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Hospital de Mavinga está a precisar com urgência de medicamentos essenciais e materiais gastáveis

Nicolau Vasco | Mavinga

O Hospital Municipal de Mavinga, na província do Kuando-Kubango, pode fechar as portas a qualquer momento, por falta de medicamentos, material gastável e de alimentação para os pacientes.

O piquete montado para algumas consultas externas limita-se a passar receitas
Fotografia: Nicolau Vasco

O Hospital Municipal de Mavinga, na província do Kuando-Kubango, pode fechar as portas a qualquer momento, por falta de medicamentos, material gastável e de alimentação para os pacientes.
O responsável da referida unidade sanitária, Domingos Livingue, disse quarta-feira, ao Jornal de Angola, que, desde Abril, o hospital  municipal deixou de receber qualquer tipo de abastecimento das estruturas competentes.
“Desde Abril não recebemos qualquer tipo de abastecimento, quer através do fundo dos cuidados primários do Ministério da Saúde, quer dos serviços municipais de Saúde”, afirmou.
Como resultado, acrescentou, as reservas de medicamentos esgotaram-se e, nessa conformidade, podemos paralisar os trabalhos.
Domingos Livingue revelou que actualmente a população da região está a recorrer a plantas medicinais.
O paludismo, as doenças diarreicas e respiratórias agudas, as infecções de transmissão sexual (ITS) e febre tifóide são as patologias mais frequentes, segundo o responsável.
Domingos Livingue disse que o município está sem dinheiro, pois as autoridades competentes ainda não disponibilizaram as verbas previstas no quadro das políticas de municipalização dos serviços de saúde.
O responsável do hospital de Mavinga disse que neste momento há um piquete para algumas consultas externas, limitando-se a passar receitas aos pacientes.


Falta de farmácias


O paciente dirige-se com a receita à única farmácia privada da vila, que vende medicamentos em condições precárias e às vezes de qualidade duvidosa, afirmou.
 Domingos Livingue disse que nem sempre os doentes conseguem comprar os medicamentos devido à escassez e elevado custo dos mesmos, já que a população do município é na sua maioria camponesa e desprovida de reservas financeiras.
Domingos Livingue, aproveitando a presença do governador da província, Eusébio de Brito Teixeira, apelou às autoridades de direito para acudir à situação.Outra inquietação prende-se com a degradação acentuada das infra-estruturas hospitalares, construídas em 2007, que apresentam fissuras e vidros partidos.
O responsável hospitalar disse que durante a época chuvosa há infiltração de água nas salas de internamento. A cozinha, os balneários e a morgue já estão fora de serviço, como resultado do seu estado precário. A referida unidade sanitária foi concebida para 70 camas de internamento, nas áreas de pediatria, maternidade, medicina e ortopedia.
Tem um corpo clínico constituído por 18 técnicos, entre enfermeiros e pessoal administrativo.
O hospital precisa, no mínimo, de três médicos, 30 enfermeiros, água potável, duas ambulâncias e um gerador de 150 KVA.
 


Campanha de vacinação
 


Os serviços de saúde no município de Mavinga, no quadro das terceiras jornadas de vacinação “Viva a Vida com Saúde”, imunizaram 13.764 crianças contra a poliomielite e sarampo. Durante a campanha de vacinação foi ainda administrada vitamina A a 3.511 crianças e 3.152 foram desparasitadas com albendazol.
A campanha teve uma cobertura na ordem dos 70 por cento e contou com a colaboração dos efectivos das Forças Armadas Angolanas, da Polícia Nacional e dos Médicos do Mundo de Portugal, que trabalha em projectos de saúde na região.

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