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Ndalatando luta por um centro de investigação

Marcelo Manuel | Ndalatando

Os níveis de produção agrícola nas províncias do Kwanza-Norte, Malange, Uíge e Bengo, vão ser dinamizados nos próximos anos, tendo em conta a reabilitação do Centro de Investigação Agronómica do Quilombo, em Ndalatando, cuja vocação é estudar e melhorar as sementes de leguminosas, frutícolas, florícolas, raízes e tubérculos, cultivadas na região.

Com a reabilitação do Centro de Investigação Agronómica do Quilombo vai ser dinamizada a produção de sementes agrícolas no país
Fotografia: Marcelo Manuel

Os níveis de produção agrícola nas províncias do Kwanza-Norte, Malange, Uíge e Bengo, vão ser dinamizados nos próximos anos, tendo em conta a reabilitação do Centro de Investigação Agronómica do Quilombo, em Ndalatando, cuja vocação é estudar e melhorar as sementes de leguminosas, frutícolas, florícolas, raízes e tubérculos, cultivadas na região.
De acordo com o director provincial do Kwanza-Norte da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Fernando Humberto Mesquita, em declarações ao Jornal de Angola, o projecto de reabilitação do Centro de Investigação Científica do Quilombo já se encontra no ministério da tutela desde o ano de 2006 e em breve vai arrancar.
O Governo Provincial pretende que a reabertura do Centro de Investigação Científica do Quilombo seja “o mais breve possível” porque joga um papel importante na produção de mandioca, batata, cereais, frutas, hortícolas, algodão, cana-de-açúcar, e outros produtos, que podem contribuir para o desenvolvimento económico da região e para a segurança alimentar.
Fernando Humberto Mesquita afirmou que o Centro do Quilombo vai servir, ainda, para a criação de espécies piscatórias como a tilapia, cacusso e bagre. A reportagem do Jornal de Angola constatou que apesar de ainda não estar reabilitado, o Centro de Investigação Científica do Quilombo já está a jogar um papel importante no repovoamento das espécies de mandioca e bananeiras afectadas por uma praga denominada “cigatoca”, que vem assolando a província nos últimos cinco anos. 
“Espero que o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural nos comunique que o projecto de reabilitação do Centro de Investigação Científica do Quilombo foi aprovado e que os fundos estão disponíveis, para começarmos as obras de reabilitação”, disse Fernando Mesquita.
A reabertura do Centro de Investigação Científica do Quilombo vai permitir a preservação das espécies vegetais locais, que são factor preponderante para a subsistência humana sobretudo nas comunidades rurais, que são a esmagadora maioria da população do Kwanza-Norte.
O centro vai contribuir para a melhoria do meio ambiente, através da criação e disseminação de plantas ornamentais, tendo em conta a preservação das cidades e vilas. 
De acordo com a Direcção Provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural, o Centro de Investigação Científica do Quilombo tem características climáticas que permitem o desenvolvimento de uma agricultura diversificada.
 
Gerar conhecimento
 
Com o projecto de reabilitação do Centro de Investigação Científica do Quilombo vai ser possível gerar conhecimentos científicos, tecnologias e serviços agronómicos, em especial na fruticultura e horticultura temperada e subtropical. A intenção das autoridades locais é viabilizar a condução de ensaios com cereais, leguminosas, culturas industriais, raízes e tubérculos.
O projecto tem ainda pretensões de criar condições para que a agricultura na província do Kwanza-Norte aumente, exponencialmente, a sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB).
Os mentores do projecto prevêem que no âmbito da sua intervenção vai ser possível aumentar os rendimentos das comunidades. O próprio Centro de Investigação Científica vai gerar recursos próprios decorrentes da pesquisa e da produção, formação de quadros e promoção de cursos, “com vista a garantir empregos”.
No âmbito do projecto está previsto o aumento da produção agrícola mediante o fornecimento de sementes de boa qualidade, resistentes a doenças e pragas, e de fácil adaptação às zonas  agro-ecológicas do país.
As autoridades provinciais da agricultura prevêem que o Centro de Investigação Científica do Quilombo, depois de reabilitado em pleno, contribua para uma drástica redução dos níveis de importação de sementes. E crêem que esse facto “vai permitir a criação de leis e regulamentos da política das sementes e mudas em Angola”.
 
