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Instituto preocupado com exploração de menores

Kátia Ramos | Ndalatando

O Instituto Nacional da Criança (INAC) no Kwanza-Norte está preocupado com o aumento do número de menores que trabalham para o sustento das suas famílias, sem qualquer vínculo jurídico com a entidade patronal.

Os familiares em dificuldades influenciam as crianças a praticar tarefas inapropriadas para a sua idade
Fotografia: Nilo Mateus

O director do INAC no Kwanza-Norte, José Pereira, disse ao Jornal de Angola que o trabalho infantil e a instrumentalização de menores continua a ser uma actividade que passa despercebida a algumas famílias, devido à falta de acompanhamento dos pais e encarregados de educação.
Embora pouco comum, assiste-se actualmente no Kwanza-Norte, a um número cada vez maior de menores que exercem tarefas destinadas a adultos. “Devido à carência financeira de algumas famílias, muitos indivíduos influenciam as crianças a realizar determinadas tarefas inapropriadas para a sua idade, tanto em casa como nos campos agrícolas e na comercialização de diversos bens, nos mercados da cidade de Ndalatando e arredores”, referiu José Pereira.
No entanto, também há outras crianças que, movidas pela vontade de terem “independência financeira”, saem de casa dos pais muito cedo e só regressam à noite ou vários dias depois, e muitas vezes doentes ou em condições muito precárias.  Tal é o caso de pequeno Gabriel António Fernandes, de 11 anos, que vende mabangas na vila do Dondo (Cambambe). Ao Jornal de Angola, garantiu ter abandonado a casa por não gostar do namorado da mãe. Explicou que o padrasto possui outras duas mulheres com vários filhos e não prestava a assistência necessária à mãe, o que resultava em agressões constantes que se estendiam a ele. “Não conseguia defender a minha mãe, pois também levava surra ”, contou Gabriel Fernandes, visivelmente triste. Daí ter partido da casa em que morava.
Diferente de Gabriel Fernandes é a história da pequena Delfina Kalele, 13 anos, que há mais de um ano lava loiça em diferentes barracas no mercado do Dondo, sem remuneração fixa, recebendo, em troca, alimentação. Explicou que diariamente chega a lavar mais 300 pratos e que com o tempo ganhou mais traquejo nesta “arte”, chegando já a embolsar entre 1.500 a 2.000 kwanzas, sem contar os restos de cacusso assado e mufete dos clientes, sobretudo turistas que se deslocam aos fins-de-semana ao Dondo.
Delfina referiu que não chegou a conhecer o pai e que a mãe só lhe diz que ele desapareceu. Acrescenta que tem sofrido o desprezo da sua progenitora que a culpa muitas vezes da sua infelicidade.

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