas escolas do primeiro ciclo.

No ano passado milhares de crianças aprenderam a falar quimbundo em várias escolas de bairros e aldeias da província do Cunaza Norte
Fotografia: Nilo Mateus

A coordenadora provincial do programa de inovação do ensino das línguas nacionais no Cuanza Norte, Tâmara de Oliveira Gonçalves, disse que  o ensino das línguas nas escolas primárias tem merecido elogios da comunidade.
A coordenadora afirmou que, além da carência de material didáctico, a falta de meios de transporte para a supervisão do programa nos municípios é outra questão que contribui negativamente para um ensino a­dequado do quimbundo.
Tâmara Gonçalves revelou que outra preocupação reside no facto dos pais dos municípios de Bolongongo, Quiculungo e alguns da Banga recusarem que seus filhos aprendam o quimbundo, alegando que devem aprender o dihungo, dialecto falado na região.
O dihungo  está fora dos projectos de ensino das línguas do Ministério da Educação.

Quimbundo nas escolas

A coordenadora provincial disse que o Cuanza Norte é uma província seleccionada pelo Ministério da Educação para a experiência de ensino das línguas nacionais, há nove anos, com a participação inicial de três escolas e 45 professores.
Estes professores beneficiaram de acções de formação programadas pelo Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento do Ensino, o que permitiu a inserção de 675 alunos da primeira à terceira classe, dos quais 283 do sexo feminino.
Actualmente o quimbundo é ensinado em 96 escolas, com 482 salas e 861 turmas e igual número de professores.
Em 2014, a província do Cuanza Norte conseguiu ensinar o quimbundo a 43.576 alunos, dos quais 36.833 obtiveram resultados positivos e 1.235 foram dados como desistentes.

Valorização das línguas

O sociólogo Lumbiavanga A­lexandre defendeu a necessidade de valorizar  mais o uso das línguas africanas de Angola, pelo facto de serem os principais traços da identidade  de cada grupo étnico linguístico.
O também professor universitário referiu que, nos dias de hoje, o uso das línguas nacionais é pouco frequente. “São apenas usadas em locais muito restritos para uma comunicação específica, por parte de um grupo determinado, em particular entre a população adulta”, disse.
O professor Lumbiavanga Alexandrerecorda que, em 1979, o Governo angolano criou o Instituto de Línguas Nacionais que, numa primeira fase, esteve ligado ao Ministério da Educação, tendo passado depois para a Cultura, mas somente a partir do ano 2000 foi feito um maior investimento na valorização das línguas nacionais, situação que actualmente se reflecte na documentação e escrita de sete línguas nacionais.

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