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Mau estado da via de acesso atrasa investimentos

Marcelo Manuel | Ngonguembo

Empresários e comerciantes da província do Kwanza-Norte hesitam em investir no município do Ngonguembo, devido ao mau estado de conservação da via que liga a vila de Quilombo dos Dembos (sede municipal) ao Golungo-Alto, principalmente no tempo chuvoso, segundo deu a conhecer à reportagem do Jornal de Angola o administrador municipal, Mateus André Garcia.

Quando chove o acesso a Quilombo dos Dembos transforma-se numa armadilha para as viaturas que por lá circulam
Fotografia: Marcelo Manuel

Empresários e comerciantes da província do Kwanza-Norte hesitam em investir no município do Ngonguembo, devido ao mau estado de conservação da via que liga a vila de Quilombo dos Dembos (sede municipal) ao Golungo-Alto, principalmente no tempo chuvoso, segundo deu a conhecer à reportagem do Jornal de Angola o administrador municipal, Mateus André Garcia.
O troço, com cerca de 45 quilómetros de extensão, nunca foi asfaltado. Apresenta várias depressões, curvas e lombas perigosas. A condução automóvel torna-se mais perigosa tendo em conta que a estrada se estende por um relevo montanhoso. São cerca de dois mil quilómetros acima do nível das águas do mar.
O Jornal de Angola apurou, entretanto, através do director provincial do Kwanza-Norte do Instituto Nacional de Estradas, Mendonça Luís, que o asfaltar do troço em referência está previsto para o próximo ano. A obra foi adjudicada à empreiteira Imbondex. 
O município do Ngonguembo não possui qualquer loja e a actividade hoteleira é inexistente. O comércio é feito através de pequenas cantinas, que são incapazes de satisfazer as necessidades da população no que toca à oferta dos bens de primeira necessidade.
O administrador municipal Mateus Garcia frisou que, em função das dificuldades, os habitantes locais adquirem os mantimentos transformados nos municípios do Golungo-Alto, Cazengo e na vizinha província do Bengo, concretamente em Bula Atumba e Pango Aluquém. O transporte das mercadorias é feito, na sua maioria, de motorizada.

Aposta  na Educação e Saúde
 
O administrador Mateus Garcia afirmou à nossa reportagem que, durante o ano em curso, foram investidos mais de 80 milhões de kwanzas nos sectores da Educação e Saúde, o que permitiu a construção de uma escola de três salas de aula e a reabilitação de outras três nas localidades de Banza-Quilombo, Tumba e Quilombo dos Dembos.
O responsável frisou que, com o surgimento de novas infra-estruturas de ensino, se prevê para o próximo ano o ingresso de 200 novos alunos no sistema de ensino, que se vão juntar aos cerca de 2.500 matriculados este ano.
Na comuna de Camame, a 65 quilómetros da sede municipal, o próximo ano lectivo vai arrancar com um total de 450 alunos, mais 238 em relação ao presente, na sequência da construção de uma escola de quatro salas de aula. Com isso, reduz-se a “fuga” de crianças em idade escolar para outras áreas da província, para irem estudar. A construção daquela unidade pedagógica durou três meses e ficou orçada em 13,8 milhões de kwanzas.
O investimento público permitiu, de igual modo, a construção e apetrechamento de um posto médico situado na comunidade do Velho Yango, para além da requalificação e ampliação do Hospital Municipal, que tem capacidade de 35 camas. Este hospital tem vindo a minimizar os problemas sanitários dos munícipes, assistindo-os nas áreas de clínica geral, pediatria, farmácia e outras. 
Os doentes mais graves são encaminhados para os municípios do Golungo-Alto e Cazengo.
 
Fomento da cultura da banana
 
As culturas de milho, feijão, amendoim e mandioca são as mais frequentes. Mateus Garcia, o administrador municipal, deu a conhecer que o seu executivo trabalha no sentido de fazer ressurgir a cultura da banana de mesa. Numa primeira fase foram adquiridas 1.300 socas de bananeiras, que foram distribuídas às oito associações de camponeses existentes.
O administrador revelou que tem contactos avançados com agricultores do Cazengo para a aquisição de um lote maior de socas de bananeiras, para a cobertura de todo o município. A produção do ananás e abacaxi também consta das prioridades da administração do Ngonguembo.
A região do Ngonguembo é definida pelos especialistas de agronomia da Direcção Provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural como a maior área de produção de óleo de palma na província. Mateus Garcia disse que, pela primeira vez na sua história, o município vai contar com uma fábrica de óleo de palma. Trata-se de um investimento de iniciativa privada e as obras começam no segundo trimestre do próximo ano.
 A iluminação pública e domiciliar da vila de Quilombo dos Dembos melhorou significativamente, nos últimos seis messes, apurou a reportagem do Jornal de Angola. O fornecimento de electricidade é assegurado por cinco grupos geradores, que funcionam das 18 horas à meia-noite.
Até finais de Dezembro, prevê-se a extensão do fornecimento de energia eléctrica aos bairros Canda, Banza Quilombo, Kassanga, Salafunda e Velho Yango, situados na periferia de Quilombo dos Dembos. A comuna de Cavunga também vai ser servida em breve com o abastecimento de energia eléctrica. 
A distribuição e consumo de água potável ainda é uma miragem no Ngonguembo. A nossa equipa de reportagem apurou que a água usada, tanto para cozinhar como para beber, é retirada de uma nasceste e de algumas represas abastecidas pelas águas das chuvas.
No quadro do programa Água para Todos, o governo do Kwanza-Norte contratou uma empresa coreana, que já reabilitou o açude situado na localidade do Tumba, a cerca de três quilómetros da sede municipal. A execução do projecto termina no primeiro semestre do próximo ano e prevê beneficiar mais de três mil pessoas.
 A administração municipal do Ngonguembo vai, no próximo ano, apostar na construção de 30 casas para atrair quadros de nível médio e superior, dos vários domínios da vida social e económica, de forma a dinamizar os vários projectos de desenvolvimento enquadrados no programa local de investimentos públicos.
No dizer do administrador, numa primeira fase estão a ser reconstruídas dez casas, que vão albergar os novos professores e enfermeiros recrutados nos últimos concursos públicos. 
Segundo Mateus Garcia, a falta de residências e condições mínimas de habitabilidade têm estado na base da fuga de alguns quadros da localidade. “Os que já estão aqui têm tendência a largar os seus postos de trabalho e a migrar para outras áreas, devido às dificuldades sociais e económicas que o município atravessa”, referiu.
“As pessoas vêem o nosso município como o fim do mundo mas isso não é real. Vamos procurar alterar essa imagem, criando projectos e estruturas ambiciosas para que os jovens se sintam atraídos para trabalhar no Ngonguembo”, sublinhou.
Outros investimentos públicos de realce, previstos para o próximo ano, são a construção de uma nova administração municipal e uma unidade para o efectivo da Polícia Nacional.

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