Províncias

Mulheres de Ndalatando lutam por afirmação na sociedade

Marcelo Manuel | Ndalatando

As mulheres do município de Cazengo, no Kwanza-Norte, enquadradas nos vários sectores da vida social, económica e política, manifestaram, na semana finda, em Ndalatando, o sentimento de verem respeitados os seus direitos, principalmente no que toca à igualdade de género e às oportunidades de emprego.

Camponesas recebem sementes e instrumentos de trabalho para aumentarem a produção
Fotografia: Jornal de Angola

As mulheres do município de Cazengo, no Kwanza-Norte, enquadradas nos vários sectores da vida social, económica e política, manifestaram, na semana finda, em Ndalatando, o sentimento de verem respeitados os seus direitos, principalmente no que toca à igualdade de género e às oportunidades de emprego.
As mulheres, na sua maioria mães e esposas, algumas das quais vítimas de diferentes tipos de violência de género, foram unânimes em afirmar que o desenvolvimento social e a paz têm permitido lutar pelos seus direitos, principalmente no que toca à liberdade de expressão junto das instituições judiciais, o que lhes garante alguma segurança no trabalho e até mesmo em casa.
Maria Sebastião, professora de profissão, é de opinião que a formação académica e profissional são factores fundamentais para a auto-afirmação de uma mulher. Em relação à violência no lar, disse que a falta de diálogo e o desemprego contribuem em grande medida para o surgimento do fenómeno. Em Ndalatando, apesar de algumas mulheres estarem dispostas a lutar pelos seus direitos, outras mulheres mostram-se cépticas em relação à denúncia de maus-tratos que sofrem dos cônjuges.
Ana Adão, residente no Cazengo, precisou que na comunidade em que vive assiste quase sempre  episódios tristes de vizinhas que são espancadas pelos maridos. Acrescentou que a maior parte destas temem denunciar os esposos com medo destes serem presos por muito tempo ou as abandonarem para sempre.
“Muitas de nós aguentamos porque temos medo de perder o lar ou ficar a aguentar os filhos e a casa sozinhas”, disse uma das vítimas, que pediu o anonimato.
 
Dezenas de casos de violência são notificados em três meses
 
De Janeiro a 23 de Março do corrente ano, a direcção provincial da Família e Promoção da Mulher no Kwanza-Norte registou 80 casos de violências diversas, com destaque para o incumprimento de mesada com 25 casos, 16 de abandono de lar, 15 por ofensas corporais. A fuga à paternidade e chantagem registaram quatro casos cada, três em desalojamento e privação de bens, adultérios dois e uma ameaça de morte. Dos casos em referência, 17 não tiveram solução na sala de aconselhamento da direcção de tutela e foram encaminhados à Procuradoria provincial.
A directora provincial da Família e Promoção da Mulher no Kwanza-Norte, Teresa da Costa, afirmou que as mulheres angolanas devem encarar o mês de Março com profunda reflexão.  Realçou o envolvimento do Executivo em relação à redução da violência doméstica, destacando os estudos em curso no Parlamento para promulgação de uma lei que condene tal fenómeno, o que, na sua opinião, vai ser uma mais-valia para as famílias angolanas.
Teresa da Costa manifestou a sua preocupação em relação ao surgimento de alguns casos em que supostos parentes de pessoas falecidas se apoderam dos bens deixados por estas e com a onda de violência nos lares.
De Janeiro a Março deste ano, segundo a directora, foram notificados seis casos, dos quais três resultaram em desalojamento e igual número de casos em privação de bens. Durante o mês consagrado à mulher, várias acções foram realizadas pelo governo provincial, com vista a sensibilizar para a boa convivência das famílias nos lares.  Para garantia de um parto seguro e redução da mortalidade infantil na comunidade foram formadas no município do Lucala e na comuna de Dange Ya Menha, em Cambambe, 92 parteiras tradicionais, numa parceria com a direcção provincial da Saúde. O mesmo projecto abarca ainda a formação de 124 conselheiros de família em todos os municípios.

Tempo

Multimédia