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Matadouro industrial arranca em Camabatela

Marcelo Manuel | Camabatela

As obras para a construção do matadouro industrial do projecto agro-pecuário do planalto de Camabatela, no Kwanza-Norte, que envolve também parte das províncias do Uíge e Malanje, podem arrancar no primeiro trimestre do próximo ano.

A construção do matadouro abre a possibilidade do Kwanza Norte se impor no fornecimento de carne bovina na região norte do país
Fotografia: Nilo Mateus

As obras para a construção do matadouro industrial do projecto agro-pecuário do planalto de Camabatela, no Kwanza-Norte, que envolve também parte das províncias do Uíge e Malanje, podem arrancar no primeiro trimestre do próximo ano. O Jornal de Angola manteve uma conversa com o administrador municipal de Ambaca, José Francisco Barros Rank Frank, que aborda a situação com mais pormenores.

Jornal de Angola - Qual é a situação actual da implementação do projecto agro-pecuário de Camabatela?

Rank Frank - Em relação a materialização do projecto agro-pecuário de Camabatela o que tenho a dizer é que já temos a aprovação do governo central para a construção do matadouro industrial, cujo arranque das obras possivelmente acontece durante o primeiro semestre do próximo ano.
Até ao momento todos os trâmites administrativos já foram acautelados pelo Executivo através do Ministério da Agricultura, o que nos dá boas garantias.

JA - A onde vai estar localizado e qual será a sua capacidade?

RF - O mesmo vai estar localizado na entrada da sede municipal, vai ter várias dependências, como locais para a aglomeração, trânsito, abate, parqueamento de viaturas, separação da carne entre as várias qualidades dos animais.
O matadouro vai ter uma capacidade de abate de 120 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos, ovinos e suínos. Neste momento a empresa encarregue da construção do imóvel trabalha na mobilização dos equipamentos e localização da área para a instalação do estaleiro.

JA - Qual é o principal objectivo da implementação deste projecto?

RF - O projecto visa, na sua essência, o relançamento da actividade agropecuária da região, que abarca parte das províncias do Kwanza-Norte, Uíge e Malanje, que no passado foram responsáveis pelo abastecimento de cerca de 60 por cento do fornecimento de carne bovina ao norte de Angola.
O empreendimento vai de igual modo garantir maior emprego à juventude local, subsistência alimentar da população, dando maior dinâmica ao programa nacional de luta contra a fome e a pobreza, visando o alcance do desenvolvimento económico do município e da província em geral.

JA - Até ao momento quantas fazendas estão cadastradas?

RF – Neste momento estão registadas um total de 150 fazendas, a nível de todo o município de Ambaca, das quais apenas 15 estão devidamente legalizadas e cumprem o seu objecto económico, situação que lhes dá acesso directo ao crédito bancário, para a melhoria das suas funções.
A nossa maior preocupação é a descapitalização financeira com que se depara a maior parte dos utentes de fazendas agropecuárias, situação que influencia negativamente no aumento da população animal. Temos os espaços cedidos e muitos destes ainda não tomaram qualquer iniciativa, situação que pode não só perigar a implementação do projecto, como também a vida económica do município.
Recebemos orientações do Ministério da Agricultura para darmos mais algum tempo aos fazendeiros que se encontram nesta condição, para que estes possam aumentar os índices de produção. Caso não aconteça o estado pode redimensionar as fazendas em causa.

JA - Qual é o actual número da população animal existente?

RF - No passado o planalto de Camabatela na sua plenitude tinha uma população animal estimada em aproximadamente 100 mil cabeças de gado bovino. Hoje a situação é contrária, pelos motivos por mim já apontados, situação que garante apenas um efectivo de sete mil cabeças, número que em tempos idos pertencia a uma só fazenda.

JA - A par do sector pecuário quais as principais realizações sociais e económicas levadas a cabo durante os nove anos de paz?

