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Medo de marginalização social afasta os doentes do tratamento

O director provincial da Saúde do Kwanza-Norte afirmou ontem, em Ndalatando, que mais de 200 pessoas portadoras do vírus da sida, num universo de 964 infectadas, estão a ter acompanhamento médico e mais de 100 recebem anti-retrovirais gratuitamente.

Várias acções de sensibilização estão a ser realizadas para se combater a discriminação
Fotografia: Francisco Bernardo

O director provincial da Saúde do Kwanza-Norte afirmou ontem, em Ndalatando, que mais de 200 pessoas portadoras do vírus da sida, num universo de 964 infectadas, estão a ter acompanhamento médico e mais de 100 recebem anti-retrovirais gratuitamente.
Manuel Duarte Varela manifestou à Angop o seu descontentamento com os números, porque, segundo disse, não há falta de anti-retrovirais nem de unidades especializadas para o atendimento das pessoas portadoras do VIH/Sida. A explicação para esta realidade, prende-se, segundo ele, com o facto de muitos portadores preferirem tratar-se noutras regiões do país, receosos de serem vítimas de marginalização por parte dos parentes e amigos, devido ao seu estado serológico.
A província do Kwanza-Norte conta, actualmente, com Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV) em oito dos dez municípios da província, e está para breve a abertura de outros no Bolongongo e no Ngonguembo.
O responsável reconheceu ter havido, nos últimos anos, melhorias na implementação do programa de prevenção e combate ao VIH/Sida, com o aumento de 10.732, em 2009 para 13.010 pessoas testadas entre Janeiro e Novembro deste ano. Além disso, houve também passos importantes relativamente ao acesso à informação, que resultou no aumento de pessoas a beneficiarem de tratamentos com anti-retrovirais.
Para ele, estes números ainda não reflectem, contudo, a realidade do Kwanza-Norte, visto ainda existirem pessoas que se furtam a realizar o teste voluntário de VIH/Sida. Manuel Duarte Varela realçou a necessidade de se combater todo o tipo de discriminação contra as pessoas que vivem com esta doença, pois só assim elas poderão estar mais abertas a abordar o seu estado serológico, o que considera um passo importante para estancar o surgimento de novos casos.

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