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Juventude de braço dado com o consumo de álcool e drogas

Kátia Ramos | Ndalatando

O consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas entre as mulheres, particularmente menores, é na cidade de Ndalatando uma prática constante e que está a preocupar as autoridades sanitárias.

O consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas entre as mulheres, particularmente menores, é na cidade de Ndalatando uma prática constante e que está a preocupar as autoridades sanitárias.

Madalena António, de 32 anos, mãe de cinco filhos, consome bebidas alcoólicas em excesso há vários anos, razão que, segundo afirmou, motivou a sua separação do marido.
Madalena diz que bebe imoderadamente para esquecer os problemas do quotidiano: “encontro na bebida o meu consolo”.
Claudina da Rosa, de 22 anos, diz que consome álcool para esquecer o pai do seu filho. Mergulha na cerveja para esquecer problemas para os quais não encontra resolução.  
Para agravar os seus problemas, está desempregada e desistiu da escola. “A cerveja ajuda-me a esquecer os meus problemas e por isso não tenho outra escolha”.
Adelina Abrantes, 16 anos, é de opinião que as jovens da sua idade não deviam viciar-se no álcool, principalmente quando tiverem problemas. Para ela, a inclinação pelo consumo de drogas não é e nunca foi solução de problemas, “antes pelo contrário, só piora as coisas”, sustenta.
Aconselha as mulheres da sua idade a divertirem-se de outra forma, como praticar desporto, estudarem ou procurarem descobrir outros gostos, como a música, a dança e os convívios culturais.
.Muitos jovens contactados pela nossa reportagem, homens e mulheres, dizem que consomem bebidas alcoólicas por não terem emprego mas também não estudam e então encontram na bebida o seu passatempo e para esquecer os problemas da vida.
Os especialistas têm atribuído ao desemprego a queda dos jovens na droga e no consumo exagerado de álcool. A professora Guilhermina Malundo da Silva, 44 anos, disse que, para além da falta de ocupação por parte da juventude, muitas jovens, mesmo estudando, estão igualmente inclinadas para o álcool, fruto da falta de educação dentro das famílias.
A professora culpa os pais pelo facto de não conversarem com os filhos, alertando-os para as consequências do álcool.
 “Hoje, as mulheres menores de 18 anos, dormem fora de horas, não têm o hábito de conversar com os pais sobre as diversas situações da vida e enveredam por hábitos e costumes da rua”, disse Guilhermina Malundo da Silva. Muitas jovens são oriundas de lares desfeitos e por isso encontram na rua a forma de suprir o que lhes falta em casa e no seio da família.
 
 O refúgio dos dependentes
 
Para muitos dependentes de bebidas alcoólicas e drogas, o desemprego tem sido a desculpa para esta situação, uma questão que, segundo o psicólogo Vicente Francisco Manuel, não serve de refúgio, uma vez que muitos são funcionários públicos.
 Para Vicente Francisco Manuel, existem alguns jovens que trabalham e estudam, mas mesmo assim abusam do álcool.
Mas o desemprego e a falta de perspectivas de futuro, também podem ser elementos que levam muitos jovens à droga e ao ­alcoolismo.
Em muitos casos, a falta de emprego leva a problemas sociais ainda mais graves.
“Evidentemente que se uma pessoa não estiver ocupada, refugia-se em vícios, como o álcool, tabaco, drogas e prostituição, com o propósito de se ocupar. 
Embora cada um destes fenómenos possa ter uma outra justificação e não apenas a falta de emprego ou a ausência da escola”, frisa. Vicente Francisco Manuel está preocupado pelo consumo excessivo de álcool por parte dos jovens menores de 18 anos, tendo dito que esta é uma faixa etária muito frágil e perigosa cujo consumo excessivo de álcool ou drogas pode ter consequências nefastas.
O psicólogo sustenta que, se uma criança de tenra idade começa a usar bebidas alcoólicas, prejudica o seu desenvolvimento psíquico, as suas aptidões intelectuais ficam limitadas e pode tornar-se um homem débil no futuro.

Responsabilidade dos pais

Vicente Francisco Manuel explica que os meios de comunicação social influenciam tanto negativamente como positivamente a vida das pessoas, particularmente das crianças, por isso é necessário usá-los de forma regrada, de modo a não tirarmos daí factos negativos e viciosos.
“Se não mudarmos de rumo o mais depressa possível, teremos com certeza uma sociedade doente, comprometida e que não encontrará formas de combater os problemas sociais”, alerta.
O psicólogo afirma que alguns pais dão conta do problema dos filhos e de imediato procuram soluções. Outros nem por isso, passam por eles e atiram com a responsabilidade para as escolas.
“Actualmente já não podemos agir como nas sociedades tradicionais, em que o tio também educa, hoje têm de ser mesmo os pais, e estes têm de estar estreitamente ligados à escola, para que realmente haja um acompanhamento condigno ao filho”, aconselha.
Vicente Francisco Manuel disse que as pessoas que fazem uso excessivo de álcool e drogas, sobretudo os jovens, deve m procurar os centros de aconselhamento, de forma a serem ajudados a ultrapassar os problemas.
Muitas mulheres, menores, contraem matrimónio e geram filhos antes mesmo de atingirem a idade adulta.
Essa situação é muito frequente nos meios rurais e, quase sempre, por razões económicas.
 Para Vicente Manuel, nas zonas rurais os homens têm mais influência sobre as mulheres, daí o fenómeno que leva a que elas se tornem mães muito cedo.
“A aliança entre as famílias, como necessidade cultural, faz com que jovens com 12 anos se tornem mães, para a satisfação de ambas as partes”. A maternidade na adolescência é muito comum.

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