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Golungo Alto aberto ao empresariado

ADALBERTO CEITA | Golungo Alto

O escasso investimento que se regista a nível do empresariado no Golungo Alto, na província do Kwanza-Norte, preocupa a população e em particular a administração local.

A implementação do Programa Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza tem ajudado a melhorar a vida das populações e a imagem do município do Golungo Alto na província do Kwanza Norte
Fotografia: Dombele Bernardo

O escasso investimento que se regista a nível do empresariado no Golungo Alto, na província do Kwanza-Norte, preocupa a população e em particular a administração local.
Esta, a seu jeito, tudo faz para dinamizar o desenvolvimento da região.  A implementação dos programas de Intervenção Municipal e o Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza são dois exemplos que, paulatinamente, ajudam a apagar o que resta dos vestígios da guerra naquela municipalidade.
Apesar de reconhecer que o investimento primário deve partir das autoridades governamentais do país o administrador municipal do Golungo Alto não esconde o desagrado com o escasso investimento do sector privado.
Cirilo Mateus assegura que o risco de ficar retido na estrada em consequência das condições de circulação já não serve de desculpa.
 À reportagem do Jornal de Angola lançou um apelo aos empresários, e particularmente aos filhos e descendentes da terra com capacidade financeira, para darem um novo rumo à actividade socioeconómica do município.
“Aos que desejarem realizar projectos empresariais estamos aqui para ajudar. Hoje, as condições das estradas melhoraram, as telecomunicações e os bancos funcionam, e a previsão é que até final do ano, a energia eléctrica da rede normal se torne uma certeza”, disse.
Enquanto decorrem os trabalhos de reabilitação da linha de média tensão proveniente de Ndalatando, que inclui a substituição dos postos e alargamento dos cabos, a energia no Golungo Alto é garantida por dois grupos geradores de 100 KVA cada. Entre a população do Golungo Alto, estimada em 34 mil habitantes, ninguém ignora que existem dificuldades, mas nada que se assemelha ao período que antecedeu a conquista da paz.
Cirilo Mateus considera que os 214 milhões de kwanzas, orçamento cabimentado no Programa de Intervenção Municipal (PIM) “são insuficientes diante do conjunto de tarefas que temos para executar”, mas reafirma que o trabalho em prol da melhoria das condições de vida da população vai continuar.
Além do PIM, a metodologia de trabalho que vigora na administração do Golungo Alto está enquadrada no Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza que, com o contributo dos membros do Conselho de Auscultação Social, tem ajudado a diminuir as principais dificuldades.

Obras nas estradas perto do fim

Foram perto de duas horas de viagem de carro entre Luanda e o município do Golungo Alto, na província do Kwanza-Norte.
Ao longo do trajecto é difícil ficar indiferente ao trabalho de reabilitação da estrada nacional 230, que liga as cidades de Luanda e Ndalatando, e do desvio que parte de Maria Teresa e facilita a viagem até ao Golungo Alto e à comuna da Cêrca. Sem impedir a marcha dos automobilistas, operários com a­poio das máquinas realizam trabalhos de terraplanagem, colocam o asfalto e introduzem detalhes técnicos para a melhoria da circulação rodoviária.
Pavimentadas e devidamente sinalizadas, as obras avançam para o fim.
O camionista Noé António, que há vários anos faz do trajecto Golungo Alto-Ndalatando, numa extensão de 57 quilómetros, o seu ganha-pão, diz que anteriormente as pessoas eram obrigadas a viajar durante quase a metade do dia.
Conta que hoje, o mesmo percurso pode ser feito em menos de uma hora.
Na memória conserva inúmeras recordações das dificuldades por que passou para transpô-lo.
Os troços de terra batida e os buracos descomunais que resultavam em avarias e que obrigavam os viajantes a dormir na estrada, são agora motivo de anedotas entre colegas.
“Há vários anos que exerço a minha actividade nesta via e só tenho de fazer elogios pela forma como foi reabilitada, porque as viagens eram feitas com muitos sacrifícios”, disse sorridente.

