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Gravidez precoce aumenta na província

Marcelo Manuel | Ndalatando

A supervisora provincial da Atenção Integral da Infância do centro materno-infantil de Ndalatando, Branca Francisco, afirmou, ontem, existir um aumento de casos de gravidez precoce na adolescência.

Familiares são chamados a incrementar o diálogo com os jovens no sentido de evitar que tenham filhos antes do tempo recomendado
Fotografia: Marcelo Manuel

A supervisora provincial da Atenção Integral da Infância do centro materno-infantil de Ndalatando, Branca Francisco, afirmou, ontem, existir um aumento de casos de gravidez precoce na adolescência.
No primeiro semestre deste ano, foram diagnosticados 886 casos no centro materno-infantil local, entre os quais 50 em raparigas com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos.
De acordo com Branca Francisco, a situação é alarmante pelo facto das parturientes não estarem preparadas para conceber filhos, originando, desta feita, riscos de saúde e morte das progenitora e dos próprios bebés, durante e após o parto.
Para reduzir o fenómeno, a direcção da instituição de saúde reprodutiva está a reforçar os conteúdos informativos das palestras diárias, sobre os riscos e cuidados a ter durante a gravidez precoce, sexualidade e planeamento familiar.
O sociólogo e docente universitário Lando Zola aponta como causa deste fenómeno a liberdade sexual de certos adolescentes, associada ao fácil acesso aos meios de comunicação, tecnologia, e interacção social, que tem permitido modificações radicais na vida em sociedade.
Para ele, a actual geração de adolescentes, em função de várias condições, amadurece o corpo mais precocemente em relação às gerações passadas, daí o surgimento do binómio “corpo maduro, mente confusa e imatura”, o que faz com que esta franja social inicie muito cedo o ciclo de relações sexuais, resultando na gravidez precoce.
A psicóloga Catarina de Sousa defende que o maior problema ocorre quando a adolescente engravida antes dos 16 anos, fase que considera de alto risco, uma vez que não apresenta maturidade ginecológica necessária para a reprodução. “O útero e os ossos ainda não se encontram desenvolvidos. Este facto determina, muitas vezes, o surgimento de partos prematuros e as convulsões durante a gestação”. Por isso, apelou ao apoio da família, através de conselhos sobre as formas de se evitarem abortos premeditados ou, em casos extremos, o suicídio. Segundo as autoridades sanitárias locais, casos de gravidez precoce são igualmente muito frequentes a nível dos demais municípios da província do Kwanza-Norte.
 

Benefícios das consultas de pré e neo-natal

 

Gestantes e progenitoras de Ndalatando estão conscientes em relação aos benefícios dos cuidados durante a gravidez e ao longo do crescimento do bebé, prestados pelo centro materno-infantil de Ndalatando, com vista à garantia de uma vida saudável para as crianças.
De acordo com Branca Francisco, em relação ao passado, hoje, cerca de 100 mulheres, entre grávidas e mães com filhos recém-nascidos, procuram de forma organizada os serviços que são prestados na instituição para tratamento e informação que permitam uma gravidez e parto saudável. />Engrácia da Conceição Domingos, mãe de uma criança, considerou que os cuidados médicos durante a gravidez são importantes pelo facto de garantirem o estado de saúde da mãe e da criança, através da recomendação do tipo de alimentação a seguir, controlo do peso e prática de exercícios físicos que permitem o aumento da dilatação. Ela é da opinião que as palestras e conselhos prestados nos centros materno-infantis garantem estabilidade psicológica e emocional à parturiente, causa tida por ela como importante em função dos factores que têm a ver com a sensibilidade, agitação, dúvidas e medos que surgem no seio da mulher durante este período. “É fundamental que uma grávida seja orientada e ajudada pelos técnicos de saúde reprodutiva, principalmente quando é a primeira vez, para que esta adquira equilíbrio emocional e tranquilidade, factores que garantem boa sensação”, sublinhou.
Esclareceu que, após o nascimento de um filho, são necessários vários cuidados no que toca ao controlo da higiene e saúde da criança, e avançou que os partos devem ser realizados nas maternidades e não em casa.
Ana Maria, mãe do pequeno Lisando, de cinco meses, aconselhou as mulheres a aguardarem pelo momento e pessoa certa para ter filhos, situação que evita o nascimento de filhos indesejados com pais foragidos.
Adiantou que o serviço pré-natal e a assistência dados à mulher durante gravidez, permitem aos médicos diagnosticar e tratar doenças, através da realização de um diagnóstico precoce de qualquer alteração, tanto da mãe como do feto. Em relação à amamentação, mostrou-se preocupada com a atitude de mães trabalhadoras, que deixam os filhos sob cuidados de outras pessoas. “As mães deixam os filhos com outras pessoas que também os amamentam, sem se ter em conta o estado imunológico destas, factor que põe em risco a saúde da criança”, disse.


Existem casos de mães seropositivas
 

O centro registou, durante o primeiro semestre deste ano, 4.707 consultas, menos 633 em relação ao mesmo período anterior, das quais 33 foram de mães grávidas seropositivas que recebem tratamento anti-retroviral no centro de tratamento e testagem voluntária do hospital provincial.
Actualmente existe maior sensibilidade por parte das mães seropositivas em relação à aceitação da doença, situação que era anteriormente encarada com cepticismo por parte das pacientes.
No dizer de Branca Domingos, a redução das pacientes deve-se à construção de um hospital e um centro de saúde no município, com capacidades de 70 e 35 camas, respectivamente, situadas nos bairros Sassa e Catome de Baixo, a Norte e Sul de Ndalatando, cujas estruturas também albergam serviços de saúde reprodutiva.

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