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Fauna e flora têm protecção

Marcelo Manuel| Ndalatando

Governo desenvolve no Kwanza-Norte acções com vista à recuperação e expansão dos jardins e parques florestais.

O parque florestal do Kwanza-Norte oferece algumas das variedades de madeiras mais preciosas do mundo
Fotografia: Marcelo Manuel

O Governo desenvolve no Kwanza-Norte acções com vista à recuperação e expansão dos jardins e parques florestais. Está na ordem do dia a preservação das espécies mas também a exploração sustentável da fauna e da flora, particularmente ricas na província.

Com o crescimento da população a vegetação nos grandes centros urbanos ganha, cada vez mais, um papel fundamental na protecção contra os ventos, absorção dos raios solares e reciclagem do oxigénio. Para além da função paisagística, a arborização oferece sombra aos transeuntes e um ambiente psicologicamente saudável. 
O Governo Provincial do Kwanza-Norte tem estado, nos últimos anos, a levar a cabo acções que visam o repovoamento florestal das cidades e vilas, de formas a garantir áreas de lazer aos habitantes, com maior incidência para a juventude.
Na cidade de Ndalatando estão a ser substituídas as árvores velhas e requalificados os jardins públicos. Estas acções visam mudar o aspecto paisagístico para voltar a conferir à capital da província o estatuto de “Cidade Jardim de Angola”.
O projecto está a ser desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), que ensaia a introdução de plantas ornamentais e arbustos de rápido crescimento numa área de aproximadamente um hectare no polígono do bairro Camundai.
Dados apurados pela reportagem do Jornal de Angola dão conta que nos últimos anos o Governo Provincial do Kwanza-Norte requalificou os largos 1º de Maio e do Ambiente, que agora foram beneficiados com canteiros relvados, postos de iluminação pública no estilo rústico e bancos com estruturas metálicas e assentos de madeira. 
Os dois largos têm passeios empedrados com dois metros e meio de largura, que têm servido para a prática de ginástica matinal. Mais recentemente foram criados jardins no pátio da sede do Governo e junto ao Mercado da Kitandeira.  
Estão em reabilitação os jardins da Rua da República e do Largo Agostinho Neto, orçados em mais de 33 milhões de kwanzas. Nas artérias da cidade estão a ser plantadas plantas ornamentais e muitas árvores de sombra.
 
Preservação das florestas
 
O director provincial do Kwanza-Norte da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente, Fernando Humberto Mesquita, disse em Ndalatando que preservar as florestas é dever de toda a população, dada a sua importância na manutenção do equilíbrio ecológico.
Fernando Mesquita lamentou a devastação indiscriminada das áreas florestais, cujo desaparecimento pode provocar a extinção de diversas espécies animais e vegetais, muitas das quais ainda desconhecidas, e acentuar a degradação e a erosão dos solos.
Fernando Mesquita recordou a importância das florestas para a vida humana, assim como as áreas verdes nas cidades, e alertou para as possíveis consequências do seu desaparecimento. “Os recursos naturais mais explorados no país são as florestas e hoje já sentimos as consequências da exploração indiscriminada deste recurso”, frisou.
Para o responsável da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente, é necessário pensar na exploração equilibrada dos recursos naturais, sem causar danos maiores ao ambiente e à vida humana. “Sendo um recurso renovável, a floresta contribui para o equilíbrio ecológico da terra, e é um meio fundamental para a sobrevivência do homem”, frisou. O Kwanza-Norte é um autêntico santuário de espécies florestais raras e de grande valor económico. Também por isso, muitas florestas foram devastadas.
O programa de relançamento do sector florestal na província do Kwanza-Norte, elaborado à luz de um memorando entre o Ministério da Agricultura e o Governo Provincial, vai custar aos cofres do Estado mais de três milhões de dólares.
O projecto tem cinco vertentes e vai ser executado no período de dois anos. A maior referência vai para o fomento e repovoamento florestal e a criação de associações de carvoeiros e serrações artesanais da província.
De acordo com um documento da Direcção Provincial da Agricultura a que o Jornal de Angola teve acesso, o projecto integra acções que visam a exploração florestal, reposição do material vegetal e prevenção dos actos violadores de espécies. A construção de infra-estruturas para o alargamento das acções dos distintos municípios que compõem a província consta também das prioridades do programa.
 
