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Governo Provincial estimula a produção de citrinos

MARCELO MANUEL | Ndatalando

O Governo Provincial de Cuanza Norte pretende criar programas estruturantes para estimular a produção de citrinos a nível das comunidades locais, à semelhança do que se faz com o café, anunciou ontem, em Ndatalando, o director local da Agricultura.

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Fotografia: CONTREIRAS PIPAS|EDIÇÕES NOVEMBRO

Fernando Mesquita disse que é preciso que se aposte forte em acções que estimulem a criação de grandes quantidades de citrinos, ao salientar que a província ainda tem uma fraca produção da espécie.
O engenheiro agrónomo revelou que, a nível do mercado nacional, um pé de citrino miúdo de índole híbrida, capaz de produzir entre 30 e 40 quilos durante a fase adulta, pode custar em média mil kwanzas.
Sublinhou que o cultivo mecanizado por hectare custa, em média, 70 mil kwanzas, num espaço em que podem ser plantadas duas mil árvores, a par de outros custos associados à compra de tubagem, para irrigação no sistema gota-a-gota, de fertilizantes e da contratação do pessoal técnico.
Além de destes pressupostos, o director provincial da Agricultura salientou que os custos podem estar orçados em cerca de cinco milhões de kwanzas.
O engenheiro considerou que, neste momento, a falta de incentivos financeiros, para a produção de citrinos em grande escala, está a condicionar o surgimento da agro-indústria, para a produção de sumos e compotas, géneros alimentares cujo valor comercial e nutricional pode influenciar o peso da balança económica da região e melhorar a dieta alimentar da população.

Produção do limão e laranja

O director da Agricultura no Cuanza Norte disse que a província, em especial os municípios de Cambambe e de Golungo Alto, possui condições climáticas e solos aráveis para a produção massiva da laranja, lima, limão e tangerina, mas, apesar disso, o cultivo de citrinos ainda é feito de forma não padronizada. Fernando Mesquita referiu que, em média, a província produz anualmente entre 60 e 70 toneladas, consideradas insuficientes para a abertura de uma indústria de sumos, compotas e outros derivados, na sua maioria comercializados em Luanda, nas estradas nacionais 230-A e B e nas cidades de Ndalatando e Dondo.
 O responsável destacou a existência de uma fazenda, no município de Cambambe, no sector de Cassualala, como a maior produtora a nível da província, que usa técnicas correctas de cultivo, numa área com cerca de 900 hectares.
No referido espaço, disse, estão plantadas milhares de laranjeiras  e cada árvore produz até 30 ou 40 quilos de laranja, para além de banana e hortaliças que também são ali cultivadas. O director provincial da Agricultura lamentou o facto de a maior parte dos citrinos consumidos a nível da província estarem sem a qualidade nutricional desejada, uma vez que são produzidos por árvores com mais de 20 anos de existência. Além deste aspecto, denunciou a ausência do rigor técnico durante a fase de crescimento do produto, com destaque para a rega regular, poda e eliminação de pesticidas de vários géneros.
Fernando Mesquita disse que a falta de incentivos bancários tem sido o maior problema para a cultura de citrinos, associada ao imediatismo dos camponeses que optam por cultivar feijão, milho, ginguba e batata-doce.
Explicou que estes produtos têm uma periodicidade de amadurecimento de cerca de 90 dias, ao contrário dos citrinos, que demoram no mínimo três anos para apresentarem os primeiros frutos.
Realçou que, apesar dos poucos investimentos a nível do sector, as fazendas de citrino existentes contribuem de forma positiva para as comunidades, principalmente no que diz respeito à criação de pequenos empregos durante as fases de colheita, transporte, venda e revenda de laranjas, limão e tangerinas. “Temos conhecimento da existência de postos de trabalho periódicos, criados por alguns produtores, que, em média, rondam os dez a 30 empregos, por fazenda”, rematou.

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