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Matadouro industrial abre novas oportunidades

Marcelo Manuel | Ambaca

A oferta de carne bovina e caprina com qualidade, associada a produção de farinha de ossos, gordura animal, peles e couros, são as principais valências do matadouro de Camabatela, inaugurado na sexta-feira.

Matadouro permite o surgimento de mais oportunidades para os pequenos criadores
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

O empreendimento tem por finalidade aumentar a oferta de carne, melhorar a dieta dos cidadãos e criar mais de 200 postos de trabalho directos e inderectos  para a juventude.
Construído a cinco quilómetros da sede municipal de Ambaca, província do Cuanza-Note, o matadouro de Camabatela tem uma  capacidade de abate de 200 bovinos e 300 caprinos por dia, perfazendo um total de 4.400 cabeças/mês e 52.800 animais por ano, para além das sete toneladas de gordura animal que se prevêem produzir diariamente.
O projecto foi criado através de um financiamento do governo espanhol com custos avaliados em USD 13.44.000 (treze milhões e quarenta e quatro mil dólares americanos). As obras duraram dois anos, o imóvel foi erguido com o propósito de melhorar o consumo de carne bovina, suína e caprina, bem como permitir a oferta de produtos industrializados de origem animal, como farinha de ossos, gorduras, peles e couros, em maior e melhor quantidade, dignificando a produção animal.
O ministro da Agricultura, Marcos Nhunga, disse, durante a cerimónia de inauguração do referido matadouro, que a sua entrada em funcionamento vai resolver 50 por cento das necessidades de carne a nível da região Norte do país, aliada ao funcionamento do matadouro de Malanje e Catete, que podem melhorar de forma significativa a oferta do mesmo produto de consumo.
Sublinhou, de igual modo, que a abertura do imóvel dá cumprimento ao programa do Governo para o sector da agricultura, visando a diversificação da economia nacional, criando premissas para alcançar a autosuficiência alimentar e reduzir os índices de importação de produtos de origem animal.

Capacitação de quadros


Marcos Nhunga revelou que o investimento feito na construção do matadouro de Camabatela obriga o Governo a continuar a criar políticas para capacitar os quadros nacionais ligados ao desenvolvimento da pecuária, mais especificamente nos domínios da alimentação, nutrição, sanidade, infra-estruturas, melhoramento genético e comercialização dos animais.
“Com o cumprimento deste desiderato podemos alcançar uma produção anual de mais de 10.000 tonaledas de carne, mas para isso é necessário que os criadores trabalhem com zelo e profissionalismo”, disse, avançando que o matadouro vai impulsionar o crescimento das mais de 200 fazendas existentes no planalto, nos domínios de cria, recria e engorda dos animais.
Aconselhou os pecuaristas da região no sentido de crescerem de mãos dadas, em qualidade e quantidade na criação de gado e, sobretudo, na transformação do potencial existente, em dinheiro para contribuírem para o desenvolvimento do país.
O ministro da Agricultura reconheceu haver ainda muito trabalho por se fazer a nível da produção de alimentos, mormente no que diz respeito à criação de infra-estruturas, controlo de doenças e na selecção de raças de gado adaptáveis às condições climatéricas do planalto.
De acordo com o dirigente, o Governo pretende oferecer à população alimentos com qualidade e boas oportunidades de negócios rentáveis. Eis a razão, disse, da criação do matadouro, ao produzir gorduras animais, peles e casgos, para dar suporte a outras indústrias.
Para o governante, o Planalto de Camabatela constitui uma “vasta e importante planície situada na zona noroeste do território angolano, marcando uma transição abrupta entre a faixa litoral e a baixa de Cassange, na bacia do Congo, com cerca  de 1.410.000 hectares, dotado de potencial natural no domínio da produção pecuária”.

Um sonho da população

Por sua vez, o governador do Cuanza-Norte, José Maria Ferraz dos Santos, disse que a inauguração do matadouro é a materialização de um sonho das populações locais que, pela cultura tradicional no domínio da pecuária, podem criar projectos específicos para a melhoria da qualidade de vida das famílias e das comunidades em que estão inseridas.
Ressaltou a necessidade da união de esforços para melhorar a actividade dos pecuaristas do planalto de Camabatela, principalmente no que toca a situação técnica e zoosanitária das fazendas, visando a criação de animais saudáveis com capacidade de boa reprodução em toda a região.
Falando em nome dos criadores da cooperativa agropecuária do planalto de Camabatela, Rui Cruz frisou que a abertura do matadaouro marca um momento importante para aquela região, pelo facto de criar possibilidade dos criadores venderem os seus animais com rendimentos justos, contribuindo para o desenvolvimento da região.
Fez saber que o imóvel substitui um antigo, construído na era colonial, que até ao início dos anos 90 funcionou com uma capacidade de 100 cabeças dia, facto que demonstra o empenho do Executivo na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos nacionais, em particular os que habitam no planalto de Camabatela.
O planalto de Camabatela compreende as províncias do Cuanza-Norte, com 318.134 hectares, incluindo os municípios de Samba-Cajú e Ambaca, Malanje (736.851 hectares), abarcando as regiões de Cacuso e Calandula, e Uíge (192.869 hectares), abrangendo os municipios de Negage, Uíge, Puri, Alto Cawale, Cangola, Damba, Bungo e Mucaba.

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