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Ngonguembo sem médicos há três anos

André Brandão | Ndalatando

A administração de Ngonguembo, no Kwanza-Norte, entregou na sexta-feira ao hospital municipal três viaturas, entre as quais uma ambulância e duas Toyota Hilux.

Os meios estão equipados com um sistema vital de primeiros socorros e permite uma assistência atempada aos municípes
Fotografia: André Brandão|Ngonguembo

A administração de Ngonguembo, no Kwanza-Norte, entregou na sexta-feira ao hospital municipal três viaturas, entre as quais uma ambulância e duas Toyota Hilux.
A ambulância está equipada com um sistema vital de primeiros socorros, e vai permitir uma assistência atempada a toda a população do município, particularmente àqueles que vivem nas aldeias mais distantes da sede. As carrinhas destinam-se a ajudar a deslocação dos técnicos de saúde às diferentes localidades do município e a servir de apoio ao próprio hospital.
A administração municipal também entregou batas para os técnicos e lenços com o timbre do hospital, com o objectivo de proporcionar melhor serviço às populações locais.  O administrador Mateus Garcia prometeu adquirir mais duas ambulâncias, para as comunas de Camame e Cavunga, actualmente com dificuldades de transporte dos pacientes, dado que muitas vezes os doentes têm de se deslocar em carros particulares ou em viaturas de aluguer.
Segundo adiantou, o município não dispõe de médicos, para os quais neste momento estão a ser criadas condições de acomodação, com a reparação de uma residência e o seu apetrechamento.
 
Menos doenças

Durante o primeiro trimestre deste ano, verificou-se no município uma redução de casos de doença. Com cerca de 18 enfermeiros auxiliares e cinco técnicos médios, o município não dispõe de médicos desde 2008. A malária e as doenças diarreicas agudas são as enfermidades mais frequentes na região.
A cegueira dos rios é uma doença perigosa que, aos poucos, está a pôr em perigo a população do município, já tendo registado três casos, um dos quais resultou em morte.
No município está em curso a reabilitação da casa de trânsito para os técnicos da saúde e educação, enquanto a escola 247 se encontra em reabilitação.
Está igualmente projectada para este mês a construção de uma escola de quatro salas, no bairro de Banza-Kilembe, em substituição da antiga, construída com material precário (adobe) e recentemente destruída pelas chuvas.
Mateus Garcia considerou a falta de professores um problema grave. Dos 56 docentes apurados no concurso público de 2010, e enviados para o município, apenas três se encontram no Ngonguembo, estando dois na sede do município e um na comuna de Camame.
No município funcionam em pleno a rede de comunicações da operadora móvel da Unitel e aguarda-se a qualquer momento a entrada em funcionamento da rede fixa da Angola Telecom.
 
Camponeses em dificuldades

Com uma população maioritariamente camponesa, as autoridades de Ngomguembo, têm registadas 16 associações e 14 grupos solidários com 759 associados.
Em geral, os lavradores cultivam ginguba, mandioca, bata-doce, feijão, milho e hortaliças, como couve, cebola, tomate, repolho, cenoura, alface e pimenta. Para este ano, prevê-se a preparação manual de 15 hectares de terra.
O responsável local da Associação de Camponeses (UNACA) afirmou que os agricultores têm várias dificuldades, concretamente na aquisição de sementes, enxadas, catanas e máquinas motorizadas (charruas). A ausência de carros para o escoamento dos produtos e um mercado específico para venda dos mesmos são outras preocupações dos associados.
O responsável local da UNACA, Santos Lourenço, explicou que os camponeses rejeitaram o crédito de campanha agrícola, devido à falta de clarificação das cláusulas contratuais.

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