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Ndalatando e periferia com mais energia

Manuel Fontoura | Ndalatando

O sonho dos munícipes de Ndalatando, espalhados pelos diversos bairros periféricos da cidade, de terem energia eléctrica estabilizada, está a tornar-se realidade, fruto dos investimentos feitos nos últimos anos pelo Executivo e pelo Governo provincial.

Joaquim Jerónimo director da Energia
Fotografia: Manuel Fontoura

O sonho dos munícipes de Ndalatando, espalhados pelos diversos bairros periféricos da cidade, de terem energia eléctrica estabilizada, está a tornar-se realidade, fruto dos investimentos feitos nos últimos anos pelo Executivo e pelo Governo provincial.
Cada vez mais pessoas dos bairros Kipata, Azul, Katome de Baixo, 28 de Agosto, 1º de Agosto, Vieta, Sassa, Sambizanga, Kilamba-Kiaxi, Embondeiros, Posse e outros beneficiam de energia eléctrica.
Os problemas que afligiam a maioria dos consumidores, relacionados com a distribuição de energia eléctrica, estão perto do fim, uma vez que o governo local envida esforços para que todos os habitantes da província sejam beneficiados com luz eléctrica.
Os habitantes de Ndalatando, interpelados pela reportagem do Jornal de Angola, aplaudem os serviços prestados pela direcção provincial de Energia, tendo em conta a melhoria da qualidade de distribuição de energia eléctrica, apesar dos cortes que ainda se verificam em algumas zonas e a excessiva demora na resolução de situações em alguns bairros da periferia.
Outros apontam a pouca colaboração de alguns consumidores, que se furtam ao pagamento, como impedimento para uma melhor prestação de serviço.
O funcionário público Mateus do Nascimento Assoli critica as construções anárquicas, sendo a periferia a mais penalizada. “Em caso de avaria, mesmo simples, dificilmente os técnicos aparecem a tempo e horas. Torna-se necessária uma maior fiscalização, pois há cantinas que, de um tempo a esta parte, vêm proliferando nos bairros e consomem excessiva energia, o que provoca sobrecarga”.
Pedro Amadeu, outro citadino ouvido pela nossa reportagem, diz que a direcção de Energia tem feito um trabalho na medida do possível. Refere que a cidade de Ndalatando cresceu consideravelmente e para complicar existe a problemática das ligações anárquicas.
A doméstica Verónica João António critica o funcionamento da direcção de Energia, devido à morosidade na resolução das inúmeras avarias e os consumidores que não pagam as facturas da luz. “Apelo à direcção de Energia no sentido de tomar as medidas pertinentes, de forma a se pôr cobro a essa situação”.
Alguns moradores do bairro Carreira de Tiro, em Ndalatando, afirmam que a prestação de serviço da direcção local de Energia é razoável, pois as casas e as ruas estão cada vez mais iluminadas, desde o final do ano passado.
Arão João Gaspar, de 54 anos, morador do bairro Camundai desde a mais tenra idade, revela que apesar de ter sido instalado, no ano passado, um PT no bairro, poucas casas foram autorizadas a fazer as ligações. Conta que nunca teve energia na casa dos seus pais e desde que arranjou a sua, há mais de 40 anos, também nunca viu uma lâmpada acesa na sua residência, nem nas casas dos vizinhos.
“Só nos últimos tempos é que começámos a notar corrente no bairro, devido aos geradores. Nunca tive televisão, nem outros meios que dependessem de corrente eléctrica. Por isso peço, como o PT já funciona no bairro, que nos autorizem a puxar a corrente para que os nossos filhos não vivam como nós”, solicitou. Na condição de Arão João Gaspar encontram-se os moradores Imaculada Daniel, Mário Assunção, Teles de Almeida e muitos outros das sub-zonas do bairro considerado como dos mais antigos de Ndalatando.
Como ainda não dispõem do contrato de luz, não têm outra saída senão recorrer aos candeeiros, velas e lamparinas, para manterem as casas iluminadas, segundo constatou a nossa reportagem.
 
Novos projectos

O governo do Kwanza-Norte está empenhado em levar a energia eléctrica a todos os pontos da província, com a execução de vários projectos de reabilitação e expansão das redes de média e baixa tensão.
O director provincial do Kwanza-Norte da Energia e Águas, Joaquim Jerónimo, disse que está em curso, em Ndalatando, um projecto denominado “Anel”, que visa melhorar a distribuição de energia domiciliar e pública.
Segundo Joaquim Jerónimo, vão ser instalados 22 postos de transformação, com transformadores de várias potências, na periferia e na zona urbana da cidade de Ndalatando. O projecto, acrescentou, vai beneficiar mais de 8.500 consumidores.
O director provincial da Energia queixou-se da falta de pagamento por parte dos clientes, que, segundo ele, “não acontece por falta de meios, mas sim porque os consumidores não querem”. Joaquim Jerónimo disse que a direcção de Energia deve, neste momento, seis milhões de kwanzas à Empresa Nacional de Electricidade.

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