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Kilombo ensaia novas variedades agro-alimentares

Isidoro Natalício | Ndalatando

Ensaios e multiplicação de raízes, tubérculos, frutícolas, leguminosas, pastos e forragens, conservação de plantas ornamentais, florestais e medicinais marcam as principais acções em curso na estação experimental do Kilombo, em Ndalatando, província do Kwanza-Norte.

Novas culturas estão adaptadas ao clima do país e vão permitir aos camponeses aumentar a produção para variar a dieta alimentar
Fotografia: Isidoro Natalício | Ndalatando

Ensaios e multiplicação de raízes, tubérculos, frutícolas, leguminosas, pastos e forragens, conservação de plantas ornamentais, florestais e medicinais marcam as principais acções em curso na estação experimental do Kilombo, em Ndalatando, província do Kwanza-Norte.
Segundo o agrónomo João Lombaiala, um terreno com um hectare e meio tem plantados tubérculos e raízes, como mandioca e batata-doce, provenientes da Nigéria.
João Lombaiala disse que as mandioqueiras das espécies Vermute, Ngana-rico e TMS apresentaram resultados positivos, tendo em conta o ciclo vegetativo de sete meses. “Estas espécies geram maior quantidade de mandioca, em comparação com a tradicional mandioqueira, que requer maior tempo e uma produção de menor quantidade”, disse o agrónomo, acrescentando que as novas plantas já estão à disposição dos camponeses de Ndalatando, Golungo-Alto e Hala (Lucala).
A mandioca, segundo o agrónomo, é a base da dieta alimentar das populações das províncias do Norte. Em menos de um hectare, acrescentou, ensaiam-se também 65 variedades de batata-doce, entre as quais se destaca a polpa alaranjada.
“Com esta espécie de batata-doce pode produzir-se pão, bolos e sumos, pois a polpa alaranjada é rica em vitamina A. A batata-doce tem um ciclo de três meses, segundo    estudos feitos em comunidades da província do Huambo”, revelou João Lombaiala.
O programa de fruticultura privilegia dez tipos de bananeiras, provenientes do Uganda, que estão também à disposição dos interessados. Adaptaram-se ao clima e produzem depois de um ano, ao contrário dos 15 meses das tradicionais. No Kilombo foi ainda plantadas sete variedades de feijão, provenientes de Portugal e outros pontos do país.

Efeitos da estiagem

Os campos de milho e forragens (erva para gado) estão ressequidos, devido à falta de chuva. Alguns terrenos experimentais do Kilombo, situados entre as montanhas, no meio de florestas, a três quilómetros da cidade de Ndalatando, também foram afectados pela estiagem.
Os efeitos da falta de água também são visíveis no horto-botânico, composto por plantas ornamentais, medicinais e florestais, oriundas de S. Tomé e Príncipe, Brasil, Europa e outras regiões do Mundo. Por escassez de água, a rosa de porcelana deixou de ser comercializada em Dezembro do ano passado.
Segundo João Lombaiala, o problema de falta de água nos terrenos experimentais e de reprodução pode ser minimizado com a aquisição de motobombas e mil metros de mangueira, ao passo que a conservação do horto-botânico passa pela reactivação dos canais de irrigação e represas. A água que beneficiava o local era proveniente do rio Muembeje, que banha toda a extensão norte do Kilombo.
O responsável da estação experimental assegurou que foi feita uma avaliação sobre as necessidades do Parque Botânico, que ficou orçada em 480 milhões de kwanzas. Este valor seria empregue igualmente na reconstrução de sete residências     para técnicos, escritório, armazéns, sistemas de água potável e energia eléctrica.A Estação Experimental do    Kilombo possui dois engenheiros agrónomos e necessita de dez técnicos médios e um biólogo, para suprir a carência de quadros.
 A vegetação, o clima, a localização e a estruturação fazem do horto-botánico do Kilombo uma potencialidade turística.

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