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Kwanza-Norte reforça combate à raiva

Marcelo Manuel | Ndalatando

O Hospital Central do Kwanza-Norte recebeu recentemente do Ministério da Saúde 400 doses de vacinas anti-rábicas humanas.
O director provincial da Saúde, Duarte Varela, disse quarta-feira, em Ndalatando, que, com a recepção das vacinas, “as mortes por mordeduras de cães raivosos na província do Kwanza-Norte deixam de ser preocupação”.

Donos de animais de estimação aconselhados a aderirem às campanhas de vacinação iniciada a 22 de Janeiro do ano em curso
Fotografia: Paulo Mulaza

O Hospital Central do Kwanza-Norte recebeu recentemente do Ministério da Saúde 400 doses de vacinas anti-rábicas humanas.
O director provincial da Saúde, Duarte Varela, disse quarta-feira, em Ndalatando, que, com a recepção das vacinas, “as mortes por mordeduras de cães raivosos na província do Kwanza-Norte deixam de ser preocupação”.
De acordo com Duarte Varela, de Janeiro a Abril foram registados 229 casos de mordeduras por cães, dos quais dez resultaram em óbitos. Avançou que desde a recepção das vacinas foram já imunizadas 80 pessoas e que doravante o fornecimento de vacinas vai ser feito de forma regular, em função da necessidade mensal ou trimestral.
A médica epidemiologista do Hospital Central do Kwanza-Norte, Lurdes Puigue, deu a conhecer, numa entrevista à emissora provincial da Rádio Nacional de Amgola, que os municípios mais endémicos são os de Cazengo e Golungo-Alto, com 215 e 11 mordeduras, com e oito e dois óbitos, respectivamente.
Em Samba-Cajú e Banga registaram-se três casos de mordeduras, sem qualquer morte. Ainda em Cazengo, os bairros com maiores casos em mordeduras são os de Tala-Hadi, Hoji-Ya-Henda e Kipata.
Para os primeiros socorros, após a mordedura por um cão, Lurdes Puigue recomendou a lavagem da ferida com água e sabão e desinfecção com tintura de iodo. Deu a conhecer que o ferido deve ser transportado em seguida a uma unidade sanitária e apanhar rapidamente a vacina anti-rábica humana, para depois ser acompanhado por um médico especialista, durante três a quatro meses.

Cães vadios

A Administração Municipal de Cazengo (sede provincial) procede, desde o último fim-de-semana, a uma campanha de recolha e abate de cães vadios que deambulam pelas ruas da cidade.
Para o cumprimento de tal missão foi criada, a nível da província, uma comissão multi-sectorial, que envolve técnicos da referida administração, da direcção provincial da Agricultura e da Saúde Pública, que, durante os últimos 15 dias, recolheram, abateram e incineraram 161 cães.
Segundo Ambrósio Freitas, pai de uma das vítimas, de 16 anos, falecida no bairro Tala-Hady, arredores da cidade de Ndalatando, a raiva é um mal que tem de ser combatido com celeridade, de forma a não causar mais luto no seio das famílias angolanas.
“Basta o luto que nos foi causado pela guerra, a raiva não pode mais causar sofrimento à população angolana”, disse. Por sua vez, Madalena José, residente no Bairro “Tiro aos Pratos”, conta que perdeu o seu marido, em Abril passado, quando este foi mordido por um cão vadio, vindo a falecer três meses depois. Mãe de quatro filhos, desempregada, diz não saber como sustentar os filhos, pois o esposo era a única pessoa que mantinha a estabilidade alimentar da casa.
Dados do Departamento Provincial do Kwanza-Norte de Veterinária revelam que, no âmbito da campanha de vacinação antí-rábica, iniciada a 22 de Janeiro do ano em curso, foram imunizados 3.773 animais, entre cães, macacos e gatos, em seis dos dez municípios da província do Kwanza-Norte., nomeadamente Cazengo, Ambaca, Samba-Cajú, Cambambe, Lucala e Golungo-Alto. 

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