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Mais água potável para a população

Isidoro Natalício| Ndalatando

A conclusão de três sistemas de captação, tratamento e distribuição de água nas comunas de Cambondo e Kilombo Kiaputu (Golungo-alto), Bairro Catome de Baixo (Ndalatando) e vila do Lucala permitiu abastecer mais de 20 mil pessoas.
Um relatório do Programa de Investimentos Públicos (PIP) do governo provincial do Kwanza-Norte relativo ao exercício de 2011, a que o Jornal de Angola teve acesso, refere que a obra, em Cambondo, foi construída de raiz.

Programas de investimento público têm permitido melhorar o abastecimento de água potável em várias localidades da província
Fotografia: JA

A conclusão de três sistemas de captação, tratamento e distribuição de água nas comunas de Cambondo e Kilombo Kiaputu (Golungo-alto), Bairro Catome de Baixo (Ndalatando) e vila do Lucala permitiu abastecer mais de 20 mil pessoas.
Um relatório do Programa de Investimentos Públicos (PIP) do governo provincial do Kwanza-Norte relativo ao exercício de 2011, a que o Jornal de Angola teve acesso, refere que a obra, em Cambondo, foi construída de raiz. A conduta, em PVC, estende-se por 10 quilómetros, e inclui torre elevatória para distribuição por gravidade, com capacidade para 60 metros cúbicos de reserva, cinco chafarizes na periferia e ligações domiciliares.
Os trabalhos no Lucala, sede do município com o mesmo nome, também estão concluídos e incluíram a instalação de 180 tomadas para residências no centro urbano, e a construção e recuperação de 26 torneiras comunitárias. Foram edificados reservatórios com capacidade geral superior a 800 metros cúbicos e laboratório.
Desde o colapso da rede, na década de 80, a população, calculada em 15 mil habitantes, consumia água bruta do rio Lucala, que atravessa a vila.
O documento do governo provincial refere que o sistema em Kilombo Kiaputu está em fase de conclusão. A água sai em queda duma rocha que fica a pouco mais de quatro quilómetros, acumula-se num tanque com capacidade de 20 metros cúbicos e vai chegar ao consumidor através de cinco fontanários novos e outros por recuperar.
O sistema do Kilombo dos Dembos (Ngonguembo) está executado em 40 por cento, prevendo-se a sua conclusão em Abril. Na comuna de Cariamba (Banga) foi construída a captação, depois de terem sido concluídos mais de três quilómetros de canalização e os tanques, com capacidade para reservar até 360 metros cúbicos.
O investimento público proporcionou melhorias nos fornecimentos da água na comuna da Canhoca (Cazengo), tendo em conta o eventual crescimento populacional até 10 mil habitantes.  Em Fevereiro, a água canalizada vai chegar às comunas de São Pedro da Kilemba (50 quilómetros a sul do Dondo), Dange ya Menha e o apeadeiro Caxissa. A construção das infra-estruturas situa-se a 75 por cento, segundo o relatório.
No quadro do programa “Água para Todos” foram instalados fontanários em áreas recônditas como Luinga (Ambaca), Zanga e Zavula (Cazengo), Mussabo (Samba-Cajú), Dualumbi (Lucala), entre e outras.  A cidade de  Ndalatando e arredores também já usufruem de  forma constante  de água potável, obtida a partir do rio Mucari, a 23 quilómetros da cidade, e os fontanários devem ser aumentados para satisfazer a procura.

Zonas por abastecer

Os habitantes de Catome de Cima continuam a consumir água de cacimbas, situadas em zonas com insuficiente saneamento básico. Maria Domingos André vive com o marido e dois filhos, e ainda bebe a água da cacimba sem qualquer tratamento. “Não temos hipótese, os chafarizes ficam longe e é duro transportar à cabeça”, lamentou.  Manuel Pedro, 18 anos, diz que por serem poucos, os chafarizes enchem-se de pessoas e pode levar-se horas à espera de vez.
Fátima João, 22 anos, moradora no bairro Ndalatando, lamentou o facto e adianta que quando falha a água se recorre às cacimbas do Catome de Cima, que ficam a mais de meio quilómetro. “Às vezes, trato a água com lixívia fornecida pelo soba”. Apesar do envelhecimento (mais de 40 anos) das linhas de repartição e condução em gravidade, a água canalizada brota em torneiras das sedes municipais de Samba-Cajú, Banga, Kikulungo e Bolongongo. Mas a caducidade desactivou os aparelhos técnicos da vila do Golungo-alto e da cidade do Dondo, com cerca de 50 anos de existência, segundo o relatório.
Há cerca de três anos que a maioria dos mais de 100 mil habitantes do Dondo consome água bruta acarretada do rio Kwanza, que banha aquela tricentenária urbe. Assim, vender água em cisternas, geralmente de 500 litros, é tido como dos negócios mais rentáveis. Por essa quantidade de água paga-se entre mil a 1.500 kwanzas e num dia os vendedores podem chegar a ganhar 25 mil kwanzas.
O chefe do departamento provincial das Águas, Joaquim Zangui, acredita que em 2012, com a inserção no Programa Nacional de Investimentos Públicos, que consiste em reabilitar e ampliar as redes de distribuição de Kikulungo, Banga, Dondo, Bolongongo, Samba-caju e Golungo-alto, a situação pode melhorar. Além disso, foram recentemente assinados contratos para reabilitação dos sistemas de Camabatela, em Ambaca, e Auto-fina, no Dondo.

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