Centro turístico
 
A estação agronómica do Quilombo, para além da sua vocação científica, é também um potencial pólo de atracção turística. A sua paisagem e o seu clima ameno não têm igual. Naquele local a vida ganha outra dimensão face ao esplendor da natureza. A estação é um verdadeiro laboratório, que deve ser posto ao serviço da comunidade estudantil e científica.
As infra-estruturas de pesquisa e de apoio da estação encontram-se totalmente destruídas, com destaque para o edifício central,  salas de informação e treino, para além de sete moradias destinadas aos cientistas e técnicos da antiga escola de formação agronómica “Comandante Dangereux”. Está tudo em ruínas
A estação piscícola está também destruída. A instalação agro-meteorológica digital, o armazém e a área de identificação de herbário e colheita foram igualmente destruídos. Também é preciso reabilitar a vedação e instalar campos de ensaio agronómico, para a formação de recursos humanos. 
Foram já reabilitadas parte das valas de drenagem e o tapete asfáltico de todo o centro, estando neste momento em funcionamento os campos de ensaio de  mandioca, banana e de plantas ornamentais.
De acordo com um documento da Direcção Provincial da Agricultura, são necessários meios como tractores agrícolas, charruas com três discos reversíveis, semeadores de precisão, sulcadores de duas linhas, atrelados basculantes com capacidade de cinco toneladas, atomizadores para desinfestação, sistema de rega gota a gota, um camião para transporte dos produtos, uma carrinha de cabine dupla e um mini autocarro de 30 lugares para transporte do pessoal. Tudo isso tem custos superiores 740 mil dólares.
Estima-se que a média anual de fertilizantes necessários seja de 60 toneladas de adubos simples e compostos, avaliados em 210 mil dólares. As sementes de cereais, frutícolas, leguminosas e tubérculos, num total de 1.165 quilos, estão orçadas   em 19.325 dólares.
Os recursos humanos              essenciais para a reabertura do centro de investigação são dois técnicos superiores especializados em horto-botânica, seis para a área de agricultura geral, cinco técnicos médios, um especialista em fisiologia de plantas e 10 trabalhadores de nível básico.
 
Historial do Quilombo
 
O centro de investigação do Quilombo é uma instituição integrante do Instituto Nacional de Investigação Agronómica, vocacionada para estudos no domínio da experimentação agrícola. Localiza-se na província do Kwanza-Norte, no município do Cazengo, cinco quilómetros a sul de Ndalatando. Tem uma área aproximada de mil hectares. Está inserida na terceira zona agrícola, vulgarmente conhecida como “Cafeícolas Dembos Uíge”. A sua vegetação é tropical densa. 
Com um clima predominantemente tropical quente e húmido, as precipitações rondam os 900 milímetros de mínima e 1.500 de máxima.
A estação, criada em 1907, sempre esteve destinada ao estudo e investigação agrícolas, com vista a ajudar a fomentar o desenvolvimento da agricultura em Angola, nomeadamente na zona de influência do então Caminho-de-Ferro de Ambaca, onde se exploravam espécies vegetais como a seringueira, no auge da procura mundial da borracha.
Enquanto zona de experimentação, o Quilombo transformou-se num jardim botânico, onde se reuniam espécies para estudos botânicos, científicos, económicos e climáticos.
Em 1918 o Jardim Botânico do Cazengo, como era conhecido, tomou o nome de Estação Agronómica do Cazengo e, em 1961, com a criação do Instituto de Investigação Agronómica de Angola, passou a designar-se Centro de Estudos de Salazar. Actualmente, o nome oficial é Estação Experimental do Quilombo.

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