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Filhos desprezados por pais desavindos

André Brandão| Ndalatando

Um grupo de cinco crianças, com 15, 13, dez, oito e quatro anos, foi abandonado pelos pais, no bairro 28 de Agosto, no município de Cazengo, Cuanza Norte, depois de estes se terem separado e arranjado novos parceiros conjugais.

Vista parcial da capital da província do Cuanza Norte onde decorrem várias acções para diminuir os casos de violência doméstica
Fotografia: Nilo Mateus

O pai das crianças, Correia Pascoal, 33 anos, conta que a separação com a sua ex-mulher se deveu ao facto da antiga parceira consumir bebidas alcoólicas de forma excessiva, o que ele não suportava.
Segurança de uma empresa privada, salientou que meses depois se apercebeu de que a antiga mulher tinha arranjado um novo marido, tendo, com isso, levado todos os bens da casa onde vivia com as crianças. Correia Pascoal diz que aquilo que ganha é insuficiente para cuidar dos filhos, numa altura em que vive com outra família.
“A minha nova senhora não facilita que eu apoie os meus filhos”, lamenta. Explica que o mesmo cenário acontece com a antiga mulher, cujo marido não quer viver na mesma casa com os filhos da anterior relação dela.
Como solução para o problema, Correia garante que os filhos vão viver com uma irmã, actualmente solteira, numa casa que era a antiga oficina de carpintaria da falecida mãe. A par disso, o pai dos garotos referiu que vai envidar todos os esforços para que possa ajudar os filhos com uma mesada, que minimize o sofrimento dos pequenos. “Vou fazer tudo para os apoiar”, assegurou. Até à semana passada, os meninos eram alimentados por vizinhos, uma vez que os pais deixaram de contactar com eles, confirmou Wilson Pascoal, o filho mais velho, que garantiu que o pai tem agora três mulheres.
Wilson disse que o irmão mais novo, de quatro anos, enfrenta problemas de anemia e necessita de cuidados médicos urgentes. O chefe de secção de serviços gerais do Instituto Nacional de Apoio à Criança (INAC), José Tango, explicou que as crianças foram encaminhadas para ali por um agente da Polícia Nacional, depois das próprias se terem apresentado na Direcção Provincial do Cuanza Norte de Investigação Criminal para comunicarem o sucedido.
José Tango disse que elas precisam de uma intervenção médica urgente, porque, aparentemente, estão todos em condições de saúde preocupantes. 
“Muitos casos idênticos chegam até aqui, mas, felizmente, há sempre solução. Este problema é chocante, pelo facto de as crianças apresentarem graves lesões e indícios de anemia”, disse o responsável do INAC.
Os vizinhos, preocupados com o desenrolar da situação, pediram às autoridades para adoptarem medidas punitivas contra os pais das crianças, para desincentivar este tipo de atitudes.

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