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Ignorância prejudica tratamento dos doentes que sofrem de cancro

André Brandão| Ndalatando

A ignorância e a falta de interesse por parte de grande parte da população do Kwanza-Norte, em relação à problemática do cancro da mama, do colo uterino e da próstata, está a criar dificuldades ao tratamento, revelou em Ndalatando, o responsável do Núcleo Provincial de Oncologia.

A estudante Teresa João nunca fez teste
Fotografia: André Brandão | Ndalatando

A ignorância e a falta de interesse por parte de grande parte da população do Kwanza-Norte, em relação à problemática do cancro da mama, do colo uterino e da próstata, está a criar dificuldades ao tratamento, revelou em Ndalatando, o responsável do Núcleo Provincial de Oncologia.
Francisco Cahanho disse que o diagnóstico tardio está a levar muitas pacientes a sofrerem a amputação dos seios, devido ao avançado estado da doença, quando chegam às unidades sanitárias.
No primeiro trimestre de 2011, o Núcleo Provincial do Kwanza-Norte de Oncologia realizou 83 consultas de cancro da mama e do útero. Deste número, 49 são suspeitos de desenvolverem o cancro.
Segundo os responsáveis, seis pacientes foram transferidos para o Centro de Oncologia de Luanda para realização de exames laboratoriais, por terem apresentado nódulos de três centímetros na mama, tumores no abdómen e neoplastia do colo do útero.
Francisco Cahango considerou que o aumento de casos de mulheres afectadas com cancro da mama e do colo uterino, na província do Kwanza-Norte, é preocupante.

Causas dos cancros

O responsável do Núcleo Provincial de Oncologia alertou que o uso excessivo de anticoncepcionais, álcool e tabaco deve ser evitado, por estes produtos serem considerados os maiores causadores de cancros da mama, do colo uterino e da próstata. Explicou que o núcleo está apenas capacitado para a realização de diagnósticos e, em casos positivos, os doentes são evacuados para o Centro Nacional de Oncologia de Luanda para os exames e tratamento, já que a província ainda não dispõe de meios.
Francisco Cahango disse que a instituição tem cinco técnicos, três deles especializados, estando empenhada, principalmente, na mobilização dos cidadãos para aderirem aos exames que permitem detectar a doença numa fase precoce. Para uma maior divulgação da doença noutros municípios da ­província do Kwanza-Norte, Francisco Cahango apelou para a necessidade de uma viatura que facilite a deslocação dos técnicos.
Acrescentou que “quando as mulheres interrompem o ciclo normal do período fértil, utilizando pílulas, alteram a funcionalidade do organismo, causando nódulos na mama, útero e, nalguns casos, nos pulmões e estômago”.
Cada mulher pode fazer o seu rastreio do cancro da mama em casa, na hora do banho, fazendo a auto apalpação nos mamilos para detectar os caroços. De acordo com o técnico, o Núcleo de Oncologia não faz os testes da próstata, mas alerta que todas as pessoas que tiverem retenção ou dificuldades de urinar ou estiverem a urinar sangue devem procurar os serviços de saúde, pois, estes podem ser sinais de alerta de cancro da próstata: “só assim nós conseguimos encaminhar as pessoas para o Centro Nacional de Oncologia”.
 
Esforços governamentais

 
O cancro da mama, do colo uterino e da próstata são já casos de saúde pública, daí que o Executivo e os Governos Provinciais estejam a desenvolver esforços para a criação de formas para a divulgação da doença em todos os níveis.
Palestras, acções de mobilização e conselhos à população têm sido realizados, mas ainda há muitas pessoas que pouco se interessam por fazer os exames, ignorando os apelos das autoridades sanitárias, lamentou Francisco Cahango.
Numa ronda pela cidade de Ndalatando, o Jornal de Angola, abordou várias pessoas para medir o seu grau de conhecimento da doença. A maior parte das pessoas desconhece a existência do cancro da mama, do útero ou da próstata.
Josefa Martins, 25 anos, estudante do ensino médio, garantiu nunca ter ouvido falar destes cancros e nunca fez exames de rotina.
Teresa João António, 19 anos, também estudante do ensino médio, disse que já ouviu falar do cancro, mas nunca se interessou em procurar uma unidade sanitária para eventuais testes, por desconhecer o local onde funciona o Núcleo Provincial de Oncologia.

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