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Kwanza-Norte fomenta a criação de gado

Manuel Fontoura| Camabatela

A adopção e incremento do projecto de relançamento da criação de gado no Planalto de Camabatela, zona agropecuária pertencente às províncias do Kwanza-Norte e Uíge, começa a dar os primeiros passos, com a entrega de algumas unidades aos criadores.

Serviços Veterinários do Kwanza-Norte sugerem a adopção de um plano de gestão das zonas de criação e pastos para ajudar os criadores de gado a rentabilizar a actividade pecuária
Fotografia: Nilo Mateus| Camabatela

O director provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural da província, Fernando Humberto Mesquita, afirmou que este projecto visa diminuir a importação de carne congelada.
A acção é coordenada pelo Instituto dos Serviços de Veterinária, Gabinete de Desenvolvimento do Planalto de Camabatela e pela Direcção Provincial da Agricultura. Fernando Mesquita garante que, numa primeira fase, foram seleccionados cinco criadores e cada um recebeu 15 cabeças de gado bovino.
“Neste momento, estuda-se outro método de aquisição de animais. Adquiriu-se gado da espécie Nelore, tido como pouco aconselhável para o Planalto de Camabatela.
Os técnicos de veterinária estão a fazer um estudo para, da próxima vez, o processo de entrega ser com uma outra espécie, mais adaptável à região”, explicou.
Em breve, vai ser apresentado ao Executivo um programa de fomento e criação de caprinos, apesar da província dispor de um número acentuado deste tipo de animal.
O efectivo pecuário da província do Kwanza-Norte é de 21.823 bovinos, 14.600 suínos, 16 mil ovinos (ovelhas), 63.536 caprinos, 95 cavalos e 88.367 aves domésticas. O gado caprino e as aves, como galinhas e patos, encontram-se, na sua maioria, no sector tradicional ou familiar.
Sem avançar o número exacto de fazendas pecuárias na província, Fernando Mesquita garantiu que o número é grande, mas a maioria encontra-se fora de actividade.
“Sabemos que todas elas estão ocupadas, têm processo, mas, em termos de funcionamento, temos a laborar no ramo da pecuária apenas duas fazendas, na comuna de Nhangue Ya Pepe, no município de Cambambe, e 15 em Ambaca, que possuem gado, enquanto as restantes estão paralisadas.A produção local de carne ainda não chega para abastecer a população, pelo que é necessário o recurso ao mercado exterior da província, como Kwanza-Sul e Luanda, ou através das redes comerciais.
“O nosso efectivo de quase 21 mil cabeças de gado ainda não é suficiente para começar um processo de rotação de abate, pois ainda requer o melhoramento das espécies e, além disso, também temos um défice, porque as obras do matadouro industrial, a ser construído em Camabatela, só terminam este ano e, a partir daí, já vamos poder pensar numa planificação de abate de carne e a sua posterior comercialização”, disse.
Actualmente, têm sido feitos alguns abates, não em matadouros, mas em locais de matança que a direcção da Agricultura, dentro da lei zoo-sanitária, permite, mas é uma produção muito baixa que não permite, ainda, satisfazer a procura a nível da província. Fernando Mesquita explicou que, no ano passado, foram abatidas na província cerca de 17.145 toneladas de carne, um número tido por ele como irrisório para o número de habitantes. Por isso, sugeriu a adopção de um plano de gestão das zonas de criação e pastos, para ajudar os criadores de gado da região a rentabilizar a actividade pecuária. Considerou, para tal, importante, que os criadores se organizem e apresentem projectos fiáveis, para que possam adquirir financiamento junto das instituições afins.

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