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Mulheres contra a violência doméstica

Marcelo Manuel | Samba-Cajú

Mulheres rurais do município de Samba Cajú, província do Kwanza-Norte, enquadradas na Associação de Camponeses “Amizade Angola e Cuba”, solicitaram maior “atenção, dignidade e protecção” no tocante aos maus-tratos, ofensas morais e corporais praticados pelos maridos.

Camponesas têm instrumentos necessários para dinamizar a agricultura
Fotografia: PEDRO MIGUEL

 
Mulheres rurais do município de Samba Cajú, província do Kwanza-Norte, enquadradas na Associação de Camponeses “Amizade Angola e Cuba”, solicitaram maior “atenção, dignidade e protecção” no tocante aos maus-tratos, ofensas morais e corporais praticados pelos maridos.
Este desejo foi expresso durante o acto de abertura da campanha agrícola marcada pela presença de famílias rurais, com força e vontade de produzir, respondendo, para responderem aos intentos da Federação Internacional de Produtores Agrícolas que, no presente ano, apresentou o lema “Mulher Rural Garante da Segurança Alimentar e Nutricional”.
O centro de aconselhamento do Ministério da Família registou, durante o primeiro semestre do ano, 287 casos de violência doméstica, dos quais 76 foram transferidos para a Procuradoria-Geral da República.
Entre os casos estão 48 r abandonos do lar, 40 de incumprimento de mesada, 91 por ofensas morais, 26 fugas à paternidade, 17 ofensas corporais, 15 desalojamentos, nove conflitos, cinco privações de bens, quatro adultérios, três ameaças de morte e igual número de feitiçarias, duas injúrias e chantagens.
 
Fomento agrícola

Ana Adão denunciou que na sua aldeia tem vizinhas que são espancadas pelos maridos, mas não se queixam porque temem que eles sejam presos ou as abandonem para sempre. “Muitas de nós aguentamos porque temos medo de perder o lar ou ficar a aguentar os filhos e a casa sozinhas”, concluiu.
Para melhor aproveitamento e organização do trabalho das mulheres, o Governo Provincial do Kwanza-Norte estipulou três programas, extensão rural, fomento agrícola e o projecto agrícola criado pelas “Caritas”, coadjuvado pelo Instituto de Reinserção dos ex-Militares (IRSEM).
Os projectos estão a ser executados em 99 aldeias que têm à disposição um total de 70 mil hectares desbravados manualmente e 3.500 mecanizados, nos quais estão a ser semeados milho, ginguba, feijão e mandioca.
As camponesas têm ferramentas de trabalho distribuídas gratuitamente pela Direcção Provincial da Agricultura, compostas por catanas, limas, enxadas, semeadores, sementes de milho e feijão e estacas de mandioca.
Cristina António está entusiasmada com os projectos apresentados pelo Governo que visam, essencialmente, melhorar a qualidade de vida das populações rurais. “Com os campos já lavrados, estamos em condições de semear. Após a colheita, vou vender os produtos para poders comprar roupa, calçado e outros produtos de primeira necessidade para a minha família”, disse.
Isabel Maria Pedro, de 45 anos, é natural de Samba Caju. Nunca foi à escola e trabalha no campo desde criança. Já não sonha aprender a ler nem a escrever, mas faz tudo para garantir a continuidade dos estudos dos seis filhos, que dependem das três lavras que possui: “Com os filhos e a idade que tenho já não há tempo para a escola. Preciso de trabalhar duro para ajudar o meu marido a sustentar os nossos filhos”.
O trabalho das mulheres rurais de Samba Cajú começa às seis horas da manhã, período reservado para a ir ao rio lavar a louça e a roupa e tomar banho. Depois é o trabalho nas lavras, 15 ou 16 horas. Levam consigo a kizaka, miengueleca e o maruvo de bordão, para acompanhar as refeições.
 
Programas de desenvolvimento
 
A directora Provincial da Família e Promoção da Mulher do Kwanza-Norte, Teresa da Costa, está optimista quanto ao sucesso dos programas para as mulheres rurais. Disse que o desenvolvimento de qualquer sociedade “tem como meta primordial o bem-estar das populações, principalmente as mulheres que têm as lavras como seu ganha-pão”.
Teresa da Costa afirmou que a estratégia do combate à pobreza, através dos projectos de fomento agrícola nas áreas rurais, é uma resposta do Governo para atingir o desenvolvimento sustentável durante o milénio.
Afirmou que o desenvolvimento de uma comunidade assenta num espírito de partilha e é necessário que “a família tenha uma linguagem comum, que abra caminhos para o desenvolvimento da produção agrícola, sendo esta uma das possibilidades que permite a estabilidade das populações”.

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