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Governo cria programa para limpar rio Camungo

Marcelo Manuel | Ndalatando

As autoridades governamentais do Cuanza Norte realizam acções destinadas a melhorar a situação da higiene e conservação das espécies do rio Camungo, anunciou a coordenadora técnica da “SHS”, empresa consultora do Governo local.

A maior dificuldade para o sucesso do projecto de desassoreamento do rio Camungo tem a ver com a falta de colaboração da população
Fotografia: Nilo Mateus

Giovana Ribeiro salientou que um grupo de 20 agentes comunitários, pertencente à área de consultoria do Governo Provincial do Cuanza Norte para a promoção de saúde nas comunidades, está já a trabalhar em parceria com moradores do bairro Camungo,
O  trabalho de conservação, iniciado quinta-feira última, visa a limpeza dos cerca de 15 quilómetros de extensão do rio Camungo, afluente do rio Muembeje.
A coordenadora técnica da “SHS” frisou que a maior dificuldade para o sucesso do projecto de desassoreamento tem a ver com a falta de colaboração da população circundante.
Giovana Ribeiro deu a conhecer que a instituição a que pertence, em conjunto com a Administração Municipal de Cazengo e a Recolix, vão, nos próximos dias, trabalhar na sinalização das zonas para onde a população local pode deitar o lixo e ser recolhido em tempo oportuno e sem sobressaltos.
Giovana Ribeiro disse  que a zona do bairro Camungo é uma das que carecem de maior atenção em termos de saneamento básico, dai que a sua equipa vai continuar a trabalhar no sentido de sensibilizar aqueles moradores para a adesão às campanhas de limpeza, arrumação de lixo em locais recomendados, de formas a garantir melhor qualidade de vida para todos.
A conservação da natureza e a utilização racional dos recursos naturais, englobando o aproveitamento sustentado dos ecossistemas naturais, deve ser obrigação e dever de todos. É desta forma que o professor de Biologia do ensino geral Adão de Jesus Kassule reagiu às atrocidades feitas nos últimos anos ao curso normal do rio Camungo, que divide o bairro com o mesmo nome, na zona Leste de Ndalatando.
Os riachos são parte importante para a sustentação da vida de animais pequenos e de médio porte. Por isso, alerta que a poluição das suas águas podem pôr em risco ou fazer desaparecer várias espécies aquáticas, referindo que nas margens dos rios e riachos aparecem as matas ciliares que, além de abrigarem várias espécies vivas, protegem, as correntes de água.
Disse que quando o homem elimina essa vegetação, sucede a erosão, o assoreamento, as enchentes e o desaparecimento de riachos e rios nos períodos de estiagem.
Depoimentos recolhidos pelo Jornal de Angola no Camungo dão conta que a situação de vandalização e mau tratamento ao rio começou há cerca de 20 anos, como conta Eva Salvador, residente na zona.
A munícipe avançou que a proveniência de pessoas de várias origens ao bairro, com poucos conhecimentos ecológicos, associada à falta de entendimentos de convivência social entre vizinhos, torna a situação ainda pior.
“O problema é que há vezes em que uns ainda tentam organizar limpezas para a melhoria do saneamento básico a nível das margens do rio, mas em contrapartida vizinhos há que, em plena luz do dia, defecam e deitam os seus resíduos sólidos, mesmo acompanhando o sacrifício de uns”, disse.
O Jovem Nelson Domingos, 23 anos, da província de Luanda, que ajuda nos trabalhos de desassoreamento, lamentou o facto do riacho servir de casa de banho para muitos.
Referiu que a situação se agrava ainda mais pelo facto do volume de águas subterrâneas ali existentes não permitirem a escavação de fossas e de latrinas.
Sublinhou que a situação fica pior em tempos de chuva, pelo facto do rio acumular quantidades de águas intransponíveis, em função da quantidade de lixo existente no seu curso normal, o que origina o desabamento de residências e surgimento de vários casos de diarreia e malária.

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