RF - Em relação aos principais ganhos da paz tenho a destacar a implementação de vários projectos, sociais e económicos, instituídos pelo executivo central e provincial. Entre estes, a construção do hospital regional de Camabatela, que actualmente encontra-se totalmente apetrechado, aguardando apenas pela sua inauguração.
Tem capacidade de 70 camas e comporta dependências que qualquer hospital moderno exige, como bloco operatório, laboratórios, salas de Raio X, refeitório, banco de urgência, morgue, entre outros serviços. Foi erguida numa área total de vinte e dois mil e 500 metros quadrados, estando as suas dependências divididas em dez blocos.
Acredito que a inauguração do referido imóvel trará nova dinâmica na situação da assistência médica e medicamentosa dos municípios vizinhos, como o caso de Samba-Caju, Bolongongo, Kiculungo, Banga e Nguonguembo, para além de beneficiar também alguns habitantes das províncias do Uíge e Malanje.
O município dispõe ainda de 12 postos de saúde em pleno funcionamento, que cobrem 32 sectores, correspondentes a 155 aldeias, assistidos por quatro médicos, 29 enfermeiros, 42 auxiliares, para o universo de 85 mil habitantes.
Neste momento estamos a construir dois postos de saúde nas comunidades do Cóle e Bindo, para além da reabilitação de outros nas de Kazua, Kana-Kanjungo, todas pertencentes a comuna do “Bin­do”. Garanto que todos estes vão estar concluídos até Dezembro próximo.
Estão de igual modo a decorrer a reabilitação e ampliação do posto de saúde da comuna do Linga e o do sector do Longa. No Tango as populações estão agora melhor servidas por causa da reabilitação do posto local.

JA - Em relação ao sector da educação qual é a situação actual?

RF -  No ramo da educação a sede municipal ganhou muito recentemente a inauguração do primeiro núcleo do ensino médio, com sete salas de aulas, um laboratório de informática, quadra de jogos desportivos multi-uso, que em minha opinião vai doravante revolucionar o sistema de ensino do município.
Existem no município um total de 171 salas de aulas, das quais 72 de carácter definitivo e 99 construídas com meios locais. As aulas são administradas por 471 professores que leccionam 12.630 alunos.

JA - Qual é a situação actual do fornecimento e distribuição de energia e água?

RF - Nestes sectores tenho a realçar que a nível das comunas do Tango e Luinga foram construídos de raiz centros de captação e tratamento de água potável em cada uma delas, para além da instalação de vários chafarizes espalhados ao longo dos arredores das localidades em causa, implementados no âmbito do Programa do Governo “Água para Todos”.
Na localidade do Longa, pertencente a comuna do Luinga, estão em curso trabalhos de implementação de um sistema de captação e tratamento de água potável a ser inaugurado brevemente.
A energia eléctrica também já beneficia a sede das quatro comunas existentes, nomeadamente o Luinga, Tango, Bindo e Maua, através de um grupo gerador para cada, com capacidade de 150 KVA.
A sede municipal é alimentada pela energia da barragem de Capanda, que de forma ininterrupta fornece energia a todas as ruas e bairros locais, nos sistemas de iluminação pública e domiciliar, num total de duas mil residências.

JA - Quais são as políticas implementadas para a garantia de casas para quadros?

RF - Durante o ano de 2010 construímos dez residências do tipo T-3, que actualmente albergam quadros de vários sectores sociais do município. É importante realçar que moradias para quadros constam entre as principais dificuldades do executivo municipal, situação que actualmente obriga a projecção de escolas e unidades sanitárias com casas para quadros, no sentido de diminuirmos o défice de residências a nível da região.
No próximo ano estamos a prever a implementação de um projecto que visa a construção de várias residências do tipo T-2 que, no meu entender, são mais económicas e de fácil projecção, para que tenhamos resultados rápidos em relação às dificuldades de casas para os técnicos da nossa região.

JA - Como caracteriza o andamento das obras de asfaltagem da via que liga Ambaca a Negage?

RF - Apesar dos atrasos, as obras estão actualmente a correr a bom ritmo. Temos informações seguras que a empreitada pode terminar em 2012, não sabemos exactamente quando pelo facto das condições climatéricas perturbarem o ritmo normal dos trabalhos.

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