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Novos pólos industriais para o Dondo e o Lucala

Manuel Fontoura | Ndalatando

No quadro do projecto do governo central que visa o relançamento da indústria transformadora do país, a província do Kwanza-Norte espera, até finais do próximo ano, a entrada em funcionamento de dois novos pólos, a serem construídos nas vilas municipais do Dondo e Lucala, respectivamente.

O relançamento da indústria transformadora na província tem vindo a criar muita expectativa no seio dos habitantes e particularmente dos empresários nacionais e estrangeiros
Fotografia: Nilo Mateus

No quadro do projecto do governo central que visa o relançamento da indústria transformadora do país, a província do Kwanza-Norte espera, até finais do próximo ano, a entrada em funcionamento de dois novos pólos, a serem construídos nas vilas municipais do Dondo e Lucala, respectivamente.
Em declarações ao Jornal de Angola, o director provincial da Indústria, Geologia e Minas, Emanuel Ferreira António de Sousa, disse que,  no quadro do projecto do governo central de relançamento da indústria transformadora para o triénio 2009/2012, o Kwanza-Norte foi contemplado com a construção de pólos industriais a serem erguidos nos municípios de Lucala, a 36 quilómetros a Leste de Ndalatando, e de Cambambe, a 75 quilómetros a Sul da sede provincial.
Dada a expectativa que o referido projecto encerra na vida dos habitantes desta província em particular e do país em geral, o responsável afirmou que o Executivo angolano, no âmbito da sua cooperação com a República da Índia, estabeleceu um contrato de financiamento com a empresa indiana Angelic International, para a criação de infra-estruturas do pólo industrial do Lucala.
Esta empresa, disse, tem praticamente, com o executivo angolano, a garantia de execução do financiamento completo, com a aprovação por parte do Conselho de Ministros e a homologação por parte do Ministério das Finanças, tendo adiantado que a empresa Angelic International já se encontra no terreno pronta para arrancar com os trabalhos de construção das infra-estruturas do pólo industrial do Lucala.
Em relação ao pólo industrial do Dondo, disse, continua-se à espera de directivas por parte do Executivo, por forma a se encontrar um investidor. Referiu que a empresa encarregue vai financiar a criação das infra-estruturas. O pólo industrial do Lucala prevê mais de 830 hectares, 50 dos quais já infra-estruturados, para que depois neste espaço se possam enquadrar as empresas angolanas que estiverem interessadas em instalar aí as suas indústrias.
Afirmou que, numa primeira fase serão criados, nesses espaços, esgotos, captações de água, sistema de distribuição de energia eléctrica e meios de limpeza de resíduos, quer sejam sólidos ou líquidos, das indústrias que vão surgir, pelo que neste momento existem pura e simplesmente solicitações de alguns empresários interessados em instalarem no local as suas indústrias, tão logo existam as infra-estruturas.
“Como o Lucala se encontra numa região com um pendor agrícola muito forte, nós temos solicitações de fazendeiros que querem instalar indústria de aproveitamento de gordura animal, muito usada na indústria de detergentes ou meios para a limpeza higiénica, assim como a indústria de aproveitamento de pele animal, que pode ser usada para o fabrico de pastas, calçados, cintos e outros meios”, disse.
Por outro lado, precisou, faz parte também do projecto do governo de relançamento da indústria no Kwanza-Norte, a abertura de uma fábrica de descasque e ensaque de arroz.
Instado a pronunciar-se sobre a possível instalação de uma cerâmica no pólo do Lucala, o responsável disse que essa indústria, dado o seu contexto mais específico e tamanho, ao ressurgir no Lucala, é mais provável que não estará instalada dentro do pólo, uma vez que a zona do Lucala onde abundam as jazidas próprias para o fabrico de tijolo, de telha e de outros produtos cerâmicos, encontra-se a alguns quilómetros afastada do local onde estará instalado o pólo.
Sobre a antiga cerâmica do Lucala, Emanuel Ferreira António de Sousa disse que dela praticamente já nada existe. Existem simplesmente a chaminé e o espaço, e estes problemas de espaços são muitas vezes conflituosos. “Há por norma herdeiros e muitas questões jurídicas à volta disso, pois acredito que aquele espaço já não será utilizado no âmbito deste programa do governo. O Governo tem muitos espaços livres para construir uma cerâmica e com certeza vai fazê-lo noutro sítio”, disse.
Já em relação ao Dondo, precisou que, de momento aguarda-se por investidor, mas salientou que a zona já outrora fora um dos grandes pólos industriais do país. Para o Dondo perspectiva-se desenvolver indústrias oleaginosas para o fabrico de óleo de palma, óleo alimentar e óleo de amendoim.
O município vai ainda albergar indústrias de aproveitamento de frutas, fábricas de sumos, fruta em caldas, ácidos cítricos, tal como fazia anteriormente a Banangola, embora esta se dedicasse à produção de farinha, doces de banana e outros.Ainda no Dondo, frisou que a Satec está a beneficiar de um investimento de um banco japonês.
Trata-se de um financiamento que está, no global, distribuído pela indústria têxtil existente no país, como a Textang, em Luanda, e a fábrica têxtil em Benguela.
O director provincial da Indústria, Geologia e Minas frisou que este projecto só não está ainda em execução devido a algumas situações de ordem técnica, mas de qualquer forma os japoneses já se fizeram presentes e muito brevemente a Satec vai voltar a ganhar a  importância que já teve para a economia angolana.
Para ele, o funcionamento pleno implica a existência contínua de matéria-prima e a produção de algodão em grande escala é algo que o Executivo tem estado a acautelar, pelo que projectos como este estão já a ser desenvolvidos em vários pontos do país. “Este é um projecto integrado, e a Satec, pelo que nos foi dado a conhecer até ao momento, já não terá provavelmente as linhas de produção do linho ou do tecido, mas vai usar o tecido para a produção de vestuários e finalização de produtos acabados”.
Neste momento, a empresa indiana está a investir nos 50 hectares para a construção das infra-estruturas do pólo de Lucala, mais de 30 milhões de dólares, enquanto o pólo industrial do Dondo deverá ser instalado numa área de mais de mil hectares.
Quanto ao nível de funcionamento das pequenas e médias empresas na província, Emanuel Ferreira António de Sousa disse que existem, no Kwanza-Norte, muitas pequenas empresas, de pequenos produtores, que, com as suas moagens, transformam mandioca em farinha (fuba). Há também padarias em todos os municípios, carpintarias, serralharia, oficinas mecânicas e tantas outras.
Segundo ele, todas estas empresas surgiram de uma forma de produção individual ou caseira, e para que elas melhorem e se tornem mais produtivas e apresentem produtos de maior qualidade, precisam de empregar pessoas com um bocadinho mais de conhecimento, e estes só podem buscar esses conhecimentos nos centros de formação profissional.
No quadro do programa do governo de relançamento da indústria, afirma, o Kwanza-Norte tem já no Ministério da Indústria proposta para cerca de 17 projectos relativamente a recauchutagem, vulcanização e recapagem de pneus, projectos que neste momento encontram-se já na Unidade Técnica de Projectos do Ministério e levados a banca para serem melhorados e depois financiados.
Para além destes projectos, sublinhou, existem outros de empresas privadas que se candidataram no âmbito do mesmo programa e que já estão na banca, como uma fábrica de óleo de palma, uma cerâmica, uma metalo-mecânica, uma fábrica de amido a partir da mandioca, uma fábrica de chapas de zinco perfiladas, uma serração e carpintaria e outra fábrica de óleo de palma e co-produtos, as quais esperam financiamento.
Avançou, por outro lado, novos projectos por financiar e que nesta altura estão precisamente na Unidade Técnica de Projectos, e que aguardam financiamento, como uma fábrica de água de mesa, duas de materiais de construção (Lucala e Dondo), uma de papel e outra para a produção de bens alimentares.
“Dado o potencial agrícola da província, urge a necessidade de reflorestar zonas antigas e outras novas com palmares. Caso o palmar atinja números volumosos e com a substituição dos antigos por novas plantas, acreditamos que municípios como Cambambe (Dondo), Golungo-Alto, Ngonguembo e Sam­ba-Caju deverão ter, no mínimo, uma fábrica de óleo de palma, uma vez que este bem está a ser muito procurado nos mercados internacionais. Além de servir de alimentação para as populações, também se pode vendê-lo a outros países para o fabrico de bio-diesel”.
Sustentou que quanto mais café se produzir, locais como Ndalatando, Golungo-Alto, Lucala e Camabatela terão a necessidade de existência de fábricas de secagem, moagem e torrefacção deste produto.
Disse acreditar que a plantação de amendoim, do girassol e algodão hão de impulsionar a existência de fábricas de oleaginosas. Também no passado, nos municípios de Kikulungo e Ngonguembo houve a produção da glicerina, para além dos citrinos para o fabrico dos sumos, para além da necessidade de plantação de muitas espécies de árvores para termos aqui uma fábrica de papel.

