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Médica cubana faz “milagres” no Kwanza-Norte

Kátia Ramos | Ndalatando

Várias mulheres que apresentavam problemas de infertilidade conseguiram, finalmente, conceber, após um tratamento no departamento de ginecologia e obstetrícia da maternidade provincial do Kwanza-Norte.

Médica lamenta a falta de medicamentos
Fotografia: Kátia Ramos|Ndalatando

A principal protagonista de muitos casos de sucesso no tratamento da infertilidade é a médica cubana Marina Karminete, especialista em ginecologia e obstetrícia. Muitas mulheres dizem que ela faz verdadeiros milagres, ao engravidarem depois de muitos insucessos.
Engrácia Moniz, 32 anos, funcionária pública, é uma das mulheres que foi submetida a tratamento e conseguiu engravidar, depois de muitos anos de insucessos. Incapaz de conceber, contou ao Jornal de Angola ter recorrido a várias tratamentos tradicionais até encontrar a “magia” da médica Marina Karminete.
Dos quimbandeiros, a resposta que Engrácia Moniz tinha sobre a sua dificuldade em conceber era,  invariavelmente, a perseguição de familiares. Desesperada e deprimida, Engrácia Moniz chegou a afastar-se do convívio familiar e mudou de província, passando a viver isoladamente.
Motivada pelas notícias sobre os tratamentos da médica Marina Karminete, há dois anos, decidiu regressar ao Kwanza-Norte à procura de tratamento.
Ao fim de várias consultas foi-lhe detectado e retirado um quisto no ovário esquerdo.
Depois desta operação, bem sucedida, Engrácia Moniz engravidou e está com cinco meses de gestação. A aguardar o seu primeiro filho, considera-se “a mulher mais feliz do universo”.
Quem também procurou a médica Marina Karminete foi Mariana dos Santos, 26 anos, incapaz de conceber depois de uma intervenção cirúrgica mal sucedida, quando tinha 19 anos. Nas várias clínicas privadas e hospitais públicos que frequentava tinha sempre a mesma resposta: a intervenção aos 19 anos tinha causado graves danos no seu útero. Quando foi observada pela doutora Marina Karminete, no hospital materno infantil de Ndalatando, foi-lhe detectado uma “obstrução tubar”, que causa infertilidade às mulheres.
A médica explicou a Maria dos Santos que a obstrução das trompas se deve geralmente a uma infecção genital sintomática de uma intervenção cirúrgica mal feita, mas que para ela ainda tinha tratamento.
O que se seguiu foram sete meses de intensos exames médicos, entre orientações sexuais e tratamento, até conseguir engravidar. Hoje é mãe de uma criança.
Bernardete Carvalho, 36 anos, não podia engravidar porque sofre de diabetes e hipertensão desde os 12 anos, mas depois de conhecer a médica Marina, foi-lhe dada garantia de que era possível conceber. Grávida de cinco meses, hoje vive sob cuidados médicos.
A médica explicou-lhe que tinha algumas alterações hormonais com períodos irregulares do ciclo menstrual, mas que eram passíveis de tratamento.
A médica recordou que a infertilidade é uma doença de que padecem as mulheres em todo o mundo por diversos factores e precisou que na província do Kwanza-Norte há muitos casos de mulheres que desejavam conceber e não conseguiam.
Marina Karminete, que semanalmente consulta mais de 70 mulheres com problemas de infertilidade, está preocupada com o elevado grau de infecções vaginais, que apontou como principais causas para a infertilidade, a par dos quistos nos ovários e alterações cirúrgicas.
A médica lamentou a falta de medicamentos importantes no tratamento da infertilidade, obrigando muitas vezes a paciente procurá-los fora da província.

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