Acções concretas 
                   
Face às acções de vandalismo que redundam em queimadas e abate indiscriminado de árvores, protagonizadas por madeireiros e carvoeiros furtivos, o Instituto de Desenvolvimento Florestal pretende instalar viveiros comunitários, que vão custar mais de 833 dólares, para a plantação de florestas junto às comunidades, para criação de cortinas verdes nos bairros e vilas.
A população vai ser envolvida no projecto, com a criação de postos de trabalho. A meta é obter uma produção bianual de 544 mil plantas. São beneficiados, primeiramente, os municípios de Cazengo, Ambaca e Cambambe, onde vão ser implantados polígonos florestais com 35 mil plantas, das quais 800 fruteiras, em áreas de aproximadamente oito hectares.
As actividades técnicas vão consistir no alinhamento das árvores, abertura de covas, poda, capinas manuais, adubação, tratamento fitossanitário e transporte, tudo orçado em 168.750 dólares.
O pacote de acções inclui a mobilização de pessoal técnico especializado e o envolvimento da comunidade beneficiária.
A província do Kwanza-Norte conta, actualmente, com cinco polígonos florestais, situados em Golova e Kiangombe (Lucala), Kirima e Camundai (Cazengo) e na localidade da Massola, em Cambambe. 
As áreas florestadas formam belas cortinas verdes em que predominam os eucaliptos. Mas, infelizmente, a acção do homem vem atentando contra as florestas novas, ao promover queimadas, principalmente na época do cacimbo. Perante tal quadro, o Instituto de Desenvolvimento Florestal tem já definidas acções específicas para a manutenção e alargamento dos polígonos florestais, através de intervenções técnicas que vão custar anualmente 87.625 dólares.
 
Madeira e caça 

A província do Kwanza-Norte atravessa uma fase de fraca produção e tratamento de madeira em toro. Existem apenas três serrações, situadas nos municípios de Cambambe, Kikulungo e Ambaca, sendo esta última móvel. As restantes foram destruídas ao longo da guerra, com poucas probabilidades de recuperação.
Cerca de 98 por cento da madeira em toro obtida pelos concessionários é transportada para Luanda, onde é transformada e comercializada. Face a esta realidade, agravada com a descapitalização dos proprietários das serrações degradadas, o Governo tem como estratégia fomentar a criação de associações de serradores e carvoeiros artesanais, para responder à necessidade de madeira serrada e de carvão vegetal no mercado local.
Prevê-se a aquisição de serras manuais, moto-serras e fornos modernos para o fabrico de carvão, a serem entregues às associações. 
O Governo do Kwanza-Norte prevê, igualmente, criar reservas naturais, com o fito de preservar as espécies animais, que actualmente são abatidas indiscriminadamente por caçadores furtivos. Para começar, vai ser criada a reserva de São Pedro da Quilemba, situada 38 quilómetros a Norte da cidade do Dondo (Cambambe).
Embora não existam levantamentos actualizados, são evidentes os sinais dramáticos das depredações das espécies animais. A caça, em grande parte das comunidades, deixou de ser de subsistência para ser comercial.
Infelizmente, até ao momento, não se registam movimentações do sector privado para exploração de coutadas. Pelo que, o Instituto de Desenvolvimento Florestal, através do departamento de Fauna, vai assumir a sua tutela.
A fauna e a flora do Kwanza-Norte são recursos fundamentais para a subsistência das populações. Mas em conjunto com o riquíssimo património natural, podem diferenciar a região na indústria do Turismo. As belezas naturais da província, os seus rios e lagoas, as montanhas luxuriantes, os vales extensos podem fazer do Kwanza-Norte um dos mais importantes e exclusivos turísticos de África. A madeira do Kwanza-Norte é igualmente um recurso apreciável. As florestas da província são ricas em madeiras preciosas e santuários de “moreiras”, mwanzas, panga-panga, pau rosa, pau santo e pau preto.

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