Exploração de  inertes

Quanto à exploração de inertes em vários pontos da província, Emanuel Ferreira António de Sousa anunciou a existência, na região, de cerca de 23 empresas licenciadas e a funcionar em pleno. Grande parte é constituída por empresas que estão sob a égide do Gabinete de Reconstrução Nacional e outras privadas.
Salientou que a maior parte parte dos inertes retirados da província são usados na construção da nova cidade do Kilamba-Kiaxi, em Luanda, assim como foram usados na construção da estrada entre Catete/Dondo e outras que vão surgindo a nível desta província.
O director fez saber que o decreto executivo número um do Ministério da Geologia e Minas de 2009, conhecido por Normas de Acompanhamento e Fiscalização da Actividade Geológica e Mineira e das Penalizações, diz que as empresas que exploram inertes, a priori, só para obterem a licença de prospecção são obrigadas a cumprir com o regime fiscal.
Elas, continuou, devem pagar, de princípio, o imposto de produção na repartição fiscal da província. Mas  esta soma é canalizada para a Conta Única do Tesouro, de contrário, sem este pagamento as empresas não têm a licença.
Adiantou também a existência de um outro projecto do Executivo para o Kwanza-Norte, ligado à exploração do ferro e manganês nos morros de Cassala e Kitungo (Cambambe), que já na época colonial foram prospectados.
“Este projecto está agora na mão da empresa Angola Exploration Mining Resources (AEMR), que é um consórcio que engloba a Ferrangol, pela parte do Estado, o grupo Geniuse e outras privadas. Pelas intenções e vontade desta empresa, estamos em crer que muito brevemente este projecto vai ganhar pé”, realçou.
Sustenta que no passado houve igualmente exploração nas minas do Saia, que até ao momento ainda não está livre das minas. O acesso é precário e precisa-se construir alguns pontecos. “Ali havia a zona de exploração de mármore no Zanga, que de princípio também foi atribuída à Ferrangol”disse,. Referiu  a ocorrência da existência na província de minerais ferrosos como o ouro, prata, o mercúrio, cuja exploração depende apenas do Executivo.
Para além dos inertes que servem para a construção, apontou, existem outros que abundam na província como o calcário, e dele podemos obter o carbonato de cálcio, e desenvolver indústrias de produção de cal, gesso e tintas, bem como existe suficiente caulino que serve para a produção do vidro e outros materiais para o fabrico de outros produtos.

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