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Fazenda experimental é destino turístico

Guimarães Silva

O Quilombo, a apenas cinco quilómetros de distância de Ndalatando, a capital do Kwanza-Norte, é uma estação experimental agrícola do IIA ( Instituto de Investigação Agronómica de Angola) vocacionada para o estudo de plantas agrícolas, florestais, medicamentosas e ornamentais.

Fotografia: Jornal de Angola

O Quilombo, a apenas cinco quilómetros de distância de Ndalatando, a capital do Kwanza-Norte, é uma estação experimental agrícola do IIA ( Instituto de Investigação Agronómica de Angola) vocacionada para o estudo de plantas agrícolas, florestais, medicamentosas e ornamentais. Ocupa o espaço de mil hectares, dos quais 50 agricultáveis e de destinos turísticos.
O seu relevo e clima são propícios para a agricultura, com destaque para a produção do café. O lugar, pelo volume e quantidade de árvores gigantescas cria micro climas especiais. O Quilombo é um terreno onde a biodiversidade impera. Rico em plantas, tem variedade de pássaros, macacos, animais de pequeno porte, veados e antílopes.
O Quilombo é, por si só, um lugar que activa a admiração pelo alarde do sítio e a ânsia de quem, pela primeira vez, põe pés a caminho para deslumbrar a biodiversidade do local que combina animais, vegetais, água, ruídos, anseios e paz.
O visitante interroga-se sobre as valências do que mais parece ser um quadro pintado para soltar a imaginação de quem a visita. No local temos sempre a sensação de que é a primeira vez que os humanos chegam a um sítio tão insólito, com árvores seculares, raízes aéreas de grandes dimensões. A interacção com a paisagem está assente, o que nos lança numa fala constante com a natureza.
O Quilombo, conhecido como jardim horto botânico da fazenda experimental, é um micro clima criado em 1907 no sopé de vários montes, segundo o engenheiro João Domingos Lambaiala, director da instituição. No Quilombo, as árvores são frondosas, os bambus imponentes, que se vergam sob os próprios pés, mas o segredo mais bem guardado são as rosas de porcelana, algumas de tonalidade violeta e que constituem um segredo não desvendado.
O rio Muengueji é a veia do Quilombo. Esta linha de água mingua no Cacimbo, mas encontra forças para continuar com o seu percurso, alimentar a produção de seiva, num esforço para mostrar a turistas e curiosos que tem vida e não é intermitente. As pontes chinesa e holandesa, construídas sobre o mesmo, mostram o seu esplendor.

Reabilitação à porta

O Quilombo actual é caracterizado por elevado índice de degradação das suas principais infra estruturas de investigação, segundo o engenheiro João Domingos Lambaiala, que dirige a estação experimental. As residências para alojamento dos técnicos, edifícios administrativos, o canal de irrigação, laboratórios e armazéns, estão em mau estado de conservação.
“ O dique não está em condições, o açude que acumula e faz a distribuição das águas idem, tanques piscícolas estão em más condições, “ lamenta João Lambaiala que, no entanto, adianta que há directrizes para a sua reabilitação dentro das próximas semanas.
À espera da reabilitação, a direcção da fazenda experimental apostou na manutenção das vias de acesso, conservação, multiplicação de espécies vegetais e diversificação. Este trabalho é de todo positivo, segundo João Domingos Lambaiala e dá azo a que cidadãos nacionais, estrangeiros e investigadores, façam dele o local ideal para estudo, pesquisa e excursão.
“ Já tivemos aqui investigadores da universidade de Dresden, Alemanha, que é parceira da congénere angolana Kimpa Vita, com sugestões valiosas quanto à possível cooperação connosco, para estudo da biodiversidade”, sublinha o engenheiro agrónomo, que enumera ainda turistas sul africanos e investigadores da Universidade de Coimbra (Portugal), que viram no Quilombo um local ideal para pesquisa.
O esforço de reabilitação vai conferir um estatuto que vai ultrapassar outros locais de referência em termos de micro climas para investigação, como a Chianga, no Huambo, Humpata, na Huíla, Cela, no Kwanza-Sul, São Vicente, em Cabinda, Alto Kapapa e Cavaco, em Benguela e Malange.
Uma vez reabilitado, segundo João Lambaiala, “ o Quilombo vai melhorar o figurino e o seu objecto social, com maior biodiversidade e potencial turístico. “Nesta fase vamos ter necessidade de meios humanos e técnicos. Hoje temos dois engenheiros, 16 trabalhadores e alguns colaboradores que são eventuais na sua dinâmica de trabalho.”
Elias Culipanga, topógrafo urbanista, em visita recente ao Quilombo, teceu considerações ao Jornal de Angola, onde realçou que, “ o clima desta região é típico e húmido. O sistema de plantação (arborização) oferece comodidade para qualquer excursionista”, disse.
No tocante ao aproveitamento de recursos, o topógrafo ambientalista salientou que “devemos fazer um esforço no sentido de requalificar rapidamente este lugar, por causa da elevada degradação. O sistema de rega não funciona como deve ser. Temos de ter aqui jangos para recreação, iluminação pública por ser uma zona fechada, com uma cota abaixo do nível, por estar entre montanhas.
Armando Vaz, especialista em monitoria e avaliação de desenvolvimento, outro excursionista ao Quilombo, refere que ficou fascinado, porque, “ nunca tinha visto um lugar assim. As árvores têm uma idade que por si só impõem respeito. O micro clima favorece a calma e a reflexão. Aqui tudo combina, a harmonia faz deste lugar algo único.”

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