Centro profissional e ensino

O centro de formação profissional móvel representa uma grande esperança para a juventude daquela região. Introduzido na localidade em 2009, e tutelado pelo Instituto Nacional de Ensino e Formação Profissional, lecciona trimestralmente cursos de carpintaria, serralharia e electricidade. Na forja está a integração de outros cursos.
“Com o centro profissional, os jovens podem ocupar os tempos livres, melhorar a sua conduta e obter formação digna e aceitável para a sua socialização”, considera Cirilo Mateus.
A educação proporciona desenvolvimento e a transformação de escolas de carácter provisório para definitivo constitui uma batalha que a administração está empenhada em vencer.
Os últimos passos indicam que foi reabilitada e apetrechada a escola do ensino primário número 86, ampliada a escola número 19, e reabilitadas duas escolas do primeiro ciclo nas comunas da Cêrca e de Kilwanje.
Victor Bernardo, aluno da escola 19, há mais de um ano que beneficia dos investimentos realizados na rede escolar. O jovem, que recusou dar pormenores das condições difíceis por que passou para se manter no ensino, lembra que chegou a estudar debaixo de árvore e sentado numa pedra. Nas contas de Cirilo Mateus, o sector da educação denota uma evolução e argumenta que no final deste ano lectivo o município é brindado com os primeiros técnicos médios.
Estima-se que aproximadamente 200 professores têm a responsabilidade de acompanhar mais de seis mil e 700 alunos inscritos no sistema de educação. A estes juntam-se 1.600 pessoas que beneficiam do programa de alfabetização. Para acomodar essa franja estudantil existem mais de 40 estabelecimentos de ensino.

Redução da malária

O índice de mortalidade por malária no Golungo Alto apresenta uma redução significativa, assegura Cirilo Mateus, que admitiu a ocorrência de dois a zero óbitos por mês. A situação actual contrasta com as anteriores estatísticas, que colocavam a doença como principal causa de morte entre a população.
O empenho no combate à enfermidade está concentrado no programa de luta anti-larval e tem também o reforço de quatro médicos, 48 enfermeiros e do aumento da capacidade de internamento nas unidades hospitalares.
A melhoria no sistema de saúde pode ser também aferida pelas novas estruturas. Laulete Simão, com quem cruzamos à porta de um dos centros de saúde, está optimista com o investimento que se verifica no sector. Ela concorda que a reabilitação dos centros de saúde reduziu as dificuldades no atendimento. Só que gostaria de ver estendida a rede sanitária até às localidades mais longínquas, para se evitarem as deslocações de pacientes das comunas ao centro do município. Até aqui foram construídos de raiz cerca de dez postos e centros de saúde. Reabilitado e ampliado, o hospital municipal aguarda pelo apetrechamento. O mesmo acontece com a maternidade central.

Esperança em dias melhores

O ambiente de paz no país foi bastante elogiado pelo camponês Sabino Capela. Ao Jornal de Angola não escondeu a sua satisfação pelo regresso aos campos de cultivo e o ressurgimento dos poços de água no âmbito do programa comunitário “Água para todos”, com a construção de chafarizes com furos. Para o êxito da empreitada, o “apoio da população foi valioso”.
Há três anos, a agricultura manual foi substituída pela mecanizada, para rentabilizar as vantagens da riqueza dos solos e rios com fluxo constante. A julgar pelas palavras dos camponeses, o número de áreas de cultivo ainda é reduzido e não garante o sustento alimentar de todos, mas a fome tem diminuído. Por si só, a situação tem vindo a reavivar a esperança em dias melhores. O exemplo está no ano agrícola passado, em que nas contas gerais as colheitas de milho, mandioca, feijão e jinguba foram boas.
“Estamos a preparar 150 hectares de terra. Ainda não é aquilo que todos desejamos, porque podemos fazer melhor. Precisamos de ter esperança e juntar os esforços de todos os filhos da terra, com ideias e actos, mas de maneira organizada, com os do Governo”, disse Cirilo Mateus.
As acções no campo da agricultura se estendem à construção de infra-estruturas agrícolas com o arranque do projecto de construção da aldeia rural de Canaúl, que comporta 256 habitações. Iniciado em 2009, e paralisado por dificuldades decorrentes da crise económica, o projecto foi reactivado e a construção da casa modelo é uma certeza.

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