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Kwanza-Norte com muitos casos de malária

Manuel Fontoura | Ndalatando

A província do Kwanza-Norte registou milhares de casos de malária todos os meses nos últimos três anos, com uma taxa de mortalidade entre 0,4 e 0,6 por cento, segundo revelou esta semana o supervisor da malária na província, Gonçalo João Tandala.
As autoridades locais conseguiram reduzir em 2010 a incidência

Inspector da malária Gonçalo Tandala
Fotografia: Nilo Mateus

A província do Kwanza-Norte registou milhares de casos de malária todos os meses nos últimos três anos, com uma taxa de mortalidade entre 0,4 e 0,6 por cento, segundo revelou esta semana o supervisor da malária na província, Gonçalo João Tandala.
As autoridades locais conseguiram reduzir em 2010 a incidência dos casos de malária na região em 50 por cento, como resultado do programa de distribuição de mosquiteiros tratados com insecticidas de longa duração, inserido no projecto “Fazer Recuar a Malária”, financiado pelo Fundo Global e gerido pela UNICEF.
O programa “Fazer Recuar a Malária” – que vigora há cinco anos no país – permitiu já a disponibilização de 377.718 mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração entre Setembro de 2009 e 2010 no Kwanza-Norte, uma província que regista anualmente mais de 100 mil casos de malária.
Em 2010, houve 315 óbitos por malária, sobretudo entre crianças até aos cinco anos e mulheres grávidas, contra 405 mortes no ano anterior.
Dados da saúde no Kwanza-Norte a que o JA teve acesso referem ainda que em 2008 morreram de malária 809 pessoas, num total de 130.865 doentes. Em 2007, de um registo de 162.268, faleceram 517 pessoas, enquanto que em 2006 as cifras foram de 1.194 falecimentos para um total 106.949 doentes.  
Comentando essas cifras, Gonçalo Tandala referiu que o alargamento dos serviços de saúde a toda província tem permitido a prospecção de mais casos de malária, mas, em contrapartida, “a redução de óbitos deve-se à intensificação do combate à larva, destruição de charcos, pulverização domiciliar e distribuição de mosquiteiros tratados”.
Para ele, “nota-se um avanço significativo relativamente a casos graves - três por cento a menos de mortes em hospitais e centros de saúde”.
Gonçalo Tandala acrescentou que o uso correcto de mosquiteiros, a sensibilização das populações para a mudança de comportamento acerca da malária, sobretudo os grupos mais vulneráveis, como mulheres grávidas e crianças menores de cinco anos, continuam a ser prioridade.
“Com essa medida, nota-se já a mudança de comportamento por parte das populações quanto à malária através da redução do contacto homem vector, uso de mosquiteiros impregnados, prevenção da mulher grávida através do Tratamento Intermitente Preventivo (TIP) e o manejo de casos nas unidades sanitárias da província”, asseverou Gonçalo Tandala.
Para o primeiro trimestre deste ano, estão disponíveis 54.840 doses de Coartem, oito mil de Quinino, 30 mil de Artimeter e 9.600 de Fancidar. Gonçalo Tandala disse que a província nunca registou falta de medicamentos para o tratamento da malária.
Devido à sua situação ecológica, esta província está subdividida em duas regiões epidemiológicas, sendo a primeira, considerada hiper-endémica, correspondente aos municípios de Cazengo, Cambambe, Lucala, Golungo-Alto e Samba-Cajú, onde se regista o maior número de casos de malária. A segunda, denominada meso-endémica estável, corresponde aos municípios de Ngonguembo, Banga, Kikulungo e Ambaca.

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