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Famílias exortadas a reforçar o diálogo

Kátia Ramos | Ndalatando

As famílias foram exortadas ontem em Ndalatando a manterem o diálogo permanente com os filhos, pelo  médico gineco-obstetra Ernesto Palilla, para se evitarem os elevados casos de gravidez e casamentos precoces.

Pais devem manter o diálogo com os filhos sobre a importância da educação sexual
Fotografia: André Brandão | Ndalatando

Ernesto Palilla falava na palestra “Gravidez e Casamento Precoces”, organizada pela Rede pelos Direitos à Saúde, em que participaram membros da direcção provincial do sector, enfermeiros e sociedade civil.
O médico destacou o papel importante que as famílias desempenham e disse ser fundamental incutir nas adolescentes o hábito de procurar pelos serviços de planeamento para o devido aconselhamento e orientações dos técnicos de saúde, para  de forma preventiva se evitar  uma gestação não planificada.
 Com o avanço da ciência, em termos medicinais, as adolescentes já podem fazer planeamento sem correr riscos, ainda que sem filhos e lembrou que os rapazes também podem recorrer ao planeamento familiar.
Ernesto Palilla acrescentou que os pais não devem evitar o diálogo com os filhos sobre a importância da educação sexual e os riscos sociais dos casamentos e gravidezes antes do tempo.
A  gravidez na adolescência tem várias consequências negativas, tendo em conta que a adolescente gestante está ainda com o corpo em evolução, não estando, por isso, preparada para suportar uma gravidez, continuou Ernesto Palilla. “Quando grávida, os cuidados com as adolescentes devem ser redobrados com nutrientes e proteínas que a protegem da desnutrição”, sublinhou o médico, precisando ser importante  um acompanhamento médico rigoroso de formas a se evitar um parto imaturo ou uma cesariana.
A saúde reprodutiva justifica-se quando a mulher tem condições e idade de gerar vida sem correr riscos e que tenha um organismo preparado para suportar uma gestação, caso contrário assiste-se a um elevado  índice de morte materna, continuou Ernesto Palilla.
 O especialista considerou o baixo rendimento e abandono escolares, a mortalidade materna, a falta de auto-estima, os problemas de saúde, abortos clandestinos, desentendimento e a frustração familiar como  causas que propiciam um casamento ou gravidez precoces.

Casamento precoce é ilegal

A representante da ONG Médicos del Mundo, Margarita Samartin, referiu que a prática do casamento tradicional com menores de 14 anos é crime público, de acordo com a Lei da Violência Doméstica.

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