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Morro do Binda é "cemitério" de condutores imprudentes

Manuel Fontoura e André BrandãO | Ndalatando

O morro do Binda, na província do Kwanza-Norte, é um local onde ocorrem centenas de acidentes de viação de consequências trágicas.

Acto alusivo ao Dia Mundial em Memória das Vítimas das Estradas no Kwanza-Norte
Fotografia: Manuel Fontoura

 A cerimónia em alusão ao Dia Mundial em Memória das Vítimas de Estradas, na província do Kwanza-Norte, decorreu no morro do Binda, arredores da cidade de Ndalatando, local tido pelas autoridades como o que mais acidentes e mortes regista na região.
Dados da Polícia Nacional do Kwanza-Norte apontam que de Janeiro a Outubro deste ano, ocorreram em toda a província 310 acidentes, que provocaram 143 mortos e 601 feridos. O vice-governador para Esfera Económica e Social, Manuel de Abreu Pereira da Silva, esteve presente na cerimónia em representação do governador. O padre Bernard Duchene, vigário paroquial da sé catedral de Ndalatando, dirigiu uma oração em memória daqueles que morreram nos acidentes. “Não podemos pedir a Deus com sinceridade e honestidade a sua bênção sem primeiro reconhecer que todos os desastres são da nossa culpa. Convido todos a fazerem um exame de consciência sobre a sua maneira de manter em bom estado o seu veículo e de conduzir”, disse o padre.
Depois de um minuto de silêncio em homenagem a todos aqueles que morreram em acidentes de viação, seguiu-se a deposição de flores ao longo do Morro do Binda, na Estrada Nacional 230.
Ao encerrar o acto, o vice-governador para a Esfera Económica e Social, Manuel de Abreu Pereira da Silva, referiu que os inúmeros acidentes rodoviários constituem uma grande preocupação do Governo angolano.
Após a conquistada da paz, o Governo apostou na recuperação das estradas para facilitar a circulação de pessoas e bens. “Mas os condutores imprudentes provocam nas estradas perdas de inúmeras vidas humanas, causando consequências nefastas para todos”, disse o vice-governador.
“É sabido que nos sinistros, que ocorrem um pouco em todo o país, as maiores vítimas são jovens e mulheres que muita falta fazem para o processo de reconstrução nacional”, afirmou. O Dia Mundial em Memória das Vítimas das Estradas “deve ser para nós um dia de grande e profunda reflexão, para em conjunto reduzirmos o número de mortos no país que actualmente é de 50 por dia”.
O vice-governador considerou este é um quadro negativo que exige da Polícia Nacional o reforço de medidas que contribuam para a inversão deste quadro negativo. A Polícia Nacional tem meios eficazes em recursos humanos e equipamentos para combater a sinistralidade mas, “é preciso também apelarmos à consciência dos cidadãos, é preciso pedirmos que a sociedade civil participe neste processo para evitarmos as mortes que têm ocorrido nas nossas estradas”, disse o vice-governador, Manuel de Abreu Pereira da Silva.
Na sua opinião, as principais causas estão identificadas: imperícia dos motoristas, o mau estado técnico das viaturas e o consumo excessivo de álcool. “O álcool é inimigo do homem quando consumido fora dos seus limites. A polícia deve tomar medidas rigorosas para pôr cobro a esta onda de sinistros, principalmente na nossa província do Kwanza-Norte. Queremos ser um exemplo a nível nacional e que se diga que o Kwanza-Norte está em último lugar em termos de sinistros rodoviários”, concluiu.

Postos de controlo

O país registou desde Janeiro mais de 12 mil acidentes rodoviários, com 2.000 mortos e 10 mil feridos. Automobilistas particulares e condutores que fazem serviço de táxi pediram a diminuição de controlos policiais na Estrada Nacional 230, particularmente no Kwanza-Norte.
Os automobilistas foram unânimes em dizer que a reabilitação da estrada está agora a facilitar a circulação de pessoas e bens, principalmente no escoamento de produtos de uma região para outra, mas o que os preocupa são as paragens constantes durante a viagem devido aos controlos da polícia no itinerário.
O comandante local da Polícia de Trânsito, intendente Manuel Francisco Velho, desmentiu tais declarações, afirmando que na província do Kwanza-Norte existem apenas dois postos de fiscalização, um na localidade de Zenza do Itombe e outro na zona de Kiamafulo em direcção ao Sul do país passando pelo Alto Dondo.
Acrescentou que os postos localizados na ponte sobre o rio Lucala e no início do morro do Binda são postos de prevenção rodoviária, uma vez que estão situados em locais propensos a acidentes. O comandante informou que a polícia se encontra na ponte do rio Lucala e no morro do Binda para aconselhar os condutores sobre os perigos e cuidados a ter.
“O Binda tem sete quilómetros de subidas e descidas, é um troço propício a acidentes. Por isso a polícia está lá para ajudar e aconselhar a fazer uma condução segura durante o trajecto”, disse.
Na cidade de Ndalatando existem postos móveis de fiscalização, que vão ser levantados quando os sinais de trânsito forem colocados em toda cidade. São 134 sinais para mais de 20 quilómetros de arruamentos. Manuel Francisco Velho revelou que o Governo está a trabalhar na instalação de uma balança em Viana, à saída de Luanda, para pesar todos os camiões que pretendam passar pela ponte sobre o Lucala. “A ponte suporta apenas 30 toneladas, por isso é que temos um posto de controlo no local. Quando os agentes suspeitam que os camiões carregam mais que esse peso, têm de impedir a travessia”, frisou o comandante Manuel Francisco Velho.

Escolas de condução

A província do Kwanza-Norte tem sete escolas de condução automóvel, sendo duas em Ndalatando, e as restantes em Cambambe, Golungo Alto, Lucala, Samba Cajú e Ambaca (Camabatela).
Sem revelar o número de cartas de condução passadas trimestralmente nas escolas, o director local da Viação e Trânsito, inspector André Cassule, disse que todos os candidatos que passam nos exames, em qualquer uma das escolas, recebem a sua carta de condução oito dias depois.
Os candidatos com idades compreendidas entre os 18 e os 20 anos concorrem aos exames de ligeiros profissionais, enquanto a partir dos 21 anos já podem solicitar os exames de pesados.
 André Cassule anunciou que os motociclistas, para obterem a licença de condução, particularmente os que possuem motociclos com menos de 100 centímetros cúbicos, são obrigados a passarem na escola de condução e não apenas adquirirem o documento nas administrações municipais.

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