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Melhora o fornecimento de água potável à região

Manuel Fontoura e Kátia Ramos| Ndalatando

Novos sistemas de captação, tratamento e distribuição de água potável, em fase de execução a­vançada, orçados em 45 milhões de dólares, segundo o director provincial da Energia e Águas, Joaquim João Jerónimo, beneficiam cerca de 100 mil habitantes de sete localidades da província do Cuanza Norte, até início do próximo ano.

Construção de sistemas de captação e distribuição faz com que a população deixe de percorrer longas distâncias em busca de água
Fotografia: Mota Ambrósio

O projecto arrancou em finais do mês de Julho de 2013 e abrange a ampliação e distribuição da rede eléctrica das cidades de Ndalatando e Dondo, com custos estimados em cerca de 35 milhões de dólares.
As obras começaram na vila de Bolongongo, Quiquiemba, Zenza do Itombe e Dange ia Menha.
Depois da terraplenagem do local e estudos geológicos, começaram os trabalhos para a edificação das estações de captação e distribuição de água. A segunda fase prevê a construção dos sistemas de Camame, Cerca e Samba-Lucala.
A execução destas obras de impacto social segue as orientações da Organização Mundial da Saúde, que orienta o consumo de 100 litros por dia por cada habitante.
Além de sistemas de captação e distribuição de água, o projecto contempla estação de filtragem e tratamento, estações elevatórias, reservatórios, redes de transporte e distribuição, sendo estas de carácter domiciliar e em chafarizes.
A captação para Zenza do Itombe, Cassualala e localidades ao longo do curso é a partir do rio Lucala III. A estação tem capacidade de captar e tratar 15 mil litros de água por hora, com um tanque de armazenamento de cerca de 25 mil litros. As estações elevatórias, três no total, possuem tanques de 18.700 litros cada, com um caudal de saída de cerca de 300 litros por minuto. A comuna de Dange ia Menha é abastecida a partir de uma captação a ser instalada no rio Lucala II, com capacidade para bombear cerca de 10.­500 litros por hora, a serem captados e tratados num tanque de 225 mil litros, além de outros tanques intermédios para duas estações elevatórias, que conseguem bombear mais de 300 litros por minuto.
A captação na vila de Bolongongo tem capacidade de 25 mil litros por hora, não se diferenciando em termos técnicos das demais localidades. A comuna de Quiquiemba tem 12.900 metros cúbicos de capacidade de captação e tratamento, com um tanque de 225 mil litros, com duas estações elevatórias semelhantes às anteriores e uma tubagem de 13.800 metros.
A província está já coberta com redes de distribuição de água em cerca de 75 por cento.
A rede de captação, tratamento e distribuição a partir do rio Lucala está a ser preparada, com a intervenção do Ministério da Energia e Á­guas, contando igualmente com o aumento do volume para o abastecimento e reforço das zonas onde a água chega com dificuldade.
Após a conclusão dos trabalhos no Lucala, são montadas em Ndalatando mais de duas mil ligações domiciliárias. A distribuição da água em Nadalatando regista alguns percalços, devido ao avançado grau de degradação da rede interna, muito antiga, construída numa época em que a circunscrição era habitada por cerca de 25 mil habitantes, contra os mais de 70 mil na actualidade.

Distribuição a Ndalatando


Ndalatando dispõe de cerca de 1.600 ligações domiciliares e 110 chafarizes, distribuídos nos bairros periféricos. Está em curso um novo projecto para ampliar a rede, que já tem cerca de 55 quilómetros, e as ligações domiciliares. Após a conclusão dos trabalhos, Ndalatando vai ter mais seis mil ligações domiciliares e mais 35 quilómetros de rede de tubagem, que abrangem algumas áreas da periferia da cidade, com prioridade para os bairros da Vieta, a área reservada para a nova Centralidade no bairro Catome de Baixo e o bairro São Filipe.
A cidade de Ndalatando e arredores recebem actualmente água de duas fontes, a primeira a partir da represa do rio Mucari, a cerca de 17 quilómetros, com capacidade de abastecer 96 litros por segundo, e a do Monte Redondo, que fornece cerca de 20 litros por segundo. A fraca distribuição em algumas zonas da cidade tem a ver com a pouca água na represa do rio Mucari, que impossibilita que os pontos mais altos de Ndalatando sejam abastecidos, segundo Joaquim Jerónimo.

Represa do Mucari

Indicadores mostram que os desperdícios de água nos pontos mais baixos, particularmente a zona baixa do centro da cidade, impedem que a água chegue ao reservatório, impossibilitando a distribuição eficiente para as zonas mais altas, como a zona do Hospital Provincial, bairro Popular e outras zonas.
“A represa do Mucari não tem capacidade para abastecer a cidade de Ndalatando, fruto da demanda e do crescimento da cidade e bairros. Os estudos hidrográficos indicam que até este ano Mucari não tem capacidade para aguentar a demanda do crescimento de Ndalatando. Portanto, há necessidade de captação da água a partir do rio Lucala, a 34 quilómetros de Ndalatando”, disse.
Os desenhos técnicos, estudos de viabilidade e também demarcações das linhas onde vão estar os reservatórios ao longo da linha e a estação de tratamento já estão em curso.
Além dos projectos ligados ao sector de Energia e Águas estão também em curso diversas acções de impacto social, que visam melhorar a qualidade e o nível de vida da população da província do Cuanza Norte.

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